Família

Cão encontrado com manchas estranhas no pêlo. Alguém o tinha “colorido” com alcatrão

Nunca o tinham visto e não se sabe quem está por trás do crime. Alcatrão está bem disposto, e estará para adoção em breve.
Já o lavaram e retiraram a tinta quase na totalidade.

De longe, pareciam apenas manchas peculiares. No entanto, assim que se começou a aproximar, o cão revelou que as riscas pretas, que percorriam o seu pêlo alaranjado, desde a cabeça até à cauda, nada mais eram do que tinta. E não era uma tinta qualquer. Era alcatrão.

Não há memória de que algo semelhante tenha acontecido no município de Almodôvar, em Beja. Aliás, o cão não conhecido de nenhum dos moradores. Até ao dia em que apareceu a vaguear num supermercado da região. “Ele parecia estar bem alimentado, pois estava bem gordinho, mas nunca tinha sido avistado por ali”, começa por contar à PiT Melanie Ribeiro, defensora dos direitos dos animais.

Quando está em causa a vida ou a saúde de qualquer animal, grande, pequeno, vadio, seja o que for, é com Melanie que vão falar. Na passada quarta-feira, dia 1 de março, a jovem voluntária da associação Rafeiritos do Alentejo começou a receber diversas chamadas e mensagens de pessoas a contar a situação do cão pintado com alcatrão, que andava a circular nas redes sociais. Uma delas do jovem que o encontrou, que lhe descreveu o estado do animal.

“Costumo andar por lá, mas, como estou a trabalhar em Lisboa, não conseguia ajudar, mesmo que tentasse”. Mas Melanie não baixou os braços, e tentou saber tudo sobre o cão, desde o seu estado de saúde, ao seu paradeiro e as suas origens. Pegou no telefone e ligou para todas as pessoas que estavam relacionadas com o caso.

Soube que o cão tinha sido recolhido pela Guarda Nacional Republicana (GNR), que avançou com a investigação, de forma a perceber quem eram os culpados, e o entregou ao veterinário do canil municipal de Beja.

Voltou a pegar no telefone, e ligou para o veterinário, José Eduardo, que lhe confidenciou e a uma amiga sua, também apoiante da causa animal, que o cão não tinha chip, mas que já tinha aparecido alguém à sua procura: “Um senhor entrou em contacto, porque o cão dele tinha desaparecido há três anos e era muito parecido. Mas, quando foi reconhecê-lo, percebeu que não era ele. Até porque ele tinha colocado chip ao seu cão”, descreve à PiT.

Já à PiT, o médico deu as boas notícias da saúde do cão, apesar do que lhe tinha acontecido ao corpo: “Ele estava muito bem disposto. Comia bem e sem qualquer problema”.

Como todos os outros que lhe chegam às mãos, o médico encaminhou o cão para o Canil/Gatil Intermunicipal da Resialentejo (CAGIA). Quando o patudo chegou, fez uma festa a uma das enfermeiras de serviço.

“Como era dia de cirurgias, dei a indicação para um dos meus tratadores o ir buscar. Quando chegou à clínica e me viu, veio na minha direção, e deitou-se de barriga para baixo, pronto para receber mimos”, começa por contar à PiT Carina Barradas, enfermeira veterinária responsável do CAGIA.

É Carina que cuida de todos os animais que entram e saem da clínica. Quem lhes faz os tratamentos, os supervisiona e lhes dá os nomes. Com este patudo, no entanto, a última tarefa foi mais difícil, mas, ao mesmo tempo, óbvia: “Tenho mais de 200 cães e gatos, e, por vezes, fica mais complicado encontrar nomes diferentes. Mas estava a pensar e acho que Alcatrão seria a melhor escolha. Ainda pensei: ‘Coitadinho’, mas acabei por decidir dar-lhe esse nome”.

Assim ficou batizado. Mas de alcatrão só mesmo o nome, porque a enfermeira fez questão de o livrar que qualquer réstia de tinta que ainda tivesse no pêlo: “Mal chegou, demos-lhe um banho. O alcatrão parece não lhe ter chegado à pele, tanto que ele nunca se mostrou incomodado quando o lavámos. Mas pode levar alguns dias a reagir”, explica a enfermeira.

Alcatrão é extremamente meigo e tem a inocência infantil típica de cães com apenas um ano, a idade que os seus dentinhos estimam ter. Durante 15 dias, ficará na clínica do CAGIA, a ser vigiado, e à espera que apareça o seu possível tutor. Depois, procurará uma família que o ame, e ao seu pêlo meio alaranjado. Que, apesar de não ter manchas pretas, não deixa de ser único.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias de Alcatrão.

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