A gorila Fatou continua a fazer história: a veterana celebrou esta segunda-feira, 13 de abril, o seu 69º aniversário. “Fatou, que chegou ao Zoo de Berlim em 1959, não é apenas a residente mais idosa do zoo, como também continua a ser a gorila mais velha em cuidados humanos em todo o mundo. Com a sua idade notável, é uma embaixadora especial da conservação e representa a sua espécie, criticamente ameaçada, na natureza”, escreve o jardim zoológico de Berlim na sua página de Instagram.
“Os seus cuidados são continuamente adaptados às suas necessidades individuais — incluindo muitas oportunidades de recolhimento, bem como enriquecimento específico para apoiar o seu bem-estar físico e mental. Desejamos-lhe tudo de bom neste dia especial.”
Segundo o jornal Público, Fatou chegou ao Zoo de Berlim em 1959 e, desde então, construiu ali uma verdadeira família — foi mãe, avó e tornou-se uma das residentes mais icónicas. Hoje, com a visão mais fraca e a lidar com artrite, continua a surpreender: chegar a esta idade é, como dizem os cuidadores, “simplesmente incrível”.
Diz a lenda que Fatou, uma gorila das planícies ocidentais, chegou à Europa de forma improvável: trazida de África até ao porto de Marselha, em França, no final dos anos 50, por um marinheiro que a terá trocado para pagar a conta num bar. Verdade ou mito, acabou nas mãos de um comerciante de animais francês — e, mais tarde, no Zoo de Berlim. “Ela é um dos poucos e muito velhos animais que ainda vieram da natureza”, refere Philine Hachmeister, porta-voz do zoo, lembrando que hoje o caminho é o inverso: proteger e devolver espécies ao seu habitat natural.
Apesar de não haver confirmação oficial da história do bar, sabe-se que Fatou chegou à então Berlim Ocidental com cerca de dois anos, em 1959. Décadas depois, já era uma sénior respeitada entre os gorilas — tanto que os tratadores escolheram uma data simbólica para celebrar o seu aniversário: 13 de abril. O reconhecimento oficial chegou em 2019, quando o Guinness a distinguiu como o gorila mais velho do mundo — título que continua a ostentar.
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Hoje, Fatou move-se com mais calma, mas não perde o gosto por estar ao ar livre. Segundo o zoo, continua a “cativar os visitantes com o seu jeito digno”. A idade trouxe alguns desafios: visão mais fraca, artrite e ausência de dentes. Resultado? Uma dieta adaptada, com legumes cozinhados para facilitar a mastigação. E há pequenos “luxos” que ficaram para trás — como mirtilos, framboesas e morangos, demasiado ricos em açúcar para a sua condição.
A sua saúde é acompanhada de perto por uma equipa dedicada de veterinários e cuidadores, que têm conseguido algo raro: prolongar a vida de Fatou muito além do que seria esperado na natureza. “A vida na natureza é difícil”, explica Tara Stoinski, do Dian Fossey Gorilla Fund. Segundo a especialista, gorilas monitorizados em estado selvagem vivem, em média, até aos 40 anos.
Ao longo da vida de Fatou, muita coisa mudou — incluindo a forma como os zoológicos encaram a conservação. Hoje, instituições como o Zoo de Berlim garantem que não retiram animais da natureza. Ainda assim, Fatou tornou-se algo maior: uma verdadeira embaixadora da sua espécie.
“A Fatou olha para nós e olha diretamente para a nossa alma”, diz Hachmeister. Para muitos visitantes, esse contacto próximo é mais do que um momento especial — é um lembrete poderoso da importância de proteger estes animais. “Ela tem uma dignidade única. É como olhar para a nossa avó. E é nisso que penso sempre que passo por ela.”
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