Família

Cadela salva a vida de miúda com diabetes após alertar tutores durante a noite

A Labrador saiu do quarto da jovem e foi de imediato à procura dos seus pais. Não descansou até eles medirem a sua glicose.
São inseparáveis.

Raelynn já estava a dormir quando a cadela Spy sentiu algo de errado. A Labrador estava deitada próxima da cama da miúda, onde está habituada a passar as noites, quando se levantou, desceu as escadas e foi à procura dos tutores. Na sala de estar, encontrou-os a assistir televisão e sentou-se em frente a ambos para chamar a sua atenção.

Há cerca de uma hora, os pais de Raelynn, diagnosticada com diabetes tipo 1, já haviam trocado a sua bomba de insulina e acharam estranho o comportamento da Labrador. Afinal, pouco tempo tinha passado e tudo indicava que a cadela estava a cometer algum erro. Ainda assim, resolveram ir até o quarto de Raelynn.

Lá, encontraram a filha a dormir pacificamente mas a cadela, treinada para alertar quando os níveis de açúcar no sangue estão baixos ou altos, não desistiu. “O seu aparelho ainda estava a aquecer e não nos dava uma leitura do nível de glicose no sangue”, contaram num vídeo a relatar o ocorrido. “Mas era óbvio que algo estava errado porque a Spy continuava a insistir, por isso decidimos analisar”.

Embora não seja nada fácil acordar Raelynn no meio da noite, sabiam que não tinham escolha. Quando finalmente conseguiram medir a glicose, os valores eram altos: 338 mg por decilitro de sangue, quando o ideal, naquela altura da noite, seria abaixo de 130mg/dl.

Spy tornou-se na Cadela de Alerta Médico de Raelynn em junho, após terminar os seus treinos. Desde então, tem sido “um anjo sem asas” na vida da família Boggs. A ideia de encontrar um companheiro de quatro patas para a filha, surgiu pouco depois de Raelynn ter sido diagnosticada com diabetes tipo 1, há cerca de um ano.

“A mãe de uma criança vizinha que também sofre da doença disse-nos que resolveu encontrar um Cão de Alerta médico para a filha. Nos últimos dez anos, ele não tinha feito uma única análise errada”, contou o casal. A partir dai, a família decidiu fazer a inscrição em vários projetos que treinavam animais para este efeito e pouco tempo depois, foi aceite num deles. O resto, é história..

Na rota do açúcar

Em Portugal, a associação Pata d’ Açúcar, fundada em 2016 e onde trabalham sem qualquer remuneração dezenas de voluntários, resgata todos os anos cães de abrigos e prepara-os para virem a ser Cães de Alerta Médico, “dando nova oportunidade à vida dos animais e à qualidade de vida das pessoas com diabetes”.

“Todos os anos selecionamos entre os nossos associados aqueles que queiram beneficiar destes cães e vamos a abrigos para animais abandonados, escolhemos os cães, de acordo com o seu perfil, e durante um ano trabalhamos o animal, sem qualquer custo para o futuro tutor”, disse à PiT em abril passado Nuno Benedito, fundador do projeto e treinador de cães há mais de 30 anos.

Os animais são trabalhados através do olfato a detetar com antecedência baixas de açúcar no sangue, ainda antes de o tutor estar em hipoglicemia. “Nalguns casos, os cães chegam a antecipar-se em meia hora os dispositivos eletrónicos que os doentes usam” para controlo da glicose, explicou o treinador.

A seguir, carregue na galeria para conhecer Raelynn e Spy.

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