Animais

Tudo começou com resgates pontuais. Hoje, a UPPA já ajudou mais de 1.500 animais

Fomos conhecer a história da Associação do Ano PiT, que conta com altos e baixos. Tem 60 voluntários que fazem o impossível.
Um amor sem fim.

Há quem diga que a união faz a força e para Filipa Laginha e Sandra Vicente, nunca foi diferente. As duas primas desde cedo partilham a mesma paixão — a causa animal, mas foi só com o apoio de centenas de outras pessoas que se juntaram a esta luta sem fim que conseguiram ir além. Agora, quase duas décadas depois de criarem a UPPA (União Para a Protecção dos Animais) foram celebradas em grande.

Filipa (presidente) e Sandra (vice-presidente) estiveram presentes esta quarta-feira, 21 de fevereiro, na gala de entrega dos Prémios NiT, onde receberam o Townie de Associação do Ano das mãos de Nuno Azinheira, diretor da PiT, e da atriz Rita Blanco, madrinha da UPPA. A associação, em Sintra, foi a escolhida pela redação da primeira revista de lifestyle dedicada aos animais em Portugal como a grande vencedora da cerimónia deste ano.

A história começou mesmo antes de 2007 — ano da fundação da UPPA —, quando as duas primas saíam à rua sozinhas à procura de cães e gatos a precisarem de ajuda. Desde então, tem sido “um subir e descer de degraus”. A relação familiar que partilham entre si foi transportada para o dia a dia com os cerca de 60 voluntários que atualmente englobam a equipa — além das dezenas de padrinhos, madrinhas e apoiantes.

“Isto é mundo de alegrias e tristezas. Estamos cá para criamos capítulos felizes de uma história interminável”, conta à PiT Sandra, 45 anos. “O mundo dos animais abandonados não tem fim, infelizmente”, lamenta. Hoje, o espaço que ajudou a criar é um nome incontornável na causa animal em Portugal e já mudou a vida de mais de 1.500 animais.

Divida em várias etapas, esta história de amor só conseguiu superar o que as fundadoras consideram “o desafio inicial” para a sua criação seis anos depois de tornar tudo oficial. Em 2013, Sandra e Filipa fundaram o Albergue UPPA, na Terrugem, para acolher os animais que resgatavam. “Começámos pela constituição formal da associação e depois, fomos tentar encontrar um abrigo temporário”, explica a vice-presidente.

Nos primeiros anos, os cães e os gatos que salvavam ficavam em hotéis para animais. Mas as fundadoras tinham um problema — só conseguiam ajudar na proporção dos valores que poderiam pagar. Afinal, nestes espaços, cada patudo tem um custo mensal. “Era tudo muito limitado”, recorda. Ainda assim, não desistiram.

Naquele ano, os pais de Sandra ofereceram-lhe um terreno em Sintra, onde poderia criar um abrigo para acolher os cães e gatos e depois, encaminhá-los para adoção. Como na causa animal tudo é feito a partir de ajudas, contou também com o apoio de uma senhora que já tinha adotado um dos animais salvos pela dupla. Esta ofereceu o valor necessário para as duas primas construírem as boxes.

“Foi um sonho concretizado depois de muitas portas fecharem”, frisa. “Na altura, tínhamos 40 animais em hotel e isso [o albergue] mudou a vida da UPPA para melhor”.

Em 2017, mudaram a vida de outras espécies

Lá, não são só os cães e os gatos que recebem uma segunda oportunidade. Afinal, não há limites para os apoios que as duas primas e as dezenas de voluntários que se dedicam à associação têm para oferecer. “Isso tem sido um subir de degraus, de aventuras, de muita força de vontade e apoio das pessoas que, felizmente, reconhecem o nosso trabalho e nos ajudam todos os dias”, aponta.

