Animais

Pai Lin carregou turistas nas costas por 25 anos. Hoje está cheia de cicatrizes

Antes de ser abandonada pelo antigo dono, a elefante era obrigada a carregar seis pessoas de uma vez. Tem várias deformações.
Tem 71 anos.

A fotografia chocante de Pai Lin, uma elefante fêmea de 71 anos, tem rodado o mundo nos últimos dias. Hoje, a gigante vive feliz e livre no Wildlife Friends Foundation in Thailand (WFFT), um santuário de animais, mas carrega nas costas os 25 anos que passou a trabalhar na indústria do turismo. Com o dorso curvado e o corpo cheio de cicatrizes, já chegou a levar seis turistas de uma só vez.

“Os elefantes costumam passar dias inteiros a carregar o peso do seu dono, dos grupos de turistas e de um assento pesado. Esta pressão contínua sobre os seus corpos pode deteriorar o tecido e os ossos das costas, causando danos físicos irreversíveis à coluna”, escreveu o WFFT. A organização partilhou as fotografias de Pai Lin, assim como de outros elefantes, com o intuito de sensibilizar a população sobre como estes “gigantes gentis” sofrem na indústria do turismo.

“As costas de Pai Lin ainda carregam cicatrizes dos antigos pontos de pressão”, acrescentou. As deformações físicas são “muito comuns” nos elefantes usados no turismo que, quando perdem o seu valor, costumam ser abandonados pelos seus então donos. Foi exatamente isto que aconteceu com a gigante, que foi resgatada pela organização em 2007.

“Embora os elefantes possam ser conhecidos pela sua força e tamanho, as suas costas não são naturalmente projetadas para suportar peso, pois a sua coluna estende-se para cima”, explicou Tom Taylor, diretor de projetos do WFFT.

Durante várias anos, os ativistas da causa animal têm lutado para que a atividade chegue ao fim. “Esperamos que estas fotos incentivem os turistas a fazerem pesquisas e apoiarem apenas os santuários éticos e sustentáveis de elefantes, de forma a evitar os estabelecimentos que oferecem passeios ou outras práticas de exploração”, frisou a organização.

A comparação.

Pai Lin, a elefante “avó” do santuário

É assim que a gigante de 71 anos é conhecida no Wildlife Friends Foundation in Thailand (WFFT). Segundo o diretor de projetos do espaço, Pai Lin é “introvertida” e tem um feitio que vem com a idade. “Ela não gosta muito da companhia dos outros elefantes, mas gosta da atenção das pessoas”, disse à “CNN”. “Fica mal humorada quando o assunto é a comida, mas é uma elefante adorável”, acrescentou.

O santuário está localizado na cidade tailandesa de Hua Hin, a cerca de duas horas e meia de Bangkok. Tem cerca de 17 hectares e acolhe atualmente 22 elefantes resgatados, sendo que grande parte sofreu “anos de abusos”. Além disso, é a casa de vários outros animais selvagens salvos de condições miseráveis como tigres, ursos e macacos.

“Embora nunca possamos compreender o trauma que estes animais sofreram no passado, pelo menos agora podem viver o resto das suas vidas em paz em nosso santuário”, frisou o WFFT. “É importante entender que os elefantes, ao contrário dos cavalos, não foram criados para serem montados. Não são animais domesticados, são retirados da natureza e mantidos em condições terríveis”, acrescentou.

Percorra a galeria para conhecer Pai Lin e os residentes do WFFT.

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