Dos 20 cães deixados por semanas dentro de uma carrinha na Praia Azul, Santa Cruz, em Torres Vedras, três continuam por resgatar. De acordo com a mais recente atualização sobre o caso, feita pelo IRA na tarde desta terça-feira, 12 de maio, continuarão a ser feitas intervenções até que o caso fique resolvido.
A equipa partilhou que o salvamento destes animais foi possível sem ordem judicial, tendo sido concretizado na noite passada, “após várias horas de negociação entre o IRA, a APA Torres Vedras e a detentora dos animais”. Os animais estavam “enclausurados em transportadoras, sem água e em cima de fezes e urina”, sendo de todos os que mais precisavam de intervenção e cuidados.
O IRA afirma ainda que no interior da carrinha permanecem dois cães adultos e um cachorro, e adianta que a última intervenção aconteceu às 9 horas desta terça-feira, levada a cabo pela equipa, pelo veterinário municipal, pelo delegado de saúde, e pelo SEPNA. O profissional médico “entendeu que não existia matéria suficiente para decretar a apreensão dos restantes”, pelo que estes permanecem ao cuidado da detentora.
Tendo em conta a situação destes três animais, o IRA conclui que a situação “não está claramente finalizada”, entendendo a resistência da dona em entregá-los como “um obstáculo difícil de ultrapassar”.
O grupo refere-se ao caso como “complexo”, nomeando “fragilidades emocionais, acumulação compulsiva e uma ligação desajustada aos animais”, e promete que “continuará no terreno até que esta situação fique devidamente resolvida”.
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Os moradores alertaram as autoridades
Como a PiT já lhe contou, o caso começou por ser noticiado pela CMTV este domingo, 10 de maio. A estação descreveu o cheiro que emanava da carrinha, cuja intensidade, afirmaram residentes da zona, levou a GNR a suspeitar da presença de um cadáver.
O veículo foi aberto pela polícia, que se deparou com as duas dezenas de animais, muitos em caixas transportadoras. No local estiveram também funcionários do canil municipal, que levaram cinco cães pouco antes de a proprietária regressar, alegando ser necessário um mandato judicial para a ação que as autoridades levavam a cabo.
Segundo moradores, a mulher é de nacionalidade espanhola, e vive há várias semanas perto da Praia Azul. Uma das denunciantes do caso avançou à estação que esta “não fala com ninguém”. “Eu própria tentei falar, tentei oferecer-lhe ajuda”, afirmou.
Esta segunda-feira, 11 de maio, a GNR regressou ao local acompanhada pelo IRA, e três outros cães, todos bebés, foram resgatados. Entrevistado pelo jornal, Joel Lemos, um dos responsáveis pela divulgação do caso, adiantou que a ação foi possível graças à atenção que a situação recebeu, afirmando ter sensibilizado “o país inteiro”.
O responsável afirmou que a operação durou pelo menos nove horas, e foi concretizada “com muita dificuldade”, baseando-se no diálogo entre a dona e os membros do IRA e da GNR, bem como com a presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Carregue na galeria para recordar o caso do resgate dos animais do Canil de Foz Côa.








