Num momento em que a causa animal no Brasil recebe particular atenção devido à morte do cão Orelha, um novo caso está a chocar o país. Desta vez, a vítima é uma Capivara, agredida por seis adultos e dois adolescentes, localizados e presos no mesmo dia.
A agressão ocorreu na madrugada do passado sábado, 21 de março, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro, adianta a CNN Brasil. O grupo rodeou a capivara e, munindo-se de barras de ferro e pedaços de madeira, agrediu-a violentamente.
O crime foi filmado por câmaras de segurança, o que permitiu às autoridades identificar e localizar os agressores, que foram detidos no mesmo dia. O animal foi resgatado em estado grave pela Proteção e Defesa dos Animais e Meio Ambiente, e levado para o centro universitário, onde ainda está em recuperação.
Esta segunda-feira, 23 de março, a Justiça brasileira decretou prisão preventiva para os seis homens, que responderão legalmente por maus-tratos a animais, associação criminosa e corrupção de menores. Já os dois adolescentes envolvidos serão responsabilizados por atos infracionais relacionados com as mesmas acusações.
A capivara pode ficar cega de um olho
As capivaras são uma espécie de roedor que pode chegar aos 66 quilos, nativas da América do Sul e conhecidas pelo seu temperamento amigável. A vítima deste caso é um macho de 64 quilos, que o veterinário responsável disse ao G1 ter chegado ao centro de recuperação de animais da Universidade Estácio de Sá com ferimentos e um edema cerebral (ou seja, uma acumulação de líquido que resulta em inchaço e aumento da pressão dentro do crânio).
O profissional avançou que o animal está a recuperar, tendo comido e conseguido descansar, mas admitiu a suspeita de que tenha perdido a visão num dos olhos. “O olho foi a única coisa que não evoluiu bem. Ela chegou com o sangue dentro do olho, com um edema muito grande no olho, então pode ser assim que ela já esteja cega. Talvez isso possa vir a ser reversível”, afirmou.
Jefferson Pires, coordenador da clínica, que recebe mais de 6 mil animais selvagens por ano, fez notar a violência do caso, dizendo tratar-se da situação mais crítica com que já se deparou em mais de 20 anos de profissão. “Nunca observei um quadro de tamanha atrocidade, brutalidade e agressividade“, declarou.
O veterinário recorreu às redes sociais para deixar atualizações sobre o estado do roedor. No mais recente, desta segunda-feira, 23 de março, garante que a capivara “está bem melhor”, apesar de ainda não estar fora de risco. “Está bastante ativa, come e bebe água voluntariamente, mas ainda corre risco de morte ou de ficar cega do olho esquerdo, o que impactaria em sua soltura”, explica.
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