Animais

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Sakura. A cadela bibliotecária que desperta nas crianças o amor pela leitura

A Bibliomóvel de Carlos Costa e Sakura transporta histórias pelas escolas de Oliveira de Azeméis.

Estamos em São Roque, uma das freguesias de Oliveira de Azeméis, na Escola Básica de Bustelo. Cinco crianças aproximam-se da Bibliomóvel de Carlos Costa. “Entra. Sem medo. Podes entrar”, repete Carlos para as cinco crianças quando estas se apercebem da presença de Sakura dentro da biblioteca itinerante. O receio dá lugar ao entusiasmo e à alegria de reverem a patuda. Sakura é agora mimada pelas crianças.

Vestida com um pequeno avental, Sakura é a cadela bibliotecária que ajuda Carlos Costa a despertar nas crianças o amor pelos livros e pela leitura. “O trabalho da Sakura é ouvir as histórias que as crianças contam para ela. Sempre que as crianças estão a ler uma história bem lida, a Sakura deita-se e adormece. É a forma de as crianças saberem que estão a ler bem”, explica Carlos Costa, animador sociocultural na Biblioteca Municipal de Oliveira de Azeméis, no programa Nave Voadora do canal Conta Lá

“Os de cima vivem da mesma forma que os de baixo. E os de baixo da mesma forma que os de cima, mas ao contrário”, lê um dos meninos da Escola Básica de Bustelo. Sakura já dorme. “Já temos aqui um sinal de que ela está a começar a gostar”, diz Carlos Costa.

“Há crianças que não gostam de ler, há crianças que lêem mas têm muita dificuldade e não acompanham o ritmo dos outros, a fluência, a precisão leitora são diferentes, e quando vão ler para o cão elas praticamente perdem esse stress. Elas lêem para a cadela e sentem-se mais confiantes.

Chega a hora de Carlos Costa e Sakura rumarem a outra escola de Oliveira de Azeméis. “Daqui a uma semana volto cá. Se algum de vocês tiver alguma coisa em casa, algum livro, algum papel, que tenha alguma coisa que queiram ler à Sakura, podem trazer, está bem?”

Enquanto a Bibliomóvel não regressa à Escola Básica de Bustelo, as crianças podem ler para os seus animais. “Eu digo-lhes que podem ler em casa para a tartaruga, para os cães, para os gatos, para os grilos, seja que animal for que tenham em casa”.

A biblioteca móvel é, para Carlos Costa, um projeto em permanente reformulação. A ideia é simples e ambiciosa ao mesmo tempo: crescer, experimentar e cuidar. Quer trazer outros animais, até para dar algum descanso aos cães que já participaram em sete edições do projeto. E sonha mais longe: gostaria que as escolas também tivessem animais. Algumas já têm gatos, lembra, e isso mostra que o caminho pode ser possível.

A lógica é clara: aproveitar os animais que já fazem parte das nossas vidas. Muitos passam o dia inteiro sem estímulos, sem tarefas, sem propósito. “Nós temos que pôr toda a gente a trabalhar, todos os animais, não é?”

Carlos Costa não esconde o que o move. Gosta de crianças, gosta de livros — e gosta muito de animais. Para ele, tudo se cruza de forma natural. “O animal é uma excelente ponte, é uma chave para a leitura, uma chave muito importante.” Mais do que isso, os animais são mediadores de relação, de afeto e de presença.

“Acrescentam amor, sem exigir e sem julgamento.” Entre livros, crianças e patudos, esta biblioteca móvel não transporta apenas histórias: transporta ligações, afeto e a certeza de que ler pode começar com um focinho, um olhar curioso e um monte de pelos no colo.

Carregue na galeria para conhecer Scooby, o cão que trabalha numa escola primária.

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