Família

Família

Aloka. O cão que acompanha 19 monges numa marcha pela paz de quase 4 mil quilómetros

A Walk for Peace pretende levar mensagens de amor e compaixão. Este ano, acontece nos EUA, na companhia do patudo dos budistas.

As tensões que marcam a situação política e social dos Estados Unidos da América têm aumentado desde o retorno de Donald Trump à presidência. Neste contexto, 19 monges budistas estão a cumprir uma caminhada de 3,700 quilómetros pela américa do norte, disseminando palavras de compaixão e bondade — apesar de a atividade não resolver as agitações políticas do momento, não deixa de chamar a atenção, em parte graças a Aloka, o cão que acompanha o grupo.

A peregrinação teve início em outubro de 2025, em Forth Worth, no Texas, faltando pouco mais de um mês para terminar, explica a plataforma Conexão Planeta. Os monges ligados ao tempo budista vietnamita Huong Dao Vipassa Bahvana têm como destino Washington DC, no Distrito de Columbia. Até lá, passaram já por Louisiana, Mississippi, Alabama, Carolina do Sul, Carolina do Norte e Virgínia.

A iniciativa chama-se Walk for Peace e é já uma tradição que tem como objectivo levar mensagens de paz, amor, bondade e compaixão a várias zonas do mundo. 

Por onde passam, os 19 monges são recebidos por milhares de pessoas que os acompanham, que com eles tiram fotografias e ouvem as suas palavras. Quem os encontra costuma dar-lhes comida e água, assim como roupas, cobertores e abrigo. Respeitando a tradição, é ainda habitual dar flores aos monges, e receber outras de volta.

Os budistas carregam ainda cordéis, conhecidos como “fios sagrados”, que prendem nos pulsos de algumas pessoas ao longo do caminho, sobretudo daqueles que estão doentes ou visivelmente abalados, já que os objetos são vistos como amuletos de boa sorte e proteção. O momento de dar o nó no fio é acompanhado por mantras.

Os monges divulgam as suas paragens nas redes sociais e no blog, permitindo que os entusiastas do projeto os acompanhem ao longo do percurso.

Aloka, o cão da paz

Aloka juntou-se ao grupo em 2022, na Índia, quando estes realizavam a Caminhada pela Paz de 112 dias, entre o país e o Nepal. O patudo, que acabara de se recuperar de um atropelamento, acompanhou os monges, com quem encontrou um lugar especial, explicam nas redes sociais. O seu nome foi escolhido por eles, significando “luz divina” em sânscrito. 

O destaque do cão valeu-lhe uma conta própria nas redes sociais, onde o seu dia-a-dia é documentado. Online, o grupo conta que a jornada do animal é uma lembrança de que “cada criatura merece amor, cuidado e uma hipótese de uma vida tranquila”.

Alguns percalços pelo caminho

A caminhada deste ano teve um primeiro acidente a 19 de novembro, na estrada 90 dos Estados Unidos, perto de Dayton, no Texas, quando dois monges foram feridos depois de um camião colidir com a traseira de um carro que os escoltava, atingindo os membros do grupo.

Bhante Dam, um dos monges, ficou gravemente ferido, tendo sido levado para o hospital de Houston, onde a sua perda esquerda teve de ser amputada. O segundo sofreu ferimentos ligeiros, e pôde regressar rapidamente.

Apesar da amputação, Bhante Dam mostrou-se resiliente, aceitando o ocorrido sem transtorno e falando em perdão. Durante um mês, permaneceu no hospital para cumprir o tratamento, retomando em dezembro o seu lugar no templo.

Também Aloka foi obrigado a encurtar o percurso, depois de mostrar dores no joelho da pata traseira direita, agravados pelo esforço da caminhada. O patudo teve de ser operado depois de os veterinários verificarem que se tratava de um ligamento rompido, e continua a recuperar, não sabendo se poderá regressar à caminhada deste ano, explicaram numa publicação. 

Carregue na galeria para conhecer Aloka e os monges.

ARTIGOS RECOMENDADOS