Família

Cadela foi viver com os donos para Israel. O conflito obrigou-os a regressar

Família brasileira viu-se aflita para levar Baleia de volta. Mas só saiu de Tel-Aviv quando conseguiu que ela também embarcasse.
Cintia e Baleia.

A madrugada de 7 de outubro mudou tudo em Israel – e, por consequência, também na Faixa de Gaza, onde vivem dois milhões de palestinianos. O ataque dos militantes do Hamas contra as centenas de pessoas que participavam num festival junto à Faixa de Gaza e contra os kibbutz (comunidades agrícolas) que rodeiam aquela mesma zona desencadeou uma pesada resposta de Israel contra aquele grupo radical. As vítimas, de ambos os lados, são aos milhares. O conflito, que poderá escalar a mais países daquela região do Médio Oriente, já levou a que muitos cidadãos estrangeiros que viviam em Israel saíssem para se refugiarem nos seus países de origem. Foi esse o caso da brasileira Cintia Bigarelli Kitadai e da sua família – cadela Baleia incluída.

Cintia estava há pouco tempo no país. “Tínhamos ido há um mês. O meu marido foi trabalhar com a seleção feminina de judo de Israel e estávamos a morar na cidade de Netanya”, conta à PiT a fisioterapeuta de 33 anos, que é igualmente uma apaixonada por aquela arte marcial que também pratica – e é faixa preta.

Quando se mudaram para Israel, foi a família completa: Cintia, o marido, a filha bebé e a cadela Baleia. Desde que o casal adotou a amiga de quatro patas, há dez anos, só assim lhes faz sentido saírem de casa: todos juntos.

“O meu amor por animais vem desde pequena, quando já tinha muito contacto com eles. Mas aumentou quando a minha mãe se tornou presidente de uma organização não governamental (ONG) que ajuda animais”, explica à PiT.

Cintia e o marido – que é medalhista olímpico – acharam que a temporada em Israel seria longa, mas foi subitamente interrompida pelo ataque do Hamas e pelo clima de conflito que se intensificou dos dois lados. Com o presidente brasileiro, Lula da Silva, a agilizar o envio de aviões para transportar os seus cidadãos de volta ao país, a fisioterapeuta especializada em psicomotricidade e o marido decidiram que aquela seria também a melhor solução para eles. Mas foi então que surgiu um problema: não estava a ser fácil conseguirem a viagem com Baleia – e para eles era impensável deixá-la para trás.

“Nós tínhamos todos os documentos necessários para ela viajar. No entanto, Israel estava a exigir o certificado veterinário internacional (CVI), dizendo que os cães não poderiam voltar sem ele. Mas embaixada brasileira conseguiu flexibilizar e na última hora conseguimos o CVI”, sublinha Cintia. Com o CVI em mãos, Baleia pôde finalmente viajar e a família chegou ao Brasil na segunda-feira, 16 de outubro.

O caso chamou a atenção quando um reconhecido protetor brasileiro da causa animal, Leandro Rodrigues, expos as dificuldades da família em regressar com a cadelinha. “Estou com a protetora Valdete, cuja filha está em Israel, no meio do c@os dessa guerra, e os seus familiares foram impedidos de embarcar com sua cachorrinha Baleia. (…) Ela foi com a família para o país há aproximadamente 30 dias. Ressalto que a Baleia preencheu todas as exigências para entrará no país, mas agora não a deixam voltar com os seus familiares”, denunciou.

Baleia de regresso a casa, junto da família

Dias depois, a situação estava resolvida e todos puderam respirar de alívio. “Amigos, acabei de receber essa foto da Baleia em Israel a caminho do aeroporto, onde irá embarcar de volta para o Brasil. Desejo toda a felicidade para ela e sua família que não a deixou para trás”, escreveu Leandro.

Agora, de regresso ao Brasil, é tempo de retemperarem energias depois dos momentos de angústia que viveram em Israel. E a esperança é que tudo fique bem, para todos, pois a intenção é regressarem. Vivíamos a 20 minutos de Tel-Aviv, ali era seguro e pensamos em regressar um dia”, diz Cintia à PiT.

Quanto a Baleia, que tem 12 anos, continua a ser muito apaparicada e a ser considerada sempre um membro da família. “Ela chegou às nossas vidas em 2013. Recolhemo-la da rua, onde estava a ser apedrejada por meninos em frente a um supermercado em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul. Desde então ela é o amor das nossas vidas”, sublinha a sua orgulhosa tutora.

Na noite de 17 de outubro, mais um avião da Força Aérea Brasileira estava a caminho de Tel-Aviv para regressar com mais cidadãos seus. Com este voo, são já mais de 1.100 os brasileiros pela operação “Voltando em Paz”, posta em marcha pelo governo federal.

Em todos os voos de chegada ao Brasil são visíveis os rostos de alívio. E muitas famílias vêm acompanhadas dos seus pets. “No nosso voo vinham três cachorros e dois gatos”, diz Cintia. Percorra a galeria para conhecer melhor a Baleia, que adora a sua família – e cujo amor é incondicionalmente retribuído.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA PiT