Entre as histórias difíceis, são os desfechos de sucesso que mantém a esperança dos voluntários do Movimento Famalicão sem Correntes. A adoção de Traquina, uma de duas Pastoras-Alemãs que foram abandonadas após uma vida acorrentadas, foi um destes finais felizes.
A notícia da adoção da cadela, cuja história tem sido acompanhada pela PiT, chegou na passada terça-feira, 28 de julho, através das redes sociais, para restabelecer a motivação da equipa.
O resgate aconteceu no início de junho, depois de três meses de acompanhamento das patudas, que ficaram sozinhas no quintal da casa quando a tutora idosa foi viver para um lar, servindo-se de bidões velhos para se protegerem. Traquina e Fadista foram acolhidas pelo Movimento e entregues ao abrigo da Associação Animais Águeda, onde a primeira encontrou “tempo, paciência, carinho e a recuperação emocional de que tanto precisava”.
A equipa de Famalicão adianta que a adoção surgiu “graças ao extraordinário trabalho da associação e a uma publicação nas redes sociais”. “Hoje, a Traquina tem finalmente o lar que sempre mereceu”, escreve.
Com o final feliz da cadela assegurado, falta agora o mesmo para a irmã Fadista. “Ela continua à espera de uma família que lhe dê a mesma oportunidade de ser feliz”.
Uma vida em correntes e um abandono
Irmãs de ninhadas diferentes, as Pastoras Alemãs “nunca souberam o que é viver permanentemente soltas”, avançou o grupo nas redes sociais. “Nunca conheceram o conforto de um lar verdadeiro”, acrescentou.
A dona, uma “senhora de idade avançada”, foi para um lar, e as cadelas “ficaram para trás. Quase esquecidas”, não fosse a intervenção da associação que, adianta Joana Faria à PiT, não poderia virar as costas depois de receber o pedido de ajuda da filha da tutora.
No início do mês de junho, “o milagre aconteceu”, partilhou a associação. “Demos tudo por elas, apesar de ser um apelo externo, e lutamos como se fossem nossas desde o primeiro dia”, afirmou o grupo nas redes sociais. “Durante semanas procurámos, publicámos, falámos com contactos e batemos a dezenas de portas. À medida que o tempo passava e as respostas eram negativas, o desespero crescia. Custava-nos acreditar que o final delas seria continuar presas e sós”, relatou.
O rumo dos eventos alterou-se com a intervenção da Associação Animais Águeda, de Aveiro, que se disponibilizou para as receber. Assim, o Movimento deixou um agradecimento especial, adiantando que Fadista e Traquinas foram transferidas para as suas instalações, e que “o pesadelo acabo”. “Hoje, elas já não sabem o que é o peso de uma corrente”.
As irmãs receberam os cuidados veterinários de que precisavam, bem como o apoio para a adaptação ao espaço, treino e “acima de tudo, uma avalanche de amor”. Foi neste contexto de socialização que Traquinas encontrou a sua família, e é assim que Fadista ainda espera o mesmo desfecho.
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