Animais

Tobi sobreviveu 30 dias nos escombros. Amantes de animais criticam dono

O cão já tinha tido dois acidentes graves este ano e agora sobreviveu às cheias sem que tutor fosse procurá-lo mais cedo.
Finalmente a salvo.

Há uma notícia que está a dividir os brasileiros e mais meio mundo. Um cão foi resgatado com vida, após 30 dias debaixo dos escombros da sua casa, destruída pelas cheias no estado do Rio Grande do Sul. Mas, por entre a comoção e alegria por o patudo de 15 anos ter conseguido sobreviver, há também muitos dedos apontados ao tutor, que só passado um mês é que foi a casa – e para recuperar alguma roupa. Tobi já tinha tido muitos “azares” este ano: foi atacado por dois outros cães em janeiro, ficando bastante mal, e atropelado depois por um carro em fevereiro. Em maio lutou pela vida, ficando o mês inteiro dentro de água e sem comer – e conseguiu salvar-se. Mas há milhares de pessoas a defender que não volte para o dono.

As fortes chuvas que assolaram o Rio Grande do Sul entre 29 de abril e meados de maio provocaram muita destruição e morte naquele estado brasileiro. As imagens e notícias que correram mundo deram conta da desolação de um povo ferido, mas que não se deu por rendido. A solidariedade foi muita – para com pessoas e animais. E entre muitas histórias de superação no reino animal, como a do cavalo Valente Caramelo, chega agora outra que está a aconchegar o coração de muitos: a de Tobi, o cão que enfrentou a morte e conseguiu fintá-la. Todos elogiam o espírito resiliente e a garra deste patudo. Já quanto ao dono, as acusações são muitas.

Dono de Tobi ficou incrédulo por ver o cão vivo

Jairo Adair Pereira, um ferreiro de 51 anos, nem conseguia acreditar quando regressou a sua casa um mês depois das cheias e encontrou o seu patudo vivo. O cão sobreviveu durante 30 dias sem comida, e sempre dentro de água. “Ainda não sei como é que ele sobreviveu. A água encobriu a nossa casa, que se desmanchou toda. Quando voltei, encontrei o cachorro preso sob os escombros, debaixo de umas telhas”, revelou o tutor ao portal “ABC Mais”.

O dono regressou a casa, em São Leopoldo [onde também uma égua sobreviveu durante 10 dias no terceiro andar de um prédio, para onde tinha fugido da enchente], na região metropolitana de Porto Alegre, no dia 1 de junho. A ideia era apenas recuperar algumas peças de roupa do filho, mas, quando lá chegou, ouviu o seu cão ganir. “Não acreditei. Na verdade, ainda não acredito”, disse, citado pela mesma plataforma. Segundo ele, Tobi perdeu muito pelo devido ao tempo que permaneceu dentro de água.

Muitas pessoas fugiram, deixando os seus animais para trás – centenas foram salvos, mas muitos outos morreram, alguns deles presos a correntes, o que deixou os amantes dos animais indignados. No caso, de Tobi, o patudo já tinha sido atacado por dois cães em meados de janeiro deste ano, tendo ficado com a pele retalhada mas conseguindo recuperar, e um mês depois tinha sido vítima de atropelamento – e, uma vez mais, conseguiu resistir. Agora, ao manter-se vivo dento de água durante tanto tempo, o seu dono ficou incrédulo. “Desta vez, pensei que não fosse mais encontrá-lo, mas ele estava lá. Esse não morre nunca mais”, afirmou.

Chuva de críticas. “Este tutor não protege o seu animal”

Quem não gostou da afirmação “quase leviana” e não perdoa Jairo Pereira são muitos amantes e protetores da vida animal, que o criticam por não ter pelo menos ido procurar o cão mais cedo depois das cheias. Numa partilha da história de Tobi no Facebook, dezenas de comentários vão precisamente nesse sentido.

“O cachorrinho já foi atacado, já foi atropelado e salvou-se de morrer afogado… E foi encontrado preso debaixo dos escombros. Haverá muito mais para dizer? Este tutor não protege o seu animal… Mas este cachorrinho sobreviveu porque merece ter uma boa família, que o proteja, que cuide dele. Alguém lhe dê um verdadeiro lar, sem perigos, sem correntes”, reagiu uma seguidora da “Agência de Notícias de Direitos Animais”.

E há muitos mais. “Eu jamais ficaria em paz de sair e deixar algum bicho meu. Jamais. Ou eles vêm comigo ou morro junto. E até onde sei, já faz um tempinho que é proibido bicho amarrado. Por outro lado entendo, embora não tenha vivenciado o horror: é difícil raciocinar na hora. Mas a primeira coisa que salvaria seriam os meus cães, sem negociação”, comenta um outro seguidor.

“Um tutor que tem um animal e não se preocupa em saber se o animal está bem ou não por 30 dias, me desculpe! Nem devia ter de volta”, diz outro amante dos animais. “Que falta de amor pelo cão. Em nenhum momento pensou em voltar antes pra saber se ele tinha sobrevivido?”, pode ler-se num outro comentário.

Uma coisa é certa: estas e outras histórias de sobrevivência têm aconchegado o povo gaúcho, todo o Brasil e o resto do mundo. Percorra a galeria e veja algumas fotos da égua Sarita, do bezerro Fred, do cavalo Valente Caramelo e muitos outros animais que tiveram a sorte de sair com vida destas cheias.

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