Família

Atriz Margarida Moreira e a paixão por animais: resgatou cães, gatos e até papagaios

Chico foi encontrado debaixo de um carro, o gato Tobias foi amamentado pela cadela Nina: a artista adora salvar animais.
A sua melhor amiga de quatro patas é a cadela Zoya.

Foi Napoleão quem deu por Chico. Não era um cavalo, mas sim um cão, que estava tranquilamente no seu jardim: “O Napoleão não parava de puxar para vermos o que se passava debaixo do carro meu pai. Quando olhámos, era um papagaio”, conta à PiT a atriz Margarida Moreira.

“Deve ter-se soltado do seu tutor, pois ainda tinha o anel de metal nas patas, e perdeu-se. Cansado, escondeu-se ali”. Por ironia do destino, o que a sua mãe mais queria era um papagaio e, por causa disso, não conseguiu fechar os olhos à pequena ave que apareceu na sua vidas. No entanto, por azar, o fascínio do animal era com homens: “Adorava o cabelo deles. Fazia ninhos na cabeça do meu pai, do meu companheiro, de qualquer homem que aparecesse lá em casa”, relata, divertida, a atriz. Não lhe deram qualquer nome, mas, quando falavam com ele, tratavam-no por Chico.

Margarida Moreira, 46 anos, sempre esteve habituada a ter animais em casa e, principalmente, a salvá-los do abandono, juntamente com a sua família. Nina, uma Bichon branca, e Rocky, um Rottweiler, são os amigos mais improváveis, e a sua adoção não foi diferente: “A Nina era de um casal que se estava a divorciar e queria dar o cão — custa-me ainda a perceber como é que isso acontece. Já o Rocky, estava acorrentado a um stand e, como o meu pai trabalha com automóveis, sempre que lá passava, ele saltava para cima dele todo contente, por isso decidimos ficar com ele”.

Improváveis, mas inseparáveis. Fossem para onde fossem, se estivessem na companhia um do outro, estavam bem e seguros: “Eles chegaram a fugir algumas vezes de casa. E, quando íamos à procura deles, encontrávamos um Rottweiler e uma Bichon a passearem sozinhos, mas felizes”, ri-se.

Nina foi uma das grandes paixões da estrela da longa-metragem luso-francesa “O Último Banho” (2020), altamente galardoada nos Prémios Sophia, em que venceu os prémios de Melhor Filme, Melhor Argumento e Melhor Direção Artística. E foi este amor que deu vida à cadela nos tempos mais difíceis: “Ela foi atropelada e eu fui as pernas dela durante seis meses”.

Os veterinários queriam abatê-la, mas Margarida não deixou: “Eu disse ‘faço de tudo para que ela viva'”. E assim fez. Depois da operação de Nina à anca, a sua tutora passou a levá-la para todo o lado que ela pedisse, à boleia de um cesto da roupa, e acordava todas as noites de madrugada para lhe dar a medicação. Mas valeu a pena, pois Nina voltou a andar e pôde regressar às suas voltinhas com o compincha Rocky.

A Bichon retribuía todos os dias a dedicação que Margarida lhe prestou durante aqueles seis meses, mas foi apenas quando o gato Tobias chegou que percebeu realmente o que era ser “mãe”: “Adotei-o do ‘Mau Mau Maria’ (2014) [peça humorística em que participou ao lado de António Raminhos, Eduardo Madeira e Marco Horácio] e ele até chegou a aparecer numa das cenas”.

O gatinho bebé foi recebido de uma forma calorosa por toda a família, em especial por Nina: “Quando ele chegou, agarrou-se logo às mamas dela e despertou o seu instinto maternal. Nunca pensei que a Nina viesse a produzir leite, mas alimentou o Tobias durante meses”. Nina já morreu, mas o gato Tobias continua a ser alimentado com muito amor na casa dos pais da atriz.

Margarida fez diversas participações em novelas, nomeadamente a “Mar Salgado” (2014) e a “Rainha das Flores” (2016), da SIC, e “A Teia” (2018), da TVI, onde interpretava Joana Cardoso. Aliás, esta última produção foi o que motivou a adoção de Zoya, a sua mais fiel companheira de quatro patas: “Estava nas gravações da novela e a Marta Faial [que interpretava a personagem Mónica Vieira] estava a mostrar fotografias de uns cachorros bebés, de uma ninhada da quinta da mãe dela”, explica a atriz.

Qualquer pessoa dificilmente resiste a fotografias de animais bebés e Margarida não foi exceção: “Perguntei-lhe logo se podia adotar uma das cadelinhas, e veio então a Yorkshire, uma patuda com muita personalidade”, brinca. Confessa não ligar nada a raças, mas a que lhe saiu na rifa foi uma extremamente protetora dos seus tutores: “Antes, ladrava a toda a gente que passava, mas com o tempo foi ficando mais sociável”.

Zoya é muito protetora de Margarida.

Zoya, Margarida e o seu companheiro vão juntos para todo o lado, desde a supermercados, onde os tutores fazem turnos para guardar a cadela à porta, a restaurantes e a passeios pela natureza. Adoram ir para o campo, que “é onde se sente mais feliz”, mas a atriz admite a predileção da cadela pela praia: “Ela fica maluca. Mal chega, a primeira coisa que pede é a bola e corre de um lado para o outro na areia para ir buscá-la”, ri-se.

É verdade que os Yorkshire não são muito conhecidos pelas suas qualidades enquanto cães de guarda, muito devido ao seu tamanho, mas Zoya é diferente: “Ela fica a tomar conta das nossas toalhas. É ótimo, porque podemos ir à água à vontade e ela fica lá. Nós não lhe dizemos para ficar, ela é que quer”, conta.

Agora, Margarida confessa que deseja que Zoya seja mãe, para poder ficar com os seus filhotes. E também porque sente que, tal como Nina, a cadela deseja muito ser mãe.

Carregue na galeria para ver as aventuras de Margarida Moreira com a sua adorável Zoya.

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