Há cães que mudam uma casa. E há cães que mudam o ambiente de reuniões diplomáticas internacionais. Peanut, o cão adotado pelo primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis, tornou-se uma das figuras mais acarinhadas — e inesperadas — da política europeia, roubando atenções na Mansão Máximos, a residência oficial do chefe do Governo da Grécia.
Entre encontros diplomáticos, acordos estratégicos e conferências de imprensa, Peanut aparece quase sempre como protagonista improvável: um cão sem raça definida, outrora abandonado, que hoje circula pelos corredores do poder e conquista chefes de Estado, ministros e representantes europeus.
O cão que “escolheu” o primeiro-ministro
Peanut foi oficialmente adotado a 18 de abril de 2021, depois de uma visita de Mitsotakis ao abrigo da União de Proteção Animal de Ilioupoli, em Atenas, nos dias que antecederam o Dia Mundial dos Animais Abandonados.
Segundo o primeiro-ministro grego, a ligação aconteceu de imediato. O pequeno cão aproximou-se dele assim que chegou ao abrigo, criando uma conexão espontânea que acabaria por mudar a vida de ambos.
“E de alguma forma o Peanut entrou nas nossas vidas. Ele escolheu-nos quando visitámos a Philo Animal Union de Ilioupoli há duas semanas por ocasião do Dia Mundial dos Animais de Abandonados”, escreveu o chefe de Estado na sua página de Instagram a 18 de abril de 2021, numa publicação onde partilhou oito fotografias do patudo.
Peanut adaptou-se rapidamente à nova rotina. Funcionários descrevem-no como sociável, afável e extremamente confortável entre assessores, jornalistas e equipas diplomáticas. Com o tempo, tornou-se uma espécie de mascote não oficial da residência governamental.

O “verdadeiro chefe” da Mansão Máximos
Nos últimos anos, Peanut passou de mascote institucional a estrela internacional das redes sociais.
Durante uma recente visita do ministro federal dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, à Grécia, o cão voltou a captar todas as atenções.
A deslocação tinha como objetivo reforçar as relações estratégicas entre a Alemanha e a Grécia, com reuniões oficiais entre Wadephul e o ministro dos Negócios Estrangeiros grego, George Gerapetritis. Mas foi Peanut quem acabou viral nas redes sociais.
O ministro alemão publicou um vídeo onde, entre risos, perguntava se Peanut era “o verdadeiro chefe” da Mansão Máximos. Mitsotakis respondeu apenas: “Sim.”
Num outro momento descontraído, o primeiro-ministro surge a acariciar Peanut enquanto brinca com temas geopolíticos internacionais: “Queres mostrar-nos uma rota através do Estreito de Ormuz? Podes ser útil de alguma forma?”
Macron, Erdoğan e Metsola: todos rendidos a Peanut
A presença de Peanut já se tornou habitual em visitas de Estado à Grécia. Em abril de 2026, durante a deslocação do presidente francês Emmanuel Macron a Atenas, o cão acompanhou os encontros que culminaram na assinatura de nove acordos estratégicos entre França e Grécia nas áreas da defesa, energia, tecnologia, educação, investigação, ambiente e cultura.
As imagens de Macron a baixar-se para fazer festas a Peanut acabaram por circular em vários meios internacionais.
Também o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan viveu um momento inesperado com o cão durante a sua visita oficial a Atenas, em dezembro de 2023. Enquanto Erdoğan e Mitsotakis se cumprimentavam à entrada da Mansão Máximos, Peanut posicionou-se literalmente entre os dois líderes, protagonizando uma fotografia que rapidamente se tornou viral.
Já em novembro de 2025, durante a visita da presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, Peanut voltou a ganhar destaque. Numa publicação partilhada posteriormente no Facebook, Metsola referiu-se ao cão como um dos “conselheiros mais leais”, acrescentando, em tom humorístico, o “orgulho” dele pelo trabalho europeu em prol do bem-estar animal.
Um cão diplomata e interventivo
Peanut não se limita a posar para fotografias. Em setembro de 2021, durante uma conferência de imprensa conjunta entre Mitsotakis e o então primeiro-ministro eslovaco Eduard Heger, o cão interrompeu oficialmente os trabalhos.
Enquanto Mitsotakis falava sobre o apoio grego ao processo de adesão dos Balcãs à União Europeia, ouviram-se latidos intensos vindos das proximidades.
O primeiro-ministro interrompeu o discurso, sorriu e explicou ao homólogo eslovaco que o “responsável” era Peanut, descrevendo-o como “muitas vezes bastante animado”.
Entre gargalhadas, Mitsotakis comentou ainda que era a primeira vez que Peanut “intervinha” numa conferência de imprensa, acrescentando que o cão costuma ser mais educado e prefere receber os convidados à porta.
O símbolo perfeito da adoção responsável
Para especialistas em comportamento animal e proteção animal, o fenómeno Peanut vai muito além da curiosidade mediática.
A história do cão abandonado que hoje convive com líderes mundiais tornou-se um símbolo poderoso da adoção responsável e da valorização dos animais sem raça definida.
Num contexto europeu em que o abandono continua a ser uma preocupação séria, a visibilidade de Peanut ajuda a normalizar a adoção e mostra que qualquer animal — independentemente da origem — pode tornar-se parte fundamental de uma família.
Até porque, no caso de Peanut, essa “família” inclui presidentes, ministros, diplomatas e milhares de seguidores apaixonados nas redes sociais.
Das janeiras aos voos de repatriamento
Peanut também marcou presença em vários momentos simbólicos da vida política grega. Na passagem de ano, apareceu vestido com uma roupa natalícia enquanto recebia grupos tradicionais que cantavam janeiras na Mansão Máximos, ao lado de Mitsotakis e da filha do primeiro-ministro.
Mais recentemente, no início do conflito no Irão, quando milhares de pessoas ficaram retidas em países como o Qatar e os Emirados Árabes Unidos devido ao cancelamento de voos internacionais, a Grécia organizou um dos primeiros voos de repatriamento de animais de companhia.
Num vídeo partilhado por Mitsotakis, o primeiro-ministro dirige-se a Peanut dizendo: “Estamos a trazer os teus amigos para casa, vais portar-te bem?”, enquanto o cão responde com a sua já característica expressão atenta.
Um conselheiro de quatro patas
Ao longo dos últimos anos, Peanut deixou de ser apenas “o cão do primeiro-ministro”. Tornou-se um símbolo de empatia num espaço tradicionalmente marcado pelo protocolo e pela formalidade.
E talvez seja precisamente essa a razão do seu sucesso: num mundo político muitas vezes distante e rígido, Peanut lembra que a ligação entre humanos e animais continua a ser universal — até nos corredores do poder.









