Quando as estruturas de quem se esperava ação falham, cabe a quem se vê incapaz de virar as costas mudar o destino dos que não podem fazê-lo sozinhos. Fadista e Traquinas são duas cadelas de Braga que viveram acorrentadas, vendo-se abandonadas após a ida da sua tutora para um lar. Ainda na casa que sempre conheceram, estão ao cuidado da equipa do Movimento Famalicão sem Correntes, que não desiste de procurar uma FAT ou adoção.
Irmãs de ninhadas diferentes, as Pastoras Alemãs “nunca souberam o que é viver permanentemente soltas”, avançou o grupo nas redes sociais em fevereiro deste ano, quando deixou o primeiro apelo urgente na tentativa de encontrar uma casa às irmãs de quatro e seis anos. “Nunca conheceram o conforto de um lar verdadeiro”, acrescentou.
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A dona, uma “senhora de idade avançada”, foi para um lar, e as cadelas “ficaram para trás. Quase esquecidas”, não fosse a intervenção da associação que, adianta Joana Faria à PiT, não poderia virar as costas depois de receber o pedido de ajuda da filha da tutora.
A integrante do Movimento avança ainda que “todas as entidades publicas” ignoraram os apelos da família “quando tinham o dever de agir”. “Nós nunca poderíamos fazer o mesmo e estamos a dedicar muito do nosso tempo a tentar arranjar um lar para sempre para a Fadista e a Traquinas”, que toda a vida viveram acorrentadas com bidões como abrigo.
A alimentação e o abeberamento das patudas está a ser garantido pelo grupo enquanto a família certa não aparece. Para já, existem duas pessoas a ser ponderadas, mas a organização sublinha que as candidaturas continuam abertas, na condição de que sejam “conscientes, responsáveis e reais”. Quem as escolher, terá de se responsabilizar pelas esterilizações e por garantir “condições dignas, seguras e com liberdade”. “Estas cadelas vão sair desta realidade apenas uma vez — para serem livres e amadas para sempre”.
Carregue na galeria para conhecer Fadista e Traquinas, que esperam por uma casa.









