Antes de iniciar aquele que poderá ser o maior desafio da sua carreira, Josimar José Évora Dias, mais conhecido por Vozinha, fez questão de garantir que não deixava nada por resolver em Portugal. E isso incluía Akyra, a Labrador que o acompanha há cerca de uma década.
O internacional cabo-verdiano, de 40 anos, foi apresentado esta semana como reforço do Colo-Colo, o clube mais titulado do futebol chileno. A sua chegada a Santiago, contudo, sofreu alguns dias de atraso, alimentando rumores entre adeptos e imprensa. Agora, o guarda-redes revelou que o motivo nada teve a ver com questões desportivas: precisava de tratar de vários assuntos pessoais antes de atravessar o Atlântico, entre eles garantir o bem-estar da sua cadela.
Na conferência de imprensa de apresentação, Vozinha explicou que viajou de Cabo Verde para Lisboa para tratar do visto na Embaixada do Chile e regressou depois a Chaves, cidade onde viveu durante a última época ao serviço do Desportivo de Chaves.
“Vivíamos em Chaves. Tinha lá uma casa, os contratos da água e da eletricidade e a minha cadela, Akyra, que estava a ser cuidada por outra pessoa. Por isso pedi ao presidente mais alguns dias. Tinha de resolver as minhas situações pessoais”, explicou o futebolista.
A revelação foi amplamente elogiada nas redes sociais, onde muitos adeptos destacaram o sentido de responsabilidade do guarda-redes por não querer abandonar o país antes de garantir que a companheira de quatro patas ficava devidamente entregue.
Uma amizade com quase dez anos
A preocupação de Vozinha não surpreendeu quem acompanha a sua carreira. Akyra faz parte da sua vida há cerca de dez anos e tornou-se uma presença constante ao longo das diferentes etapas profissionais do guarda-redes, que já jogou em Cabo Verde, Angola, Moldávia, Chipre, Eslováquia e Portugal.
Durante o Mundial de 2026, enquanto o guarda-redes representava a seleção cabo-verdiana nos Estados Unidos, Akyra permaneceu em Chaves aos cuidados de uma amiga de confiança.
Numa entrevista ao Record, Anabela Vassal, que ficou responsável pela cadela durante a ausência do jogador, descreveu a forte ligação entre ambos.
“Tem um amor à Akyra como se de uma filha se tratasse. Antes de sair de Chaves para se juntar à seleção fez questão de a levar ao veterinário para garantir que estava tudo bem. Todos os dias lhe envio fotografias e vídeos.”
Segundo a mesma fonte, mesmo durante estágios e competições internacionais, Vozinha procura saber diariamente como está a cadela, mantendo contacto permanente com quem cuida dela.
Esta relação ajuda a explicar porque decidiu adiar a mudança para o Chile até ter a certeza de que Akyra ficava entregue a alguém da sua inteira confiança.
O herói improvável do Mundial
Embora seja um dos jogadores mais experientes de Cabo Verde, Vozinha ganhou projeção internacional durante o Mundial de 2026. As exibições frente a seleções como Espanha, Uruguai e Argentina transformaram-no numa das figuras da competição e numa das histórias mais inspiradoras do torneio.
O percurso do guarda-redes está longe de ser convencional. Depois de iniciar a carreira em Cabo Verde, passou por campeonatos menos mediáticos, como os de Angola, Moldávia, Chipre e Eslováquia, antes de chegar ao Desportivo de Chaves. Foi precisamente em Portugal que consolidou a forma que o levaria a brilhar no maior palco do futebol mundial.
Até o seu nome artístico tem uma história curiosa. “Vozinha” nasceu da infância em São Vicente, Cabo Verde, onde foi criado pelos avós. Sempre que discutia ou levava alguma pancada durante os jogos de rua, os amigos brincavam dizendo que ia “queixar-se à avó”. A alcunha acabou por ficar e hoje é conhecida por adeptos de todo o mundo.
Percorra a fotogaleria para conhecer a cadela Akyra.








