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Uma nova Dolly. Homem condenado por clonar e vender ovelha para caça

Octogenário foi condenado a 6 meses de prisão por clonar uma raça rara de ovelha e vender os animais para caça.

Vinte e oito anos depois do sucesso da clonagem da ovelha Dolly, com todas as questões éticas que o caso levantou, a clonagem de uma ovelha levou este ano a uma sentença de 6 meses de prisão para um homem de 81 anos, do estado de Montana, nos EUA, que em 2015 clonou uma raça de ovelha selvagem quase extinta, para vender os animais a reservas de caça. 

Arthur Schubarth, dono de uma quinta e criador de animais de gado, levou partes do corpo de um carneiro da raça Argali de Marco Polo do Quirguistão para os EUA. Originária das regiões montanhosas da Ásia Central, esta é a maior raça de ovelha do mundo, e está quase extinta devido à caça furtiva.

De acordo com os procuradores legais responsáveis pelo caso, o material genético das partes do animal foi enviado para um laboratório, e a partir do ADN foram criados embriões, posteriormente implantados em ovelhas que Schubarth detinha na sua quinta. Daí nasceu o carneiro ao qual deu o nome de Montana Mountain king. O sémen do carneiro foi então utilizado para inseminar artificialmente outras ovelhas, e assim foram produzidos animais com traços da raça, que foram vendidos às reservas de caça, tal como Schubarth pretendia. 

Arthur criou certificados de inspeção falsos, necessários para vender o sémen do carneiro Montana Moutain King, que chegaram a três outros criadores. Além disso, Schubarth vendeu ainda bebés do carneiro, num valor mínimo de 250.000 dólares cada um, bem como um total de 74 ovelhas, para que fossem inseminadas. Pelo menos duas das ovelhas utilizadas para inseminação morreram de Doença Emaciante Crónica- uma doença que afeta principalmente cervídeos (como alces e veados), e que pode ser devastadora para rebanhos em cativeiro, já que é fatal e altamente infecciosa.

O transporte das partes do corpo do carneiro, bem como a criação de ovelhas da raça a partir do material genético do animal e a sua venda violaram a Lacey Act, uma lei americana que combate o tráfico ilegal de animais selvagens, peixes e plantas, proibindo o comércio destes seres quando adquiridos ilegalmente ou violando as leis locais, estaduais, nacionais ou internacionais. Esta lei tem um papel determinante no controlo da caça furtiva de animais e no tráfico de espécies em extinção, bem como na conservação das florestas, combatendo o desmatamento ilegal.

A sentença

Edward Grace, diretor assistente do Gabinete de Fiscalização do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, fez notar as consequências graves que este caso poderia trazer aos animais nativos dos EUA, tanto à vida selvagem e aos seus ecossistemas, como aos animais domésticos. “As ações do Sr. Schubarth não só violaram várias leis destinadas a proteger a vida selvagem, como também correram o risco de introduzir doenças e comprometer a integridade genética das nossas populações de ovelhas selvagens”, fez notar Grace. 

Em fevereiro deste ano, para além dos 6 meses de prisão, Schubarth foi ainda condenado a pagar uma multa de 20.000 dólares para o Fundo de Reompensa do Lacey Act, bem como 4000 dólares para a Fundação Nacional de Peixe e Vida Selvagem, e ainda uma contribuição especial de 200 dólares. Aquando do julgamento, Arthur escreveu ao juiz, justificando as suas ações. Afirmou que o seu maior defeito neste processo foi ter-se dedicado demasiado ao objetivo que tinha em mente.

“O meu maior defeito é tornar-me extremamente apaixonado por qualquer projeto de que me encarregue”, afirmou, explicando que o entusiasmo de produzir “as melhores ovelhas possíveis para esta indústria” comprometeu o seu cumprimento da lei. O homem admitiu estar arrependido das suas ações, e de ter causado um transtorno à família, bem como pela “perda de dinheiro”.

“A minha família nunca esteve falida, mas agora estamos”, declarou. Durante três anos depois de cumprir a pena, Schubarth ficará sob liberdade condicional, e não poderá criar ou vender animais. 

A ovelha Dolly

A ovelha Dolly foi criada por uma equipa de cientistas do Instituto Roslin, da Universidade de Edimburgo, que pretendiam produzir animais de gado geneticamente modificados, com características vantajosas que perdurassem nas raças. A clonagem era parte da pesquisa do projeto, e graças ao Instituto, Dolly foi o primeiro animal a ser clonado, a partir de uma célula mamária de um animal adulto, provando que qualquer célula tem informação suficiente para gerar outro animal, contrariamente ao que se pensava até então.

Dolly nasceu dia 5 de julho de 1996, mas a sua existência só foi revelada ao público quase um ano depois. O caso ganhou a atenção do mundo e gerou debate e controvérsia sobre a ética da clonagem, tanto relativamente ao caso da ovelha, como à utilização da clonagem noutras espécies e contextos. Algumas das considerações levantadas na altura, que se mantêm até hoje, passam pela possibilidade de sofrimento dos animais, o decréscimo da diversidade genética, que pode comprometer a continuidade das espécies, e a disrupção nos ecossistemas. Para além disso, a clonagem da ovelha Dolly significou um avanço concreto perante a possibilidade de clonar seres humanos, cujas implicações éticas permanecem por resolver pela ciência. 

Dolly viveu  durante 6 anos no Instituto Roslin, com outras ovelhas. Teve 6 filhos: Bonny, Sally, Rosie,  Lucy, Darcy, e Cotton. Com 4 anos, a ovelha desenvolveu artrites, confirmando as suspeitas dos cientistas de que animais clonados teriam uma expectativa de vida mais curta  – uma ovelha vive em média 10 a 12 anos. Dois anos depois, Dolly foi diagnosticada com um tumor pulmonar, e acabou por ser eutanasiada. O corpo da ovelha está no Museu Nacional da Escócia.

De seguida, percorra a galeria para conhecer melhor a Ovelha Argali de Marco Polo, uma das maiores ovelhas do mundo. 

 

 

 

 

 

 

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