O Movimento Famalicão sem Correntes mantém a dedicação aos animais do município, fazendo os possíveis para libertar todos os que ainda vivem acorrentados. Um dos mais recentes casos com que a organização se deparou envolveu duas cadelas de 12 anos, presas num quintal com acesso apenas a água verde e comida estragada.
A situação chegou ao conhecimento da equipa em abril, por meio de uma denúncia, e revelou-se “um caso complicado”, avança à PiT Joana Faria, uma das responsáveis. A fundadora aponta a dificuldade que o grupo enfrentou para abordar o dono dos animais, explicando que o processo teve início com uma das voluntárias, que começou a visitar a casa com o objetivo de compreender os contornos e alimentar as cadelas, que “caso contrário passariam fome”.
Joana explica que as patudas estavam presas, uma delas “com uma corrente mínima”. Durante a terceira visita à casa, a voluntária filmou as cadelas e o estado em que viviam. “Tinham uns recipientes indescritíveis com comida azeda, água verde, restos”.
O detentor apercebeu-se da verdadeira intenção das visitas, deixando de permitir a entrada. A líder nota que a ação da associação passa sobretudo pela sensibilização e educação, que tentaram pôr em prática também desta vez. Contudo, aperceberam-se de que a estratégia não funcionaria ao constatarem o comportamento agressivo do homem. “O nosso propósito também é criar um vínculo de proximidade e credibilidade em representação do movimento, mas chegou a um ponto em que percebemos que não iria ceder as cadelas“, lamenta a líder. “O resgate era a única hipótese. Quando a voluntária propôs isso ele fechou-se e percebemos que se fossemos enquanto Movimento teríamos o risco de ser agredidas”.
A solução passou pelo envolvimento das autoridades — uma decisão que, apesar de necessária, pesou nas integrantes, já que, de acordo com a experiência que têm, “este tipo de denúncias são morosas e infelizmente quase nunca têm os resultados que deviam ter”. Além da GNR, foi também contactado o Centro de Recolha Oficial de Famalicão.
De acordo com a expectativa e o receio de que a demora da concretização do resgate se revelasse fatal para as cadelas, o grupo foi particularmente insistente com as entidades. “Percebemos que nada estava a acontecer, e o canil só podia resgatar com a presença das autoridades no local e o aval do tribunal”. A alternativa foi contactar o SEPNA de Barcelos e explicar a urgência na retirada dos animais. “Passado alguns dias recebemos a indicação de que tinham sido resgatadas”.
Já estão a salvo, e com adotante
Joana avança que o envolvimento do canil serviu apenas para o resgate, reconhecendo a sobrelotação que este enfrenta, e que não pretendia agravar com as duas patudas. O Movimento encontrou uma adotante para as cadelas, a quem foram entregues após o salvamento, na semana passada.
As patudas não tinham microchip ou vacinas em dia, e existe a suspeita de que uma delas sofreria abusos físicos, já que “demonstra muito medo ao toque”. Além disso, ambas são reativas com a comida, demonstrando agressividade à aproximação de outros animais no momento das refeições. “É normal, elas não eram alimentadas”, nota a líder.
Joana comenta que “muitas vezes, este desfecho não acontece”. Felizmente, as patudas que viveram 12 anos sem condições encontraram uma casa com amor.
Carregue na galeria para conhecer as cadelas de 12 anos resgatadas.







