Animais

Paulo Fernandes: de manhã fala com as pessoas. À tarde, comunica com os cães

Animador da M80 é instrutor canino há sete anos. E revela que o trabalho com os tutores é essencial.
Os Golden Retrievers são a raça de eleição de Paulo Fernandes.

Não, não foi uma paixão. Paulo Fernandes assume-o sem complexos. “Sempre gostei de animais, claro, mas em miúdo, e mesmo já em adulto, não era um apaixonaaaaaado por cães”, diz, enfatizando a palavra, propositadamente.

O que é certo é que aos 41 anos, Paulo Fernandes, animador das manhãs da M80, uma das rádios mais ouvidas em Portugal, tem uma outra atividade profissional: é instrutor canino. Ou seja, de manhã, aos microfones, comunica com os milhares de ouvintes que o seguem. À tarde, comunica com os cães e os seus tutores.

“São duas coisas que adoro fazer”, confessa à PiT. E acrescenta que “muito de treinar um cão passa por comunicar com o dono e fazer com que os olhos dele eles vejam o que eu fui capaz de ver”.

“Saber ler os contextos”, “saber interpretar a linguagem dos cães”, e “ajudar os tutores a perceberem os seus animais” são trabalhos essenciais de Paulo Fernandes, que admite que “o trabalho na rádio ajuda muito”.

Paulo Fernandes é animador das manhãs da M80.

Paixão por Goldens Retrievers

Em criança não teve cães. “Os meus pais não deixavam, eu bem pedi”, recorda, soltando a gargalhada tão facilmente reconhecível por quem ouve diariamente. O primeiro cão que teve foi aos 20 anos. “Gostava muito do cão, claro, mas volto a dizer que não era uma paixãããããoooo”.

O click aconteceu, já adulto, em família, quando conheceu a sua atual mulher, e mãe das suas filhas, Lara Afonso. “A Lara sempre teve um cão. Era o Voice, um Golden Retriever incrível. Já era velhote e nós decidimos arranjar uma companheira para ele”, recorda. Assim, chegou a Baby à vida de Paulo, Lara e Voice, que viria a morrer aos 17 anos, “um verdadeiro recorde para um Golden”.

“Foi com a Baby que comecei a apaixonar-me pelos cães, pelo treino, por começar a ensinar coisas e comportamentos básicos. Fui lendo bastante, fiz formação com o Roger Abrantes, em Madrid, fiz uma pós-graduação em terapias assistidas e outros seminários com professores espanhóis”, relata à PiT.

Em 2018 obteve o Certificado de obediência básica pelo Clube Português de Canicultura, com nota Excelente ( 188 /200), entre outras formações e seminários que constam do seu currículo.

Os resultados começaram a aparecer e os amigos aperceberam-se. “Aos poucos, os amigos foram-me pedindo ajuda para sociabilizar os seus cães. A evolução foi muito boa e meteórica”.

Hoje, Paulo conta com dois cães, porque à Baby juntou-se o Santi. E qual a raça? “Golden, claro”, responde divertido. “É a minha raça de eleição, mas naturalmente treino todas as raças de cães”.

Treinar os donos

Treina os cães e os donos, porque Paulo Fernandes não tem dúvidas que o sucesso do treino com os pets depende muito do grau de compromisso dos tutores. “Em todas as aulas que eu dou, o tutor tem de estar comigo. O que verifico é que, na maior parte dos casos, o dono não sabe compreender o seu cão. E sem compreendê-lo, não sabe interpretar o que o animal quer. Não vale de nada o trabalho ser feito só connosco, se depois o dono não souber como ‘falar’ com o seu cão”, explica.

Cada caso é um caso, mas o instrutor aconselha que a socialibilização dos animais comece o mais cedo possível. “Ensina-se sempre, mas é mais fácil criar hábitos com um cachorro, que é como uma esponja, absorve tudo o que lhe dissermos, enquanto um cão adulto pode ter mais dificuldades, mais traumas”, sustenta o também profissional de rádio.

Por isso, Paulo Fernandes gosta de dar treinos nas zonas de residência dos cães, quando a principal dificuldade é andar à trela. “De nada vale eu trabalhar o cão num sítio neutro, se depois, na rua onde ele passeia todos os dias, ou no jardim perto de casa, o cão reage a estímulos que não foram testados”, explica. Por isso, é sempre importante treinar, com os tutores perto de casa.

Para casos de treinos coletivos e de sociabilização, aí o instrutor trabalha habitualmente na Quinta da Bicuda, em Cascais.

Low profile

Paulo Fernandes assume o seu trabalho com prazer, mas prefere não se colocar em bicos dos pés. Só assim se entende, aliás, que, apesar de ter esta atividade há mais de sete anos, a sua notoriedade lhe advenha apenas da rádio. O comunicador explica porque adota esta estratégia low profile.

“Esta é uma área em que toda a gente se acha treinadora de cães. E há muitos que têm qualidade reconhecida e formação, mas há também muitos aprendizes de feiticeiro. Toda a gente adora publicitar o seu trabalho, promover-se, mostrar o quão incríveis são. Acontece que eu já estou nesta área da comunicação. Já tenho essa forma de me mostrar, não preciso de me promover. Não preciso de falar das mil provas que já ganhei, do trabalho que faço com crianças e que tanto gozo me dá. Isto é trabalho, mas é também uma coisa que faço com muito prazer”, conclui.

Trabalho – e prazer, aliás — não lhe tem faltado. “Felizmente, não. O boca a boca, o passa palavra são sempre a melhor publicidade”, conclui.

Percorra a galeria e veja a relação de Paulo Fernandes com os animais.

 

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