Família

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Bud foi adotado há quase um ano no Porto. Protetora só quer saber se o gato está bem

A protetora Daniela Alex nunca mais viu o jovem felino desde que um casal o levou a uma clínica depois de o encontrar na rua.

Daniela Alex não tem mãos a medir. A protetora da causa animal vive em Matosinhos – distrito do Porto –, mas desloca-se frequentemente a Ponte da Barca (Viana do Castelo) para cuidar de animais de rua e regressa muitas vezes a casa com mais um nos braços. A cuidadora desdobra-se em apelos para que todos os cães e gatos que resgata consigam boas famílias – e está sempre atenta para perceber se isso não acontece. Bud é um desses casos e Daniela só precisa de saber se ele está bem.

“Aconteceu-me uma situação complicada há oito meses. Tenho feito de tudo para a tentar resolver, mas nunca consegui. A PiT, neste momento, é a minha última esperança”, conta-nos Daniela, pedindo para que seja dada mais visibilidade ao caso, na tentativa de que chegue a mais pessoas – e à família certa.

A história passa-se com um gatinho, o Bud, que Daniela deu para adoção em 2024. A protetora não deixa de acompanhar os animais nas suas novas famílias e percebeu que, neste caso, o jovem miau, a dada altura, já não estava a ter os cuidados devidos. “Apesar de a família ser amorosa, estava a ser um bocadinho negligente com o gatinho. Ele era feliz, mas não estava a ter as coisas mais básicas”, explica. Foi Daniela que teve de o levar às vacinas e, nessa altura, percebeu que o animal estava cheio de pulgas. Fez uma advertência aos adotantes, dizendo que, se a situação se mantivesse, o retiraria – até porque o microchip ainda estava em seu nome.

Onde anda Bud?

Os receios da protetora eram justificados. Pouco tempo depois, em finais de maio de 2025, Bud caiu da janela e desapareceu. Os adotantes avisaram Daniela, que se apressou a colocar cartazes e apelos à procura do gato, então com cerca de um ano e meio de idade. E, felizmente, depressa soube o que lhe tinha acontecido. Um casal que ali passava quando o gato estava caído na rua, não hesitou – foi levado de imediato a uma clínica veterinária no Porto, para ser visto.

Na clínica, uma veterinária de serviço atendeu o casal e observou Bud, tendo concluído que estava tudo bem com o jovem felino. E, ao ver que tinha chip, contactou Daniela. Nesse momento, a protetora ia a caminho de uma outra clínica, em Matosinhos, para colocar fim ao sofrimento de Seferino, um galo que lhe fez companhia durante mais de dois anos e meio e que estava muito doente. Quando lhe foi dito que o casal queria adotar Bud, ficou feliz e disse que sim, que se poderia pensar nisso, até porque não estava contente com os adotantes de então.

Mas aquilo com que Daniela contava era que a adoção fosse imediata. “Eu disse que, antes de se avançar com a adoção, precisava de conhecer e falar com as pessoas interessadas. A veterinária perguntou-me se lhes podia deixar o meu contacto e eu disse que sim. Na minha ideia, eles iriam ficar com o meu número e o gato ficaria na clínica para eu, ao final do dia, ir buscá-lo”, conta-nos a protetora. No entanto, não foi isso que sucedeu.

“A realidade é que percebo depois que o gato foi logo embora com essas pessoas e que não ficaram com o contacto delas. Ou seja, não sei nada do Bud desde então. Não faço ideia se está bem”, lamenta Daniela. Quando a cuidadora manifestou o seu desagrado e a vontade de saber quem eram os adotantes, a clínica veterinária colocou um apelo no Instagram e no Facebook. “Às pessoas que gentilmente recolheram o Bud que estava perdido na rua e o trouxeram à Língua de Gato no dia 27 de Maio para uma leitura de microchip, pedimos que entrem em contacto com a tutora legal @dani_veg_wanderlust (916 462 999), que se encontra preocupada, ou diretamente connosco para o 968 746 630! Obrigada”, dizia o apelo. 

“Só quero saber como é que ele está”

Mas, até agora, a nova família de Bud nunca se manifestou. O certo é que o gato está chipado em nome de Daniela, que tem o direito de saber do seu destino e que só pretende saber se está tudo bem – e por isso apela, a quem possa saber onde ele está, para que a contactem.

“Tenho um bocado de receio que os novos adotantes, ao saberem que a família do Bud era negligente, pensem que era eu. Mas espero que seja ‘só isso’ e que percebam que não é essa a verdade e que possam dizer-me alguma coisa. Vivo com esta situação há vários meses e é desesperante”, diz Daniela Alex. “Percebo que possa ter havido confusão, até porque na altura eu também estava transtornada por ter de adormecer o Seferino. Eu disse, efetivamente, que estava aberta a uma adoção, mas não queria dizer que era naquela hora”.

Daniela conta que toda a situação está a ser muito complicada de gerir. “O meu objetivo é que as pessoas saibam desta situação, entendam o que aconteceu e que, se virem a história, me contactem para eu saber alguma coisa do Bud. Porque se ele estiver bem, eu não quero tirar o gatinho a ninguém. Só quero saber onde é que ele está, como é que ele está. Só isso”.

Enquanto espera para ter notícias de Bud, Daniela tem também artigos de venda solidária, na tentativa de angariar o dinheiro necessário para ajudar os patitas necessitados da zona do Porto e outros animais de Ponte da Barca – para os quais criou uma página no Facebook, no sentido de sensibilizar para a situação animal naquela zona do país. E é também a responsável por um projeto vegan, com vertente solidária, o Sete Pecados Vegetais.

Se tem um espacinho em casa e no seu coração, e se puder acolher algum desses animais necessitados, mesmo que apenas temporariamente, basta contactar a Daniela. Percorra a galeria para ver fotos de alguns desses patudos tão meigos e carentes de amor. E não se esqueça de Bud: se o tiver consigo ou souber quem o adotou, alivie o coração desta protetora tão preocupada por não saber do seu destino.

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