Quem tem um animal de estimação sabe que qualquer fotografia ou objeto que faça lembrar o pequeno companheiro ganha rapidamente um lugar especial. A Mil Graus levou essa ideia um passo mais longe ao transformar cães, gatos e todo o tipo de animais em figuras de cerâmica que ficam dentro de canecas personalizadas.
A história começou a 26 de agosto de 2021, quando a Mil Graus nasceu como um hobby. As Pet Mugs, no entanto, só apareceram mais tarde, no início de dezembro de 2024, quando Luana Dinis decidiu fazer uma caneca personalizada com a cadela do namorado como prenda de natal.
“Foi no natal uma prenda que eu decidi oferecer ao meu namorado com a cadelinha dele”, conta a ceramista de 27 anos. Depois de partilhar a peça nas redes sociais, começaram a chegar pedidos. “Decidi partilhar na página e desde aí comecei a ter mesmo muita procura”.
O conceito é simples de explicar, mas complicado de fazer. Cada caneca é feita manualmente e recebe uma pequena representação tridimensional do animal, construída a partir das fotografias enviadas pelo cliente. A intenção não é criar uma cópia exata, mas conseguir que o dono reconheça o animal.
“Eu não penso como se fosse uma caricatura. Quando vejo o animal pela primeira vez, penso qual é a primeira coisa que me está a chamar a atenção” explica. Pode ser o formato das orelhas, uma mancha específica, o focinho, o pelo ou até uma maneira particular de estar. “Às vezes há cães que eu costumo fazer sempre de boca aberta. Houve um recentemente que a coisa que mais me chamou a atenção é que ele tinha sempre a língua de fora”, recorda.
É precisamente essa atenção aos detalhes que faz com que duas encomendas nunca sejam exatamente iguais. Até agora, a maioria dos pedidos tem sido para cães e gatos, mas Luana aceita todos os animais. Já fez peças com coelhos, porquinhos-da-Índia, papagaios, patos, cavalos e aves. Ao contrário de uma coleção produzida em série, cada Pet Mug obriga a começar novamente do zero. “Nunca é o mesmo animal. São sempre animais diferentes, pedidos diferentes”, explica.

Depois de a encomenda ser aceite, a produção pode demorar entre quatro a seis semanas, dependendo da quantidade de pedidos que esteja em espera. Para conseguir gerir o volume de trabalho, Luana abre a agenda por lotes de cerca de 60 encomendas. Quando esse número é atingido, fecha os pedidos até conseguir terminar a produção.
Em cerca de um ano e meio, já terá produzido mais de 350 Pet Mugs, uma dimensão que acabou por alterar completamente o rumo da marca. Antes desta ideia, Luana trabalhava com coleções temáticas de peças de uso diário. Uma delas foi criada para o dia dos namorados e brincava com a ideia de estar melhor sozinho do que numa relação, a frase era “Better Alone Than Kissing Frogs” e, dentro da caneca, aparecia um sapo.
Nem todas as encomendas têm um lado divertido, também existem Pet Mugs feitas para recordar animais que já morreram. Luana recebe pedidos de cães e gatos que partiram recentemente, mas também de animais que fizeram parte da infância de alguém há muitos anos. “Também acontece muitas dessas chávenas serem animais que já não estão entre nós. É uma forma de continuarem a estar no início do dia de cada pessoa”.
Uma das encomendas que mais a marcou foi uma cliente pedir uma urna para guardar as cinzas do animal, com um cão em 3D na tampa, seguindo a lógica das figuras que aparecem nas canecas. “É uma peça um pouco triste de fazer”, admite. Depois de partilhar o trabalho nas redes sociais, surgiram outros pedidos semelhantes. É uma vertente que não tinha planeado explorar, mas que acabou por mostrar outra dimensão do projeto, onde a cerâmica também pode servir para preservar uma memória. “É uma forma bonita de honrar os animais.”
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Uma Pet Mug com um animal custa 38€. É possível acrescentar mais animais à mesma peça, com um custo adicional de 7€ por cada um. Também é possível pedir personalizações, como alguma roupa que o animal costuma usar ou brinquedos representados em 3D na pega. Todos os pedidos estão carimbados com o nome do animal.
Há ainda a possibilidade de encomendar outras peças além das canecas, como tábuas de servir ou taças. Nesse caso, o preço é definido através de um orçamento personalizado, dependendo do pedido.
A ideia de personalização estende-se também aos workshops da Mil Graus, embora as Pet Mugs não façam parte das atividades regulares. O motivo é serem peças demasiado minuciosas para serem concluídas durante uma sessão de duas horas.
Nos workshops de iniciação, Luana prefere não impor uma peça específica aos participantes. Cada pessoa pode escolher o que quer criar, dentro das possibilidades de quem está a ter um primeiro contacto com a cerâmica. “Quando eu comecei o meu processo de aprendizagem da cerâmica, uma das coisas que era comum era que os professores definissem qual seria a peça que os alunos faziam. E aos meus alunos não gosto de fazer isso.”
Chávenas, pratos, copos de café, mini-jarras, suportes para incenso, velas ou argolas de guardanapos são algumas das possibilidades. A sessão está dividida entre modelação e pintura, com cerca de uma hora dedicada a cada etapa.
A experiência custa 28€. O vidrado, acabamento brilhante que permite utilizar a peça para beber ou comer, é opcional e custa mais 7€ por peça. Desta forma, cada participante decide quanto quer gastar e quantas peças pretende vidrar.
As sessões recebem pessoas de várias idades e perfis. Há famílias com crianças, grupos de amigas, casais e participantes individuais. Para Luana, a parte mais especial é precisamente trabalhar o barro com as mãos “Sinto que as pessoas gostam mais de estar a modelar, ou seja, de estar a tocar no barro, a experimentar e a criar”, explica. A razão está na possibilidade de fazer algo tridimensional com as próprias mãos, uma experiência mais difícil de reproduzir em casa.
Em setembro, os workshops de iniciação à cerâmica estão marcados para os dias 6, 13, 20 e 27, aos domingos. Atualmente, as sessões decorrem na Saponina, uma loja de cosmética biológica em Belas que recebe diferentes workshops.
Apesar do espaço atual, a Mil Graus está a preparar uma nova fase. Luana já tem um espaço próprio, que deverá abrir ao público em breve. Será aí que pretende concentrar os workshops e desenvolver outras atividades que cruzem a cerâmica com o universo dos animais.
Em outubro, está previsto um workshop ainda por divulgar oficialmente, desta vez pensado para participantes que queiram levar o animal de estimação. A ideia é criar uma taça de comida ou de água para o próprio animal, numa atividade ao ar livre, num jardim.
Para Luana a principal preocupação continua a ser manter uma relação próxima com quem compra. “É um cão que tem este nome, que vai para esta pessoa, que tem esta história e que sou eu que tenho a sorte de poder estar a fazer isso.”
Carregue na galeria para conhecer mais peças feitas na Mil Graus e os workshops realizados.







