Família

Especialista em etiqueta defende que escolha de animais é um ato de afirmação social

Professor universitário acredita que o crescimento de número de pets em Portugal exige regras de etiqueta e comportamento.
As famílias têm cada vez mais amor para dar aos seus animais.

O crescimento do número de animais de estimação em Portugal mudou as dinâmicas sociais e exige novas regras de relacionamento entre as pessoas. Quem o diz é Vasco Ribeiro,  professor universitário no Isla – Santarém, e autor de vários livros sobre Etiqueta.

Autor de “Etiqueta Moderna” e “Cortesia, Etiqueta & Protocolo na Hotelaria de Luxo”, o autor acredita que está na hora de escrever um livro sobre as regras de etiqueta e boas maneiras que os tutores “devem ter presentes quando passeiam os cães na rua ou recebem visitas em casa, por exemplo”. Em 2019, quando lançou o seu último livro, incluiu um capítulo sobre esta temática, mas agora “está na altura em pensar mais a sério sobre este assunto, tão importante nos dias que correm”.

Vasco Ribeiro na apresentação do último livro.

“Os animais ganharam um novo papel na sociedade. Cada vez mais famílias portuguesas têm cães e, da minha observação e leituras, tenho concluído que há uma grande necessidade de criar regras de domesticação social dos animais“, conta à PiT. E dá exemplos: “se eu convido uma pessoa para jantar em minha casa e sei que ela tem pavor a cães, manda o bom-senso que eu deixe o meu cão na cozinha ou na varanda e não exponha o meu convidado a um stress injustificado”, afirma.

O especialista, licenciado em Restauração e Catering, Mestre em Marketing e Promoção Turística e com dois Doutoramento (Ciências Empresariais e Turismo), considera que “novas questões exigem novos comportamentos”. “O mercado está a mudar muito e a PiT, aliás, é bem um exemplo disso. Há cada vez mais restaurantes e hotéis pet friendly. Mas as pessoas têm de ter presente que a liberdade de poderem levar os animais para sítios públicos exige também o outro lado da moeda: a responsabilidade de respeitarem a liberdade de quem não ser incomodado“, sublinha.

Usar trela para evitar males maiores

O uso de trela é uma dessas regras, que, apesar da sua obrigatoriedade, precisa de continuar a ser trabalhada. “As pessoas têm de se consciencializar que o uso da trela, além de obrigatório, é também uma forma de proteção para o próprio tutor. As pessoas pensam sempre que o seu cão é calmo e, portanto, não precisa de trela. Mas esquecem-se da interação com outros cães, menos sociáveis, ou das crianças que têm medo de cães. Um cão à solta num espaço público pode criar problemas desnecessários”.

Vasco Ribeiro alerta também para a necessidade de “ter atenção à estadia em hotéis pet friendly”. “Um hotel não se equipara à sua casa, e não sendo o habitat do seu animal de estimação não o deixe só em nenhuma zona comum de um hotel (lobby/receção, bar, restaurante, etc.). Um cão ou gato assustado pode facilmente partir algum elemento decorativo do hotel, puxar ou rasgar um cortinado, puxar os fios de um tapete ou carpete, riscar algum móvel ou até começar a ladrar ou miar alto e incomodar os restantes hóspedes”, escreveu o autor no livro “Etiqueta Moderna”, publicado em 2019.

O professor universitário considera ainda que “não basta querer um cão e ter muito amor para lhe dar”. “É claro que isso é o mais importante, mas é fundamental os próprios tutores perceberem que há uma responsabilidade individual perante o animal, mas também uma responsabilidade social perante os outros”.

E não tem dúvidas que, cada vez mais, os animais são tratados como filhos e são um prolongamento da personalidade dos seus tutores. “Há muitos estudos que o provam. Até a própria escolha dos pets tem a ver com a nossa forma de encararmos o mundo. A nossa escolha é sempre um ato de afirmação social. Por alguma razão, pessoas mais corpulentas escolhem cães de porte médio e grande e as senhoras preferem cães pequenos, como Caniches. Os Weimaraner ou os Dalmatas são um statement, e normalmente raças mais escolhidas por tutores de classes sociais mais altas.

Veja na galeria alguns dos conselhos de Vasco Ribeiro no que toca a etiqueta animal.

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