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Pata d’Açúcar junta cães abandonados e idosos para combater a solidão nos Açores

Projeto-piloto da Pata d’Açúcar arranca na ilha Terceira em janeiro. Alguns animais poderão acabar por ser adotados.

Um cão que vive num canil pode tornar-se companhia regular de uma pessoa idosa que vive sozinha. É esta a ideia central do projeto “4 Patas no Combate à Solidão”, apresentado esta semana em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira. A iniciativa da Associação Pata d’Açúcar, apoiada pelo Governo Regional dos Açores, pretende atuar simultaneamente sobre o isolamento da população sénior e o abandono de animais. 

O projeto-piloto terá uma duração inicial de um ano e conta com um orçamento de 21 mil euros, ao abrigo de um protocolo celebrado em abril entre o governo regional e a associação. A primeira fase prevê a participação de seis idosos e entre 12 e 18 jovens voluntários. As primeiras visitas deverão começar em janeiro de 2027.

Cães do canil serão selecionados e treinados

Os animais que participarem no programa serão provenientes do Canil Intermunicipal da Ilha Terceira. Antes de começarem as visitas, serão avaliados pelos treinadores da Pata d’Açúcar, que irão procurar cães com características adequadas ao contacto com pessoas idosas.

A associação assegura que os animais serão submetidos a testes e posteriormente treinados, de forma a que a interação com os beneficiários decorra em segurança. O acompanhamento será mantido durante o projeto. 

Também os jovens voluntários terão uma preparação específica. Está prevista uma formação de 25 horas, que deverá ensiná-los a lidar corretamente com os cães e a transmitir aos idosos os cuidados necessários durante os contactos com os animais. 

O funcionamento será, assim, acompanhado por três elementos: o animal, o voluntário e o idoso.

Da visita à possível adoção

Os cães não serão apenas companhia durante as visitas. Os jovens voluntários terão a responsabilidade de ir buscar os animais ao canil e acompanhá-los junto dos idosos. Ao longo do processo poderá criar-se uma relação entre a pessoa e o cão e, caso estejam reunidas as condições necessárias, o idoso poderá vir a adotar o animal.

“No futuro, se o idoso tiver condições, até poderá adotar o animal”, explicou Antónia Saraiva, vice-presidente da Pata d’Açúcar, citada pela Lusa. 

A possibilidade de adoção será, naturalmente, dependente da avaliação das condições existentes para garantir o bem-estar tanto da pessoa como do animal.

Uma associação com experiência no treino de cães resgatados

O novo projeto aproveita a experiência que a Pata d’Açúcar já desenvolve na seleção e preparação de cães provenientes de abrigos.

A associação explica que o seu projeto nasceu com o objetivo de resgatar cães de abrigos, selecioná-los, cuidar deles e treiná-los para se tornarem cães de alerta médico destinados a pessoas com diabetes. O processo de seleção inclui testes de caráter, motivação e capacidade de concentração, além de avaliação veterinária. 

 
 
 
 
 
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Na ilha Terceira, a associação já desenvolve um projeto com animais provenientes do canil, treinados para detetar episódios de hipoglicemia em pessoas com diabetes. Segundo Antónia Saraiva, a organização tem cerca de uma década de experiência na seleção destes animais. 

Essa experiência será agora aplicada a um contexto diferente: em vez de serem preparados para detetar alterações de glicemia, os cães selecionados para o “4 Patas” terão de demonstrar características adequadas à interação com pessoas idosas.

Um problema com duas faces

A iniciativa surge num arquipélago onde o abandono animal continua a representar um desafio. Dados da Provedora Regional do Animal, citados pela Lusa, indicam que em 2025 os Açores registaram um rácio de 9,7 animais abandonados por cada mil habitantes, enquanto a média nacional indicada pela mesma fonte foi de quatro animais por mil habitantes. 

O projeto pretende, por isso, criar uma resposta que ligue duas realidades: animais que aguardam uma oportunidade num canil e pessoas que podem beneficiar do contacto regular com um animal.

A componente intergeracional também é importante. Os jovens voluntários serão a ponte entre o canil e os idosos, participando no transporte, acompanhamento e cuidado dos cães durante as visitas.

O impacto será avaliado

O projeto não termina com as primeiras visitas. Ao longo do ano-piloto serão recolhidos dados para perceber o impacto da iniciativa.

Entre os indicadores previstos estão os níveis de solidão e bem-estar dos idosos, o número de adoções e as competências adquiridas pelos voluntários. O programa contará também com o envolvimento de IPSS e autarquias locais. 

Depois de concluída esta primeira experiência na Terceira, os resultados deverão determinar os próximos passos. O Governo Regional já indicou que, caso a avaliação seja positiva, o projeto poderá ser alargado a outras ilhas dos Açores. 

Carregue na galeria e conheça alguns dos ‘heróis’ da Pata d’ Açúcar, cães resgatados que são agora cães de alerta médico.

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