Uma década depois de terem avançado com o projeto, Sandra (jurista) e Filipa (arquiteta) perceberam que no terreno na Terrugem (Sintra), tinham uma parte que poderia ser aproveitada e pensaram: “Porque não ajudar animais de quinta?”. Em 2017, criaram um pequeno santuário onde hoje residem duas ovelhas, duas cabras, uma porca e uma égua, todas resgatadas de situações de maus-tratos.

Estes animais, porém, não estão para adoção, explica Sandra. Todas as “meninas” são residentes oficiais da UPPA até ao fim das suas vidas. Lá, vão viver livres e a receberem todos os cuidados de que precisam. “Ter uma associação é quase como gerir um empresa mas a título de voluntariado”, sublinha.

Spring chegou ao santuário em 2021.

Jasmine, a cadela que (por pouco) escapou da morte

Nos seus quase 17 anos de história, a UPPA foi — e continua a ser — confrontada com vários casos críticos que partem os corações daqueles que os acompanham. Para Sandra, embora tenha vivido muitos deles, há um, em especial, que nunca esqueceu: o da pequena Jasmine, uma cadela cujos primeiros meses de vida foram repletos de “acidentes”.

“Ela foi recolhida pelo Canil Municipal de Sintra, num estado crítico e de pura maldade”, recorda à PiT. “Tinha entre seis e sete meses e não só tinha sido abandonada no mato, mas com marcas de malvadez”, frisa.

A cadela foi encontrada por acaso quando os voluntários do canil tentavam resgatar um gato. Quando o felino fugiu e correu em direção a um terreno abandonado, acabaram por se deparar com a cria com uma corda a atá-la no focinho e nas quatro patas. “Deixaram-na ali para morrer, sem se conseguir sequer mexer”, lamenta. “Já estava praticamente morta, pele e osso”.

Não se sabe quanto tempo lá esteve, mas acredita-se que pelo estado em que estava, foram vários dias ou até semanas. “Como ela se tentava se desenvencilhar das cordas, uma já lhe tinha praticamente amputado a perna de trás”, refere. “Foi resgatada viva e teve de ser amputada no veterinário. Chegou à UPPA com muitos medos, lá teria as suas razões”.

Ainda assim, independentemente “de estar em tripé”, como os voluntários diziam, aprendeu a confiar naqueles que a ajudaram e anos depois, foi “maravilhosamente adotada”. “Costumo dizer que a missão das associações é não só salvar animais, mas depois encontrar as suas caras metades humanas para lhes fazerem felizes”. 

Sandra Vicente e Filipa Laginha a receberam o Prémio PiT.

Assim como Jasmine, dezenas de outros foram resgatados de situações de maus tratos. Atualmente, a UPPA tem cerca de 60 cães disponíveis para adoção. “Sendo que, infelizmente, os mais velhinhos quando entram no abrigo, dificilmente saem porque as pessoas não gostam de dar oportunidade a cães seniores. E mesmo com os adultos, não é fácil”, aponta.

Além dos donativos monetários, Sandra explica que a associação está sempre a precisar de rações, especialmente aquelas que não recebe durante os Bancos Solidários, como as especializadas (hipoalergénica, mobility, renal e gastrointestinal). E também de arroz: “Cozinhamos para os nossos animais, fazemos uma espécie de canja”, diz, entre risos.

Outros bens como trelas, coleiras, camas e materiais de limpeza são também sempre bem-vindos. “Precisamos de tudo aquilo que for interessante ter no abrigo para proporcionar uma boa qualidade de vida para os animais que lá residem. Podem ficar só um mês, como a vida toda e temos de zelar pelo seu conforto”.

Para ajudar a UPPA, pode apadrinhar um UPPAliano (animais que lá vivem) e enviar ajudas através do Mbway (968 551 353) e IBAN (PT50 0033 0000 4534 7808 946 05).

A seguir, carregue na galeria para ver como conhecer mais sobre o trabalho da UPPA e dos seus voluntários.

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