Animais

Um amor improvável. Este Labrador vive com uma chita e são loucos um pelo outro

Conheceram-se quando eram bebés e têm hoje quase nove anos. Vão viver juntos "para o resto da vida", garantem os cuidadores.
Kogo e Kumbali.

O jardim zoológico é, provavelmente, o último sítio onde espera encontrar um cão. Mas é precisamente lá que Kago, um mix de Labrador, vive. Desde bebé, é ao lado de Kumbali, uma chita macho, que o cão passa o dia. A dupla conheceu-se em 2015, quando ambos ainda eram bebés, e desde então, são inseparáveis.

Tudo começou em maio do mesmo ano com o nascimento do felino no Zoo de Metro Richmond, na Virgínia, Estados Unidos. Filho de Khari e Hatari, pertencia a uma ninhada de quatro filhotes. Contudo, com duas semanas de vida, os cuidadores perceberam que o pequeno Kumbali não estava a crescer como os outros — pelo contrário, estava cada vez mais magro.

A cria foi então retirada e passou a ser alimentada por um biberão pelos tratadores. Mais tarde, foi descoberto o motivo: Khari não estava a produzir leite o suficiente para todos os filhotes, apenas dois dos seus oito mamilos estavam a funcionar. Kumbali conseguiu recuperar-se, mas já era tarde demais para ser devolvido à família.  “A mãe provavelmente vê-lo-ia como uma ameaça”, explica o zoo. 

Diferentes de outros grandes felinos, como os leões e os tigres, as chitas são animais sociáveis, especialmente os machos. Na natureza, formam forte vínculos entre indivíduos da mesma espécie, geralmente com os irmãos. “As chitas são bem diferentes dos seus primos. São programadas para ‘voar’ em vez de lutar, o que as torna felinos incrivelmente rápidos e assustados. São animais nervosos e facilmente assustados”, refere.

Sem a possibilidade de criar amizades com a própria família, os cuidadores sabiam que tinham de encontrar uma companhia não-humana para o filhote. Foi aí que Kago entrou em ação. O mix de Labrador foi oferecido ao zoo pela associação Art of Paws, em julho de 2015. No mesmo mês, foi apresentado ao novo melhor amigo.

Quando se conheceram.

Os cães ajudam chitas órfãs há 30 anos

Há mais de três décadas, os canídeos são também considerados os melhores amigos das chitas. O primeiro a explorar a relação foi Zoo de San Diego, que introduziu os seus filhotes órfãos da espécie a cães da mesma idade e percebeu que a relação ajudava significativamente os felinos a desenvolverem-se.

Ainda assim, há muitas associações que não confiam na abordagem. Quando estava à procura de um cão para Kumbali, o zoo na Virgínia avança que recebeu muitos “nãos” de protetores e abrigos. Até, finalmente, recebere uma chamada da Art of Paws que estava animada em ajudar.

“Esta relação simbiótica nunca aconteceria na natureza, mas acreditamos que os resultados positivos superam qualquer negativo”, garante. “À medida que os dois crescem juntos, criam um vínculo que se torna quase inseparável, semelhante ao de um irmão. Fornecem companheirismo um ao outro e o cão tem uma influência calmante porque a chita recebe dicas comportamentais dele, aprende a não temer o que está ao seu redor”.

Apesar da diferença de tamanho, força e rapidez, os cães são considerados os “líderes e protetores” numa relação como esta. “Eles normalmente tornam-se na figuras dominantes do relacionamento. A chita não magoará nem matará o seu amigo”, frisa.

Todos os anos, Kago e Kumbali celebram o seu aniversário a 12 de maio e são presenteados com snacks congelados de carne. Mas além da data especial, ambos têm dietas diferentes e o principal desafio é a hora da alimentação. A dupla é sempre alimentada ao mesmo tempo, mas de forma separada.

“Eles nem parecem reconhecer as diferenças de espécies, tamanho ou cor. Existe apenas aceitação”, sublinha. “Talvez nós, como humanos, tenhamos algumas coisas a aprender com esses dois”. E qual é o futuro de Kago e Kumbali? “Vão viver o resto das suas vidas juntos”.

De seguida, carregue na galeria para ver os últimos oito anos de amizade entre Kago e Kumbali.

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