Família

Família

A quinta ficou vazia após a morte do pai. Susana transformou-a num refúgio pet-friendly

A Quinta dos Sinçais é um alojamento local com duas casas, cada uma com quatro quartos.

Há lugares que não se limitam a receber hóspedes, recebem histórias, memórias e pessoas como quem abre a porta de casa a um amigo. A Quinta dos Sinçais, um alojamento situado nos arredores da Guarda, é um desses lugares. Rodeada por cerca de 10 hectares de natureza, esta propriedade centenária é o reflexo de uma família de várias gerações e da paixão de Susana Tracana, de 53 anos, por preservar um legado.

Tudo começou em 1923, quando a quinta passou a fazer parte da família. Mais tarde, na década de 1980, nasceu a Casa da Quinta, construída pelo pai de Susana, depois de um problema cardíaco o obrigar a trocar Lisboa por uma vida mais tranquila. “O médico aconselhou-o a ir viver para o campo e tínhamos a quinta dos meus avós. Foi assim que os meus pais vieram para aqui viver”, recorda.

A casa foi pensada para receber. De grandes dimensões, refletia a personalidade do pai de Susana, um homem conhecido pela hospitalidade e pela vontade de juntar amigos à mesa. Após a sua partida, o silêncio tornou-se demasiado evidente. Foi então que Susana e a mãe decidiram abrir as portas da casa a quem procurava descansar na natureza. “Tínhamos tantos quartos vazios que começámos a pensar: porque não criar um turismo rural?”

Foi assim que nasceu a Casa da Quinta dos Sinçais. A decoração continua a refletir o bom gosto da mãe de Susana, que também deixou espalhados pela casa vários quadros da sua autoria. “Nunca vou mexer naquela parede. São os quadros que a minha mãe pintou e fazem parte da história desta casa.”

Aqui, tudo convida ao descanso. Os quartos não têm televisão por opção, privilegiando o silêncio, a leitura e a desconexão. Existe uma pequena sala comum com televisão, para quem sentir necessidade, mas a verdadeira protagonista é a serenidade. Os pequenos-almoços são preparados pela própria Susana, com produtos sazonais da quinta. “São pequenos gestos que fazem qualquer hóspede sentir-se em casa”, realça.

De refúgio de animais a projeto turístico

Anos mais tarde, Susana voltou a olhar para duas antigas construções em pedra que, durante décadas, serviram para guardar os animais da quinta. “Era onde os meus avós guardavam os animais de grande porte, sobretudo vacas”, conta. O que antes eram edifícios agrícolas transformou-se num novo projeto turístico.

Nascia assim a Casa do Pomar, um espaço que respeita a arquitetura original, mas com um ambiente moderno. A recuperação demorou quatro anos, muito mais do que o previsto, devido à pandemia e, sobretudo, à doença da mãe de Susana. “Houve um momento em que disse ao construtor que não queria saber da obra. Só queria cuidar da minha mãe.” Não chegou a ver o projeto concluído, mas a sua presença permanece em cada detalhe da decoração. “Ajudou-me imenso nesta casa e tenho muita pena que não tenha visto o resultado final.”

Hoje, a Casa do Pomar tem quartos amplos, alguns com varanda, cozinha equipada e espaços comuns pensados para quem procura autonomia durante a estadia. Pequenos detalhes, como café, azeite, fruta da quinta ou outros mimos deixados por Susana “tornam cada chegada ainda mais especial.”

Embora diferentes, as duas casas partilham a mesma essência: “hospitalidade genuína.” Susana acredita que receber pessoas é muito mais do que entregar uma chave. “Acho que esta é mesmo a minha área. Gosto muito de receber as pessoas.” Formada em Relações Públicas e antiga professora nesta área, considera que encontrou neste alojamento a sua verdadeira vocação.

Esse cuidado estende-se a cada detalhe. Da manutenção dos jardins aos pequenos-almoços, passando pela limpeza dos quartos ou pela preparação da piscina nos meses mais quentes, tudo é acompanhado de perto. “Estou constantemente a pensar no que posso melhorar”, conta.

Essa dedicação explica as excelentes avaliações que recebe dos hóspedes. Ainda assim, Susana admite que nem sempre é possível agradar a toda a gente. “Faço tudo com muito amor, mas também não consigo agradar a todos.” O importante, garante, é que cada pessoa sinta o carinho colocado em cada pormenor.

Outro dos aspetos que distingue o alojamento é o facto de ser pet friendly. A paixão pelos animais vem de família. “O meu pai adorava cães e cresci rodeada por eles.” Por isso, cães e gatos são bem-vindos na Casa da Quinta, desde que acompanhados por donos responsáveis. Existe apenas uma pequena taxa de limpeza adicional de 10€, o que permite que as famílias possam viajar sem deixar para trás os seus companheiros de quatro patas.

Além do alojamento, a Quinta dos Sinçais convida a viver o ritmo lento da natureza. Entre caminhadas pelos 10 hectares, momentos junto à piscina durante o verão, passeios de bicicleta ou simplesmente uma pausa à sombra das árvores, “aqui, cada hóspede encontra o seu próprio refúgio.”

Os preços variam entre os 50 e os 70€ por noite, na Casa da Quinta, com pequeno-almoço incluído. Já na Casa do Pomar, os valores rondam os 70 e os 120€ por noite, consoante a época do ano e a tipologia do quarto.

Apesar do trabalho diário e da responsabilidade de manter viva uma propriedade familiar com mais de um século de história, Susana não esconde o orgulho pelo caminho percorrido. “É um stress enorme, mas também me assenta que nem uma luva.” E acrescenta, emocionada: “Acho que a minha família, esteja onde estiver, deve estar orgulhosa.”

Carregue na galeria para conhecer a Quinta dos Sinçais.

ARTIGOS RECOMENDADOS