Um dos maiores casos recentes de maus-tratos animais em Espanha veio à tona em Gijón, onde uma operação coordenada permitiu resgatar 339 cães de um criadouro que os mantinha em condições extremamente degradantes, noticia a revista espanhola Experto Animal. A intervenção, desencadeada após uma denúncia cidadã, mobilizou várias entidades e voltou a acender o debate sobre o controlo de criadouros ilegais.
Um alerta cidadão que salvou centenas de vidas
Tudo começou com um alerta anónimo que denunciava irregularidades num criadouro localizado na zona de Serín. A partir daí, o Serviço de Proteção da Natureza (Seprona) da Guarda Civil avançou com uma investigação que culminaria numa intervenção de grande escala.
Este tipo de denúncias continua a ser crucial para revelar situações de negligência que, muitas vezes, permanecem invisíveis em ambientes isolados.
Um cenário de horror: sujidade, doença e sofrimento
Quando as autoridades chegaram ao local, encontraram uma realidade alarmante: os animais — na sua maioria cachorros — viviam entre fezes, lixo e sem condições mínimas de higiene ou saúde.
Muitos apresentavam problemas clínicos graves. Segundo Alejandra Mier, presidente da Fundação Protectora de Animales del Principado de Asturias, vários cães tinham “tumores, hérnias tanto inguinais como umbilicais, problemas de pele e muitíssimos parasitas”. Mier acrescentou ainda que alguns sofriam de problemas oculares severos: “Os veterinários já nos adiantaram que alguns vão perder os olhos.”
Operação sem precedentes mobiliza várias entidades
O resgate envolveu a Guarda Civil, o Ayuntamiento de Gijón e o Principado das Astúrias, numa operação que exigiu logística e coordenação intensivas.
Os animais foram rapidamente retirados e encaminhados para o Centro de Protección Animal de Gijón, sendo posteriormente distribuídos por várias instalações em Astúrias e Madrid para garantir cuidados adequados.
O vereador do Ambiente, Rodrigo Pintueles, destacou a rapidez da resposta: “Em tempo recorde conseguiu-se realojar todos estes animais e eles já estão a receber os cuidados higiénicos e veterinários de que necessitam.”
Um dos maiores casos de maus-tratos em Espanha
A dimensão do caso pode colocá-lo entre os mais graves já registados no país. O próprio vereador admitiu: “Tememos que […] este seja o maior ou um dos maiores casos deste tipo já registados em Espanha até à data.”
O criadouro estava especializado em raças pequenas — como bichón maltês, chihuahua, teckel ou pomerânia — frequentemente associadas à elevada procura comercial.
E agora? O futuro dos cães ainda é incerto
Apesar do enorme esforço de resgate, os cães ainda não podem ser adotados. As autoridades estão a estudar a possibilidade de os declarar legalmente em situação de abandono, o que permitiria transferir a sua titularidade para o município e iniciar processos de adoção.
Até lá, o apelo é à paciência. As equipas no terreno estão focadas na recuperação física e emocional dos animais, enquanto decorre a investigação judicial para apurar responsabilidades.
Um problema estrutural que persiste
O caso de Gijón volta a evidenciar uma realidade incómoda: apesar da legislação de bem-estar animal, continuam a existir criadouros ilegais a operar fora do controlo das autoridades.
Mais do que um resgate massivo, este episódio serve de alerta para a importância da vigilância, da denúncia e da responsabilidade coletiva na proteção animal.
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