Família

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Custos são entrave à adoção de animais de assistência. Provedora propõe solução

Laurentina Pedroso defende a criação de um Programa Nacional de Proteção dos Cães de Assistência para apoiar as famílias.

Os animais de assistência garantem a pessoas com diversas incapacidades vidas mais fáceis e uma companhia valiosa. Contudo, por mais vontade que as famílias portuguesas tenham de integrar um patudo nos seus núcleos quando nestes existem pessoas com limitações, os custos podem ser uma entrave. Laurentina Pedroso, Provedora do Animal, defende a criação de um Programa Nacional de Proteção dos Cães de Assistência para dar resposta a este problema.

Em comunicado, a provedoria do animal explica que a presença de cães treinados para lidar com diversas condições permite mais autonomia, segurança e liberdade. No dia-a-dia, os patudos ajudam os tutores a “ultrapassar barreiras físicas e sociais”, permitindo que “as pessoas estudem, trabalhem, se desloquem e participem na comunidade com maior independência”.

Este papel é indissociável dos custos de alimentação e cuidados veterinários, que nem todas as família conseguem suportar — uma realidade acentuada quando “o animal envelhece e deixa de poder trabalhar”. “Nessa fase, a pessoa pode necessitar de um novo cão de assistência e ter de assegurar os encargos de dois animais”.

O Programa Nacional de Proteção dos Cães de Assistência destina-se a garantir a saúde e o bem-estar destes animais ao longo de toda a vida, prevendo o treino necessário e a atividade até à reforma.

Ao abrigo do plano, a preferência é que os cães reformados permaneçam com os tutores. Caso isto não seja possível, devem ser acolhidos por uma família ou adotados. “Um cão de assistência não é apenas um animal treinado para cumprir uma função. É presença, confiança e segurança. A sua reforma deve ser uma etapa protegida, junto de quem ama e com acesso aos cuidados de que necessita”, afirma Laurentina Pedroso, 

As três facetas do programa

Primeiramente, o plano prevê a criação de um registo específico no Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC). Este deve permitir a identificação dos cães, acompanhando o seu percurso desde o treino, passando pela atividade e chegando à reforma.

O segundo eixo consiste na criação de um Voucher Saúde Animal, destinado a apoiar os cuidados veterinários. O terceiro prevê um Voucher Alimentação, que assegure uma alimentação adequada à idade, atividade e estado de saúde de cada animal. 

Estas medidas, que seriam adaptadas às necessidades individuais de cada animal, reduziriam a pressão económica sobre as famílias, contribuindo para que a privação da assistência por parte de quem precisa fosse uma entrave por falta de recursos. 

A coordenação do programa seria assegurada pela DGAV, e a implementação levada a cabo pela Provedoria do Animal. A proposta contempla ainda a colaboração do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, das organizações que formam e atribuem cães de assistência, das associações representativas das pessoas com deficiência, dos centros de atendimento médico-veterinário e das empresas do setor da alimentação animal.

De seguida, carregue na galeria para conhecer Pedro e Java. Pedro é cego, e terminou o doutoramento em Coimbra graças a Java, treinada pela Escola de Cães-Guia para Cegos.

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