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Rebecca foi abandonada e desenvolveu cancro nas orelhas. Precisa de uma família com urgência

A felina teve duas ninhadas e viu um dos seus filhos ser atropelado. Se voltar a rua, voltará a desenvolver o cancro.

A vida dos animais de rua significa diversos perigos e adversidades, mas para os gatos brancos representa uma preocupação extra: o elevado risco de desenvolverem cancro da pele. Rebecca foi vítima desta condição, e continuará a ser, caso não encontre uma família adotiva ou temporária.

A felina foi encontrada há um ano e meio num terreno agrícola abandonado na Póvoa de Varzim, no Porto, por vários residentes que afirmaram não saber como é que a gata ali apareceu. “Naquela zona não existem colónias, então pela personalidade e idade dela, a suspeita é de que tenha sido abandonada”, explica à PiT Lisa Morais, que acompanhou o processo de Rebecca desde que se deu conta da sua presença no terreno, deixando comida e água.

A cuidadora de 35 anos avança que inicialmente “mais ninguém cuidava” dela, mas esta realidade mudou quando apareceram três gatos bebés. “Quando ela foi mãe as pessoas tinham pena e começaram a alimentá-los. Eu passava pela zona todos os dias, e ela nunca se dava muito, mas deixava os bebés comer. Quando íamos embora é que regressava para ir buscar comida”, adianta. 

Lisa conta ter pedido ajuda a diversos organismos e associações, como o IRA (Intervenção e Resgate Animal) e a Comraça, que afirmaram não poder ajudar devido à falta de meios e de espaço. Um dos bebés acabou por morrer atropelado — uma possibilidade que Lisa temia desde o início, devido ao elevado número de carros que por ali passam todos os dias. 

No início do mês de junho, Rebecca teve a segunda ninhada, composta desta vez por quatro crias, duas delas brancas. Lisa, que tem já três gatos em casa, impossibilitando-a de acolher também Rebecca, avança ter solicitado o apoio da Comraça uma vez mais, que finalmente acedeu ao pedido, principalmente devido ao risco de os bebés desenvolverem cancro. O ponto de viragem para os gatos chegou quando um dia, a mãe que se escondia sempre foi buscar os seus bebés para os deixar aos pés de Lisa para que os alimentasse. Na mesma altura, a associação aceitou receber os dois filhos mais velhos e os quatro pequenos, “mas com a mãe era mais complicado porque ela não dava mão”, explica a cuidadora. “Decidimos apanhá-los todos e esterilizá-la”.

A condição grave da gata permaneceu sem ser notada devido ao hábito de fugir na presença de humanos. Na clínica veterinária, constataram que as orelhas estavam “em muito mau estado”, e tiveram de ser amputadas após o procedimento de esterilização. Para já, Rebecca continua internada enquanto espera um acolhimento ou adoção. “Se continuar exposta ao sol pode acontecer o mesmo com o nariz. Um gato branco não é um crime. Ela vai acabar por morrer uma morte lenta“, lamenta Lisa.

Além da Comraça, também a página Luso Animais está a ajudar com o processo, divulgando o caso online, na tentativa de arranjar um lar para a felina. Rebecca tem cerca de três anos, é FIV e FELV negativa, e habituou-se ao toque das pessoas, mostrando o seu lado mais meigo e confiante de dia para dia. A adoção pode ser feita através de mensagem privada para o perfil.

Carregue na galeria para conhecer Rebecca, que precisa de uma família.

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