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33: novo espaço pet-friendly no Porto junta café, arte, moda e música num só lugar

O projeto fica na Rua Sá da Bandeira e tem três pisos com experiências diferentes — de petiscos a performances ao vivo.

Entrar no 33 é como mudar de cenário sem sair do mesmo edifício. A viagem começa com um café tranquilo, continua com uma sala de exposição improvisada e termina numa cave, onde pode estar a acontecer uma performance ou um concerto. Tudo no mesmo espaço, tudo ao mesmo tempo, sem um percurso obrigatório — apenas a liberdade de circular entre ambientes, sons e estímulos diferentes.

Foi precisamente essa ideia de fluidez que esteve na base do projeto inaugurado a 28 de fevereiro, na Rua Sá da Bandeira. Instalado num edifício dos anos 40 que mantém a traça original, o 33 ocupa três pisos e cruza restauração, moda, arte e eventos culturais num conceito difícil de categorizar, mas fácil de experienciar.

“A ideia é oferecer uma experiência multiconceptual com cruzamento de várias componentes artísticas e experienciais”, explica Isadora Fevereiro, fundadora do espaço que também recebe animais. “Visualizei as pessoas a circularem livremente e a desfrutarem de várias componentes sem barreiras.”

A empresária, de 48 anos, não é nova nestas áreas. O seu percurso está ligado à criação de marcas e projetos que, muitas vezes, chegaram antes do tempo. Em 2009, lançou a Quartier Latin, uma loja de luxo em segunda mão, numa altura em que o mercado ainda não estava preparado para o conceito.

“Foi extremamente difícil, mas com perseverança conseguimos criar uma comunidade muito fiel”, recorda. A lógica mantém-se: quem compra encontra peças únicas ou mais acessíveis; quem vende transforma o que já não usa em valor; e o impacto ambiental reduz-se.

Mais tarde, em 2014, criou o Chef Tapioca, um conceito de cafetaria focado em açaí e tapioca — hoje comuns, mas praticamente desconhecidos na altura. O projeto cresceu, teve várias lojas, mas acabou por fechar quando o mercado se massificou. “Perdi o encanto pelo negócio”, admite.

Seguiu-se o Mr Bean’s, aberto em 2020, que rapidamente se tornou uma referência na cena musical do Porto. Começou como restaurante vegetariano com clube de música e evoluiu para um espaço dedicado apenas à música ao vivo, antes de ser vendido.

O 33 surge agora como uma síntese de todo esse percurso. “Tinha o sonho de juntar todas as áreas onde já trabalhei num só espaço”, explica. A escolha da Rua Sá da Bandeira foi quase inevitável. Depois de se mudar para a Baixa, encontrou um imóvel que escapou às remodelações intensivas da zona. “Mantinha intactos os materiais e a forma original. Fiquei deslumbrada. Era perfeito.”

Foram três meses de intervenção, mas sem descaracterizar o edifício. “Decorei-o como se fosse viver nele”, explica. O resultado é um espaço com atmosfera doméstica, onde cada sala parece ter identidade própria, mas faz parte de um todo coerente.

No piso térreo, à face da rua, funciona a cafetaria. Aqui, o ambiente é descontraído, com música de fundo, mesas para conversar e um menu pensado para partilhar. Há burrata, húmus de três cores com tostas, bruschettas e tortilhas, além de opções doces como banoffee ou crumble de maçã. Os preços variam entre 3,5€ e 6€.

Por sua vez, a carta de bebidas inclui vinhos do Douro, com copos a partir de 4€, e cocktails de autor pensados para o conceito do espaço, à volta dos 8€. Também há mocktails, alinhados com as tendências atuais.

No piso superior, o foco muda completamente. É aqui que entra o universo da moda e do design, através de um modelo de pop-up que vai receber diferentes projetos ao longo do tempo. Para já, o espaço é ocupado pela Quartier Latin, marca criada pela própria Isadora, que assim chega a um novo público fora da zona do Aviz. A ideia passa por renovar regularmente a oferta, mantendo sempre um critério de curadoria ligado à qualidade e ao design.

Espalhadas pelos três pisos, estão ainda obras da artista portuense Nina Onaur, criando uma ligação visual entre os diferentes ambientes. Mas é na cave que o 33 ganha outra dimensão. O espaço foi mantido praticamente intocado, preservando uma estética industrial e crua, pensada para acolher artes performativas. “Quem lá entra fica descomposto”, descreve Isadora.

É também aqui que vai acontecer grande parte da programação cultural, que já começa a ganhar forma. Estão previstas peças de teatro itinerantes duas vezes por semana, sessões de tertúlias mensais com convidados ligados à filosofia e às ciências sociais, workshops de pintura colaborativa e encontros de motards, com música ao vivo e DJ sets. “As pessoas procuram inspiração e sentir-se próximas de outras com interesses semelhantes”, defende.

A programação deverá crescer nos próximos meses, com concertos de jazz e colaborações com artistas emergentes. “É um enorme prazer trabalhar com jovens. Têm uma energia muito própria e menos vícios criativos”, acrescenta.

O espaço já despertou o interesse de músicos e estudantes de cinema, que o querem usar como cenário para videoclips e curtas-metragens.

Além da oferta regular, o 33 pode ser alugado para eventos privados, desde jantares a festas com DJ. A capacidade varia entre 30 a 50 pessoas em formato jantar, podendo aumentar noutros formatos. A localização, a poucos metros da movida, é outro dos trunfos para quem quer prolongar a noite.

No fundo, o 33 não é apenas um café, nem uma galeria, nem uma loja — é um pouco de tudo isso, pensado para quem gosta de circular entre diferentes universos sem ter de escolher apenas um. “Nos meus espaços há sempre muita liberdade”, resume Isadora. E é precisamente essa liberdade que define a experiência.

Carregue na galeria para conhecer melhor o novo hot spot do Porto.

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