Animais

Sascha dedica a vida aos grandes felinos. E já esteve frente a frente com uma leoa

O fotógrafo quer mostrar a beleza dos animais e ajudar na conservação. Em África, viveu um momento inesquecível com um deles.
Um tigre siberiano que fotografou na Rússia.

Foi há exatamente uma década que Sascha Fonseca pegou numa câmara pela primeira vez. E há dez dias, com um número recorde de mais de 6 mil votos, ganhou o prémio de fotografia de vida selvagem do ano com a imagem rara de um leopardo-das-neves. “Tirei esta imagem na primavera de 2020 durante um projeto de armadilha fotográfica em Ladaque, uma região alpina no norte da Índia”, começa por contar à PiT.

Sascha esteve na região localizada na fronteira entre o Paquistão e a China durante três anos a trabalhar num projeto com armadilhas fotográficas sem isco para capturar imagens dos leopardos-das-neves. A espécie é conhecida como “fantasma das montanhas” por ser extremamente difícil de ser fotografada na natureza.

Além de se camuflarem nas montanhas, os leopardos estão atualmente classificados como “vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês). Estima-se que haja cerca de 6.400 espécimes restantes, sendo que cerca de 300 residem na região de Ladaque e o estado exibe-os orgulhosamente como seu animal oficial.

Embora sejam raros, não é primeira vez que Sascha “apanha” um deles na natureza. Assim como não é o único grande felino que já cruzou o caminho do fotógrafo. Com dez anos de experiência, o alemão passou grande parte deles a focar-se nos majestosos “gatos gigantes”.

Os tigres e leões também já foram protagonistas dos seus projetos. Contudo, confessa à PiT que os leopardos são os seus favoritos. Mas não deixa de frisar que é uma escolha “muito difícil” de se fazer. “Gosto de descobrir as personalidades dos indivíduos que fotografo, os seus rostos únicos e os olhos expressivos”, explica. “Acho que este é o principal motivo pelo qual sinto-me especialmente atraído pelos grandes felinos”. 

A tigresa Lightning.

Foi no Zimbabwe que teve o encontro “mais assustador” da sua vida

Sascha carrega a paixão pelos animais desde que se conhece por gente. “Sempre fui fascinado por eles e pela natureza”, diz à PiT. Quando era miúdo, conta-nos que passava a maior parte do tempo ao ar livre, “nos campos e nas florestas” ao redor da residência onde cresceu, numa pequena vila ao norte da Alemanha. Porém, foi a cerca de 12 mil quilómetros de casa, no Zimbabwe, que descobriu o amor pela fotografia. 

Durante uma viagem em 2013, Sascha pegou numa câmara pela primeira vez e desde então, não a largou. “Tudo começou a partir daí”, conta. Além de marcar o início de uma nova vida, foi também no país africano, num parque nacional, que o fotógrafo teve um dos encontros “mais assustadores” da sua vida.

O alemão estava a caminhar a pé juntamente com um guarda florestal quando avistou três leoas que se deitaram “à vista de todos”. “Estávamos a tentar aproximar-nos delas sem saber que havia uma quarta leoa a poucos metros, escondida nos arbustos por onde passámos”, conta. “Nunca esquecerei o seu rugido de aviso. Até mesmo o guarda florestal, que carregava um rifle, perdeu o controle da situação e parecia assustado”, recorda. Após o susto, a dupla “lentamente” caminhou para “a segurança do carro”.

“As pessoas só conservam o que amam”

O projeto atual de Sascha Fonseca levou-o às florestas do extremo oriente russo, na fronteira com a Coreia do Norte e a China. O objetivo é acompanhar o maior felino do mundo: o ameaçado tigre siberiano, também conhecido como tigre de Amur. Atualmente, só restam 400 indivíduos vivos em todo o mundo.

O fotógrafo confessa à PiT que este é também o trabalho “mais desafiador” que já teve. Apesar de já ter fotografado os animais em outros ambientes, partilha que configurar as armadilhas de câmara DSLR (responsável por captar qualquer tipo movimento e fotografar de forma automática) nas florestas “desertas” não é fácil. Mas não desistiu.

Até o momento no continente russo, já fotografou alguns tigres e em janeiro, até se deparou com um “velho amigo”: o tigre Leo, que recebeu este nome por causa de um padrão em forma de “L” que tem na cara. Sasha fotografou-o no ano passado e diz que em comparação as fotografias anteriores, o felino está “muito magro”.

“Dezembro e janeiro são meses muito frios e é difícil encontrar comida na floresta congelada”, explica. “Este inverno é particularmente difícil porque um surto de peste suína africana dizimou a população local de javalis, incluindo a sua matriarca. Como resultado, vários filhotes de tigre foram mortos e tigres famintos estão a visitar as aldeias onde atacam os cães, o que os torna impopulares entre as pessoas”.

Apesar de serem mal vistos em várias regiões do mundo, desde que começou a trabalhar com os grandes felinos, o objetivo de Sascha é único:  “A minha missão é capturar espécies de grandes felinos em extinção no seu habitat natural e partilhar a sua beleza com o mundo”, frisa. “Porque as pessoas só conservam o que amam”. 

Em todos os projetos de armadilhas fotográficas, a rotina do fotógrafo é a mesma. “Tudo começa com várias pesquisas”, explica. “Leio diversos livros e artigos, mapas e entro em contacto com especialistas. Sempre estudo os animais em cativeiro de perto em lugares como centros de reprodução, conservas ou parques de vida selvagem para conhecê-los e ver o seu comportamento”, acrescenta.

Na última década, foi isso que fez para fotografar os grandes felinos e todos os outros animais que encontra pelo caminho. Mas confessa que ainda há “vários outros” que ainda não teve a oportunidade de eternizar numa fotografia. “No meu top 3 está o leopardo-árabe, o tigre-de-sumatra e o jaguar”, partilha. Em breve, espera que um deles seja o protagonista do seu próximo projeto. Até lá, vai aproveitar o tempo que lhe resta no extremo oriente russo com os majestoso tigres siberianos.

Carregue na galeria para ver os grandes felinos (e não só) pelos olhos de Sascha.

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