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Patudos levam conforto ao Hospital de Cascais em novo programa terapêutico

Cães resgatados passam a integrar visitas terapêuticas no Hospital de Cascais, promovendo bem-estar emocional e humanização dos cuidados de saúde

O Hospital de Cascais assinou esta terça-feira, 5 de maio, um protocolo com a Associação São Francisco de Assis que irá permitir a visita de animais a doentes da instituição. 

O protocolo foi formalizado numa cerimónia que contou com a presença de Pedro Morais Soares e Frederico Nunes, vereadores da Câmara Municipal de Cascais, de Fernanda Nunes, presidente da ASFA, e do Conselho da Direção do Hospital de Cascais.

Esta iniciativa assenta na integração de cães resgatados e devidamente treinados em intervenções terapêuticas, transformando histórias de abandono em exemplos de recuperação e impacto positivo na comunidade.

Estes animais passam agora a desempenhar um papel ativo no apoio a doentes, contribuindo para a humanização dos cuidados de saúde.

O programa será implementado em serviços autorizados, nomeadamente nas áreas de Pediatria e Psiquiatria, através de visitas terapêuticas, sessões de apoio emocional e atividades de estimulação cognitiva e social. A seleção dos utentes será feita com base em critérios clínicos definidos pelas equipas de saúde, garantindo sempre a adequação e segurança das intervenções.

Também os patudos envolvidos cumprem rigorosos requisitos veterinários, comportamentais e sanitários, assegurando elevados padrões de segurança e controlo de infeção — um ponto essencial quando se fala de ambiente hospitalar.

Para a Associação São Francisco de Assis, este projeto reforça o compromisso com o bem-estar animal e a integração social, dando uma nova missão a cães resgatados, agora com um papel ativo na vida da comunidade.

Já para o Hospital de Cascais, a iniciativa representa mais um avanço na humanização dos cuidados. Afinal, como a ciência e a experiência têm demonstrado, a recuperação vai muito além da dimensão clínica. A presença de animais em contexto hospitalar tem sido associada à redução da ansiedade, melhoria do humor e fortalecimento da ligação entre doentes e profissionais de saúde.

O protocolo estabelece ainda princípios fundamentais como o respeito pelo bem-estar animal, o cumprimento rigoroso das normas hospitalares e a avaliação contínua do impacto do programa, permitindo recolher indicadores relevantes para futura investigação e desenvolvimento.

Nico: o patudo que abriu caminho

Antes mesmo deste protocolo ganhar forma, já havia um nome que mostrava o poder desta ligação: Nico.

Nico foi pioneiro numa visita muito especial à sua cuidadora, internada no Hospital de Cascais, a 30 de maio de 2023. A tutora, de 77 anos, encontrava-se a recuperar de um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. Apesar das visitas familiares lhe arrancarem sorrisos, havia algo em falta — algo que só Nico conseguiu preencher.

O reencontro foi imediato e transformador. Entre lambidelas e momentos de afeto, registou-se uma mudança clara no estado da doente. Segundo foi descrito na altura, tratou-se de “uma estimulação para a sua recuperação, que teve efeitos imediatos”.

Mais do que emoção, houve progresso clínico: “Proferiu mais frases e expressões do que nos últimos tempos de internamento, um sinal evidente de auxílio na melhoria da doença através do convívio com o seu fiel companheiro.”

Hoje, essa história deixa de ser exceção para se tornar inspiração — e, em breve, rotina.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos patudos para adoção na Associação São Francisco de Assis.

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