Um grupo de produtores de gado do Norte do País uniu-se para acabar com a proteção ao Lobo-Ibérico, alegando que a conservação desta espécie está a comprometer os seus rebanhos. Do outro lado da discussão, as associações Animal e SOS Animal pronunciaram-se, defendendo a proteção destes animais e manifestando preocupação com o incentivo à sua perseguição ilegal.
Na passada quarta-feira, 11 de fevereiro, Orlando Gonçalves, porta-voz da União dos Produtores de Gado Lesados pelo Lobo (UPGALL), adiantou à agência Lusa que o movimento surgiu na sequência de um ataque ao seu rebanho de ovelhas, que pastava em Santa Maria de Geraz do Lima, Viana do Castelo. O incidente ocorreu em janeiro e terminou com 13 das 16 ovelhas mortas, adianta o Público.
O pastor, que regressou à vida associativa depois de ser presidente da Associação de Agricultores do Alto Minho durante vários anos, explicou existir um alcateia nas freguesias de Nogueira e Santa Luzia, que “está a dizimar os garranos”, acreditando tratar-se de “uma alcateia numerosa, pelos estragos que já fez”.
O Lobo-Ibérico é uma espécie protegida no nosso País, de acordo com a Lei n.º90/88 de 13 de agosto, que proíbe o seu abate ou captura em todo o território nacional, e em qualquer época do ano.
Em Espanha, os Lobos voltaram a poder ser caçados ao norte do rio Douro, na sequência de uma proposta apresentada por quatro partidos de direita em março de 2025 — um facto apontado por Orlando Gonçalves, que classificou como “terrorismo” os ataques dos lobos ao gado, e disse que a espécie é “um tumor maligno que tem de ser extraído dos espaços destinados ao habitat dos criadores”.
Foi criada uma petição pública com o propósito de exigir o fim da proteção do Lobo-Ibérico a 3 de fevereiro que, à data de publicação deste artigo, conta com 560 assinaturas.
Organizações de proteção animal pronunciam-se
Também a 11 de fevereiro, a Animal e a SOS Animal expuseram as suas preocupações face ao posicionamento dos criadores de gado e à criação da petição, que dizem promover “a morte de animais como resposta à presença do lobo-ibérico, incluindo apelos ao enfraquecimento ou eliminação do regime de proteção em vigor”.
O comunicado, enviado à Lusa, refere ainda que, para as associações, “este tipo de discurso ultrapassa largamente o debate legítimo sobre políticas públicas, configurando uma narrativa de desumanização que legitima a violência e incentiva comportamentos de perseguição ilegal”.
Os grupos lamentam “a morte de qualquer animal, seja em contexto de exploração pecuária ou de vida selvagem”, e rejeitam “que a morte deliberada de animais seja apresentada como resposta política, instrumento de gestão de conflitos ou solução legítima para problemas complexos”.
De seguida, carregue na galeria para ver algumas fotografias do Lobo-Ibérico captadas pelo fotógrafo português Carlos Pontes.








