Animais

Tony e Sansón são símbolos de esperança para os animais atingidos pelo Furacão Fiona

Os cães estão entre os animais resgatados nos últimos dias. Diariamente, os voluntários têm partilhado histórias emocionantes.
Tony partiu uma das pernas.

Tony foi atropelado por um carro dias antes do Furacão Fiona atingir a ilha de Porto Rico. O cão, de apenas um ano, foi encontrado com as pernas esquerdas cheias de placas e parafusos e foi submetido a uma série de cirurgias urgentes no The Sato Project, uma associação responsável por resgatar animais vítimas de maus tratos e abandono.

Poucos dias após o furacão ter atingido o território, Tony conseguiu ficar em pé pela primeira vez. Apesar de ser um gesto simples, o cão começou a ser visto como um símbolo de esperança para os diversos animais que continuam a ser encontrados feridos e abandonados. Nos últimos dias, foram muitas as histórias publicadas nas redes sociais. Nesta terça-feira, 27 de setembro, o The Sato Project partilhou um caso que emocionou os voluntários e o mundo.

Um outro abrigo, localizado na região de Mayaguez, uma das mais afetadas pelo furacão, foi fortemente atingido pela tempestade. E não foi a primeira vez. O espaço já tinha as instalações comprometidas por antigos desastres naturais que ali passaram nos últimos dois anos. Antes que pudesse recuperar-se por completo, foi atingido pelo Fiona. Para trás, a equipa de voluntários deixou um pedaço de papel para o The Sato Project, com todos os nomes e pesos dos cães que não tinha como transportar.

“Isto destruiu-nos”, escreveu a associação no Facebook “Um pedaço de papel. A única coisa que poderia defender a vida desses cães. Eles não têm nada. As suas instalações, já seriamente danificadas por desastres anteriores, agora sofreram novamente com o Furacão Fiona. (O abrigo) fica na encosta de uma colina e devido a isso, a lama deslizou, as estradas foram destruídas e as árvores caíram”, acrescentam.

Com as estradas obstruídas, sem água e energia, a única opção para resgatar os animais é através de meios aéreos. Com ajuda do Wings of Rescue, uma organização responsável por resgatar animais de áreas atingidas por desastres naturais, o The Sato Project planeia nesta quinta-feira, 29 de setembro, transportar os animais para os Estados Unidos. No entanto, apesar de já terem uma programação definida, há um novo problema: um novo furacão aproxima-se e os planos continuam a mudar.

“É stressante e exaustivo, mas eles VÃO voar”, garante o The Sato Project. “Estamos determinados a dar uma oportunidade a estes cães. Tudo o que eles tinham era um pedaço de papel. Agora eles têm todos nós”.

Sansón, o Pitbull que quase não foi salvo

Antes do Furacão Fiona atingir o Santuario de Animales San Francisco de Asís, em Cabo Rojo, Dellymar Bernal Martínez, a presidente do abrigo, já sabia o que tinha de ser feito: transferir os 250 cães e gatos residentes para o segundo andar. O motivo? O primeiro piso iria ser totalmente inundado pelas chuvas.

Havia, porém, um problema. Sansón, um Pitbull, não se dá bem com outros animais e não poderia ser movido para o mesmo sítio. Para além disso, tem medo de trovões e a equipa do santuário temia que o cão perdesse o controlo e acabasse por atacar os outros animais.

“Nós não tínhamos onde colocá-lo, então ele teria que ficar no primeiro andar”, disse ao jornal Today Angel Vega, um voluntário que trabalha há sete anos no abrigo. “Naquele dia, quando deixei o santuário, saí com o maior sentimento de tristeza e descrença. No minuto em que saí, sabia que se eu realmente deixasse o cão para trás, ele iria morrer”. 

Horas antes do furacão atingir a região, os voluntários deram medicamentos para os animais que precisavam e deixaram água e comida disponíveis. Desesperado, Vega começou a telefonar para todos os seus conhecidos ainda a procura de uma família de acolhimento para o Pitbull. Quando tudo parecia estar perdido e o destino do cão já traçado, um milagre aconteceu.

Um amigo de Vega é proprietário de uma pastelaria na cidade e disse ao voluntário que tinha uma arrecadação onde guardava alguns equipamentos do espaço. Esta poderia ser limpa para receber o patudo. E assim foi. Com a ajuda de membros da associação, Vega limpou o “quarto” e levou Sansón para o lar temporário. “Ele ainda está lá — está vivo”, disse. “Se ele estivesse cá (no santuário), ter-se-ia se afogado. Estou muito feliz”.

Sansón, o milagre.

Atualmente, vários animais ainda estão a ser encontrados abandonados, entre eles, gatos e ninhadas de cães. Os abrigos e associações tem feito diversos apelos online a pedir doações para ajudarem os patudos e voluntários no terreno. Em muitas regiões, não há água nem energia, o que dificulta os resgates.

Voluntários, médicos veterinários e estudantes estão a construir postos de atendimento improvisados com tendas para receber alguns animais e realizar análises e consultas rápidas. Muitos deles estão também a ser preparados para serem transportados para diversas regiões nos Estados Unidos, onde irão receber cuidados adicionais e em breve, estarão disponíveis para adoção.

No entanto, a proximidade do Furacão Ian, de categoria cinco e já no estado norte-americano da Flórida, tem assustado os voluntários, que temem uma nova tragédia. Mesmo assim, estão a tentar o máximo seguir a agenda de transportes planeada para esta semana.

Percorra a galeria para saber mais sobre os resgates.

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