Animais

Smoky: de herói na II Guerra Mundial a primeiro cão-terapeuta da história

A história da pequena Yorkshire Terrier chegou a ser contada num livro escrito pelo repórter de guerra britânico Damien Lewis.
Depois da guerra, continuou a auxiliar veteranos.

Nos arquivos históricos caninos, Smoky figura entre os espécimes mais notáveis. Entre os seus atos valorosos, destaca-se o valioso contributo que teve a favor dos Aliados durante a II Guerra Mundial, em especial junto dos soldados feridos.

Na verdade, a pequena Yorkshire Terrier foi considerada o primeiro terapeuta emocional de quatro patas da história. Tanto que, em 2005, foi esculpido um memorial em sua homenagem, com as suas medalhas de guerra, em Cleveland, Estados Unidos da América, e um igual na Austrália.

Smoky foi encontrada por um soldado americano, Ed Downey, na selva africana, em março de 1944, durante a Campanha da Nova Guiné — uma das maiores campanhas militares da II Guerra Mundial —, onde os exércitos norte-americano, britânico, australiano e neerlandês combatiam as tropas japonesas.

No entanto, a patuda não haveria de ficar nas mãos de Downey por muito tempo. O seu companheiro de armas de Cleveland, William Anthony Wynne (mais conhecido por “Bill“), que já tinha experiência de treino canino, ficou então com a guarda do animal.

Uma vida de serviço

Descrita como “invulgarmente aventureira, resistente e esperta” pelo seu último dono — cujos testemunhos são, também, citados no livroSmoky the Brave: How a Feisty Yorkshire Terrier Mascot Became a Comrade-in-Arms during World War II”, editado em 2018 pelo repórter de guerra britânico Damien Lewis —, Smoky haveria de atravessar 18 meses de conflito armado. Era transportada, na maior parte do tempo, dentro da mochila de Bill e dormia, até, na sua tenda. 

Apesar dos seus (quase) dois quilos de massa corporal, a pequena cadela foi decisiva em determinadas operações, precisamente, graças ao seu porte reduzido. É exemplo dessa bravura canina o papel que Smoky teve numa missão nas Filipinas, em janeiro de 1945. A unidade à qual pertencia tentava à data construir uma base aérea, debaixo de fogo inimigo intenso, e a dada altura precisava de atravessar um cabo por um tubo com mais de 20 metros de comprimento e apenas 20 centímetros de diâmetro — espaço suficiente para a cadela se esgueirar tubo fora e levar o cabo à outra ponta num ápice.

Smoky em missão.

Na frente e na retaguarda

Ao longo do tempo, a agente de quatro patas aprendeu mais de 200 sinais comandos e gestos que se traduziam em tarefas com utilidade prática face ao cenário que a envolvia. Feitas as contas, sobreviveu a mais de 150 ataques aéreos nipónicos. Mas, mais do que ter sobrevivido, Smoky ajudou outros a sobreviver.

A carismática Yorkshire, além de ajudar as tropas nas mais diversas situações, tornou-se um apoio psicológico para muitos soldados feridos em combate. Brincava com eles na enfermaria e acabava por levantar a moral entre os mais fragilizados. Foi, até, eleita a grande mascote — “Champion Mascot in the Southwest Pacific Area” — das unidades no terreno, pela publicação semanal do exército, ‘Yank‘.

No fim da guerra, os soldados tiveram ordem de abandono dos animais que tinham acolhido. Mas os laços criados entre Smoky e Bill eram demasiado fortes para o militar deixar para trás a sua fiel companheira. Wynne acabou, então, por levá-la para os Estados Unidos da América clandestinamente. E, uma vez instalada na sua nova casa americana, a cadela continuou a levar a cabo a sua missão de ajudar as vítimas da guerra — desta vez num hospital de veteranos, onde prestou serviço até 1954. Tornou-se, assim, a primeira terapeuta emocional canina de que há memória.

Em meados de fevereiro de 1957, Smoky morreu, aos 14 anos de idade. O seu dono, William “Bill” Wynne, viveu até aos 99 anos, tendo falecido a 19 de abril de 2021, em Ohio, EUA.

Carregue na galeria e veja as incríveis imagens de Smoky e o seu dono Bill Wynne durante a II Guerra Mundial.

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