Animais

O que sabe sobre os olhos do seu cão? Ele não vê o mundo só a preto e branco

Ao contrário do que muitos pensam, os patudos conseguem identificar várias cores. E à noite veem muito melhor do que nós.
Olhos que falam.

Há quem pense que os cães só conseguem ver o mundo a preto e branco. Nada mais errado. Mas há mais mitos em torno da visão dos nossos amigos de quatro patas. Tem a certeza que sabe tudo sobre os olhos do seu patudo? E que aquilo que sabe está correto?

Começando pelas cores, os cães não distinguem tantas como nós, mas não veem tudo a preto e branco. Os patudos possuem dois tipos de recetores de cores (cones) nos seus olhos, ao passo que o ser humano possui três – e é isso que faz com que eles não identifiquem os tons da mesma forma que nós.

“Os cones dos olhos dos cães são especializados nos comprimentos de onda correspondentes ao azul e ao amarelo, razão pela qual uma cor se torna mais difícil de distinguir por eles quanto mais destas se afastam. Por outras palavras, as cores que se encontram dentro dos limites destes comprimentos de onda, como o cor-de-laranja e o verde, são percecionados como amarelo, enquanto as que se afastam mais, como o vermelho ou o violeta, assumem tons monocromáticos aos seus olhos”, explica a “National Geographic”.

.A segunda diferença importante entre a nossa visão e a canina é a acuidade visual, ou seja, a capacidade de distinguir diferenças pequenas com exatidão, refere a revista. “Regra geral, os cães têm problemas em distinguir imagens a média e longa distância. (…) Enquanto uma pessoa sem problemas de visão consegue distinguir um objeto nitidamente a cerca de 23 metros, um cão precisa de estar a cerca de seis metros para o ver com a mesma nitidez – daí a importância do olfato na sua vida”.

E sabia que o formato do crânio também influencia? Os cães de focinho comprido têm melhor visão periférica do que os de focinho curto, devido ao “formato diferente da sua fóvea, a zona da retina onde os raios de luz se focam, que é alongada nos canídeos, proporcionando-lhes um maior campo de visão”.

Já os cães de focinho achatado – raças braquicefálicas – viram, através de um processo de seleção, encurtada a amplitude da sua fóvea proporcionalmente à diminuição do focinho. “Por outro, a criação de cães de caça, com melhor visão, fez com que as raças de focinho comprido, mais próximas dos seus parentes selvagens no que diz respeito à forma do crânio, mantenham a sua capacidade visual intacta”, aponta a “National Geographic”.

E quanto à visão noturna? O chamado melhor amigo do Homem vê bem à noite? Sim, é um facto. “Enquanto outros mamíferos, como os seres humanos e outros primatas, têm uma visão maioritariamente diurna e a sua pupila demora mais tempo a adaptar-se a condições de baixa luminosidade, os cães e outros caçadores veem igualmente bem durante o dia e durante a noite”.

Além disso, os cães possuem duas adaptações que melhoram ainda mais a sua visão noturna, refere ainda a revista. “Por um lado, a sua pupila é muito grande em proporção à superfície total do olho, permitindo a entrada de muito mais luz e, por outro, possuem uma estrutura chamada tapetum lucidum, que reflete a luz depois de esta passar pela retina, fazendo-a passar uma segunda vez, fazendo com que a retina a receba em duplicado”.

Os olhos dizem-nos muito

Ainda sobre os olhos, devemos prestar muita atenção aos sinais que o nosso amigo de quatro patas pode estar a dar-nos, pois existem sintomas oculares que nos podem passar despercebidos mas a que devemos estar atentos.

Dentro dos sintomas oculares mais frequentes, “deve ser destacado o corrimento ocular anormal uni ou bilateral – que tanto pode ser em forma de lágrima (transparente) como ter outra coloração, que geralmente vai desde o tom branco até ao esverdeado”, explica à PiT Ana Monteiro, médica do Hospital Alma Veterinária.

E há mais sinais que não deve descurar. Um deles é o do olho fechado, semicerrado ou constantemente a piscar, chamado de blefarospasmo, aponta a profissional, sublinhando que “é um sinal de desconforto evidente”. Entre outros sintomas de problemas oculares, deve estar igualmente atento a “qualquer alteração na coloração do olho – mais vermelho ou esbranquiçado, por exemplo”.

E sabia que há cães que têm de usar óculos? Apolo é um desses casos. “Existem alguns motivos que fazem com que um oftalmologista veterinário prescreva o uso de óculos. No caso da patologia de córnea, nomeadamente o Pannus (queratite superficial crónica), o uso de óculos previne e retarda a progressão da doença, diminuindo a exposição aos raios UVA”, aponta Ana Monteiro.

Percorra a galeria para saber mais sobre os vários tipos de óculos e os problemas que podem levar a que seja aconselhável que o seu amigo de quatro patas os use.

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