Animais

Ursos de volta a Portugal? Há um macho a visitar-nos com frequência

Uma nova reportagem da SIC revelou a trajetória do Urso-pardo que chegou a comer 60 quilos de mel no nordeste transmontano.
É provável que voltem, mas não há datas.

Ainda não tem nome, mas está a tornar-se num “turista” ativo em Portugal. Um Urso-pardo que visitou o Parque Natural de Montesinho, em Bragança, em 2019 está a fazer-nos mais visitas e a possibilidade da espécie continuar a aparecer no nosso País, dois séculos depois de ter desaparecido, é provável — mesmo com as garantias do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) que ainda não temos ecossistemas capazes de suportar o regresso dos ursos.

A notícia foi avançada através de uma reportagem especial feita pela SIC, que recordou a história dos Ursos-pardos em Portugal, bem como as visitas frequentes do gigante no nordeste transmontano. O mais “recente” registo dos animais remonta ao século XIX — o que tudo indicava ser o último indivíduo da espécie foi morto em 1843 por um caçador no Gerês. 

As Astúrias, em Espanha, é uma das regiões onde pode encontrar vários indivíduos da espécie. Lá, os agricultores estão habituados com ataques ao gado não só de lobos, mas também dos ursos. Além disse, os lixos são constantemente revirados pelos animais à procura de comida — há até uma fêmea que já foi apanhada em câmara a roubar sacos de comida. 

A Fundação Urso Pardo, criada em 1992 com o objetivo de proteger os animais nas regiões da Cordilheira Cantábrica e nos Pirinéus tem parceria com nove municípios e sensibiliza para a coexistência entre os ursos e os humanos. “Não podemos encarar como normal que o urso esteja no meio das localidades de municípios como o nosso com quatro mil habitantes”, frisou Mario Ribas, alcaide de Villablino.

Para evitar o constante contacto com os humanos, a organização que protege os animais têm apostado na criação de bosques com árvores de frutos longe das aldeias, bem como em estruturas para tapar os contentores do lixo. 

Rosalia, proprietária de um turismo rural na região, tem mais de 80 árvores no seu terreno, mas a de cereja é a favorita dos gigantes. Avistá-los a roubarem diretamente da árvore é algo habitual para a empresária.

“São muito caprichosos. Não comem a fruta do chão, nem que tenha acabado de sair”, apontou. “Têm de ser eles a apanhá-la da árvore e metê-la na boca. É como um peluche gigante. Vemos aquela bolinha redonda que apetece apertar mas é algo que nunca devemos fazer, como digo aos clientes”, alertou. 

Uma população de ursos em Portugal? Não é possível prever quando, mas vai acontecer

Em 2019, quando um Urso-pardo visitou o Parque Natural de Montesinho foi uma grande festa. Luis, um apicultor da região, foi o primeiro a “encontrar-se” com o peludo. Houve um dia em que foi fazer uma visita de rotina a uma das colmeias e encontrou um pequeno caos.

“Vimos quatro colmeias no chão, mais uma em baixo e ficamos de boca aberta”, recordou à SIC. “Vimos umas patadas com umas unhas muito grandes e percebemos que não era da nossa competência, que se tratava de um animal que devia ser estranho porque já temos colmeia há muitos anos e nunca nos tinha acontecido algo igual”. 

Na altura, o comilão comeu entre 50 e 60 quilos de mel e apesar do prejuízo, o empresário viu a visita como algo positivo. “Vimos isso como uma mais valia para o Parque Natural de Montesinho e para a nossa região, principalmente”, disse. “Vimos uma oportunidade de ter uma região mais rica, com mais presença de predadores, o que também estimula o turismo”. 

As visitas do gigante (e não só) podem tornar-se cada vez mais frequentes, mas demorará muito até uma população se instalar no País. O motivo? Embora os machos estejam habituados a percorrem centenas de quilómetros, as fêmeas são mais territoriais e fixam-se em determinadas zonas, o que faz com que os machos voltem sempre à sua procura.

O ICNF garantiu que está a monitorizar possível avistamentos em Portugal, mas os biólogos e investigadores querem que a organização vá mais longe e prepare a população, especialmente a de Montesinho, para um possível regresso dos Ursos-pardos. 

“O mais importante é estarmos preparados para isso, fazendo primeiro um estudo do habitat e da sua qualidade natural, vendo por onde podem ir estabelecendo os ursos em função da segurança deste habitat e sobretudo prevenindo os conflitos sociais e económicos que poderão surgir”, avançou a Fundação Urso Pardo.

A seguir, percorra a galeria para conhecer a história de Mark, um Urso-pardo que passou 20 anos a ser usado como entretenimento na Albânia e que agora vive feliz num santuário.

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