Quando a Cocker Spaniel, Daisy, morreu, o seu tutor Tom Rubython teve dificuldade em lidar com a perda e em fazer o luto de uma ligação única de 13 anos.
Rubython sempre teve cães, mas garante que Daisy era diferente. De todos os animais que teve, foi com ela que criou a ligação mais profunda. “Ela percebia-me”, recorda Rubython ao jornal britânico The Telegraph.
Bastava uma pequena mudança no seu estado de espírito para Daisy reagir. Se ele estivesse triste ou mais sensível, a cadela aproximava-se imediatamente.
Quando Daisy foi diagnosticada com cancro, Rubython percebeu que o tempo com ela estava a chegar ao fim. Mas durante uma conversa casual com alguns colegas de trabalho acabou por surgir uma ideia inesperada: seria possível clonar a Daisy? Tom Rubython decidiu que valia a pena tentar.
Para tornar esta ideia uma realidade, Tom vendeu os seus carros desportivos e viajou até à Coreia do Sul, onde financiou um procedimento científico raro. O objetivo era apenas um: manter viva, de alguma forma, a cadela que tanto significava para ele.
Hoje, quase uma década depois, duas Cocker Spaniels — Myrtle e Mabel — dormem tranquilamente no sofá da sua casa. Ambas são clones de Daisy.
Um processo caro — e sem garantias
Uma pesquisa rápida na Internet levou-o até uma empresa em Seul, na Coreia do Sul, especializada em clonagem de cães. “Fiz um telefonema e a partir daí tudo começou.”
Na altura, a decisão parecia quase loucura. Além do custo — cerca de 80 mil libras — não existia qualquer garantia de sucesso.
Mesmo assim, Rubython decidiu avançar. “Pensei: tenho carros e tenho os meus cães. Qual deles me dá mais felicidade? A resposta foi clara.” Vendeu então dois Mercedes desportivos para financiar o processo.
Quando Daisy morreu, em abril de 2016, o plano já estava preparado. Cientistas recolheram amostras de pele da cadela, que foram levadas para o laboratório na Coreia do Sul.
A técnica utilizada chama-se transferência nuclear de células somáticas, um método que permite criar um embrião com o ADN do animal original. Esse embrião é depois implantado numa cadela de substituição, que dará origem ao clone.
Cerca de nove semanas depois, nasceram duas cachorras: Myrtle e Mabel.
O momento do reencontro
Rubython viajou até à Coreia do Sul para conhecer as novas “versões” de Daisy. Recorda o laboratório como um cenário quase futurista, cheio de cientistas, equipamentos e protocolos rigorosos. “Parecia magia”, diz.
Meses depois, as duas cachorras chegaram finalmente ao Reino Unido, após um período de quarentena.
Só então Rubython enfrentou outro desafio: contar à esposa o que tinha feito. A reação inicial não foi exatamente entusiasmada. Mas, com o tempo, a família acabou por se apaixonar pelas duas cadelas.
Iguais… mas não totalmente
Hoje, com nove anos, Myrtle e Mabel são geneticamente idênticas a Daisy, mas não são cópias perfeitas. Tal como acontece com gémeos idênticos, existem pequenas diferenças — principalmente no padrão das manchas da pelagem e em alguns comportamentos.
Mesmo assim, Rubython sente que uma parte de Daisy continua ali. “Não é exatamente a Daisy… mas, de certa forma, é.” Segundo ele, as duas cadelas são até mais tranquilas e carinhosas do que a original.
Uma decisão que continua a gerar debate
A clonagem de animais de estimação continua a ser um tema controverso. No Reino Unido, por exemplo, o processo só é permitido para fins científicos. Críticos apontam questões éticas, incluindo os riscos para os animais envolvidos e o facto de existirem muitos cães à espera de adoção.
Rubython reconhece esse argumento. “O mais correto, moralmente, seria adotar um cão de um abrigo”, admite. Ainda assim, não se arrepende da escolha que fez. Para ele, a clonagem tornou mais fácil lidar com a perda de Daisy.
“Perder um animal de estimação é extremamente doloroso”, diz. “De certa forma, foi até mais difícil do que perder os meus pais. Sabíamos que eles eram idosos. Com os cães, a dor é diferente.”
Agora que Myrtle e Mabel começam lentamente a envelhecer, surge uma pergunta inevitável: voltaria Rubython a repetir o processo? O ADN de Daisy continua guardado num laboratório em Seul. E, se depender dele, a história pode ainda não ter terminado.
Na fotogaleria, recorde o caso da norte-americana
A garantia é dada por Kelly Anderson, referindo-se à decisão de clonar a sua gata. A norte-americana de 36 anos, residente em Austin, no Texas, adiantou, na plataforma Clone Kitty, que Chai morreu a 16 de março de 2017, e que, imediatamente, tomou a decisão de a clonar.









