Família

Eva sonha com um lar há 11 anos. Está em Ponte de Lima e ninguém a quer

A cadela de 14 anos vive num abrigo e já faz mais de uma década que não recebe candidaturas para a sua adoção.
Foto: Michele Hasselti.

Eva já viveu várias vidas. E a mais longa está a ser dentro de uma box. A cadela de 14 anos foi acolhida pela Associação Limiana dos Amigos dos Animais de Rua (ALAAR) em Ponte de Lima, no Alto Minho,  quando ainda era jovem e embora tenha tudo o que precise lá, não tem o essencial: uma família que se dedique completamente à ela. Ainda assim, não perdeu as esperanças. 

A história da patuda teve o seu início em 2011, quando foi avistada a andar completamente desorientada no centro de Esposende, distrito de Braga. Na altura, ainda jovem e cheia de energia, não se deixava apanhar. Uma protetora dos animais começou a acompanhá-la e, certo dia, a sorte sorriu ao seu favor. 

“Ela conseguiu encurralá-la e com uma trela de gato conseguiu passar-lhe na cabeça e apanhá-la”, conta à PiT a ALAAR. “A partir do momento em que ficou de trela, transformou-se completamente: passou a ser uma cadela super meiga e contente”, recorda.

A protetora colocou Eva num terreno que pertencia ao seu pai em Barcelos. Contudo, a saga não terminou por aí: os cuidadores aperceberam-se que a patuda conseguia fugir com muita facilidade. A então responsável pela cadela conseguiu esterilizá-la e pouco tempo depois, foi contactada pela antiga cuidadora de Eva, que a informou que a patuda tinha sido abandonada recém nascida no lixo e alimentada a biberão.

“Ela soube ainda que ela tinha sido dada a um senhor que a abandonou, e foi nessa altura que andou por Esposende”, explica. “Entretanto, enquanto ainda estava com essa protetora que a resgatou, conseguiram uma adoção mas foi devolvida sem motivo aparente”. A adoção e posterior devolução aconteceram quando Eva tinha dois anos e foi com esta idade que foi para a ALAAR.

Hoje já é uma sénior. Foto: Michele Hasselti.

Eva procura um lar definitivo ou uma FAT

Já na associação no Alto Minho, Eva chegou a ser adotada novamente. Contudo, acabou por fugir e passou vários dias a correr pela freguesia de Ponte da Barca. “Ela só parou quando a pessoa que a resgatou em Esposende a chamou e ela reconheceu a sua voz”, recorda a associação de resgate. “Tinha as patinhas em ferida de tanto correr”. 

Quando foi capturada, voltou a associação e desde esta altura, há mais de uma década, nunca mais teve interessados na sua adoção. “Quando era mais nova, a Eva era uma autêntica gazela que ganhava asas nos pés quando a soltávamos no parque”, recorda. “Agora, já mais velhinha ainda tem alguma energia mas não tanta. Contudo, a sua doçura e a ternura do seu olhar permanecem. Ela é mesmo um amor”, garante. 

Ao contrário dos outros animais da associação, Eva não procura mimos quando vê as voluntárias — fica mais ansiosa quando as vê porque sabe que vai fazer o que mais gosta: passear no parque do abrigo. “Só depois disso é que vêm os mimos que ela também gosta”, partilha. “Inicialmente, retrai-se um pouco ao toque, mas depois de conhecer a pessoa já aceita melhor”.

A patuda é muito sociável com outros cães e pode ir para um lar que os tenha. Com gatos, nunca teve qualquer contacto e com os miúdos, também é meiga, desde que respeitem o seu espaço.  “O lar ideal passaria por um espaço amplo, onde não tenha de subir muitos degraus, ou nenhuns, de preferência, e com acesso a jardim e com outros cães pois é muito sociável”, avança. 

A família também precisa ser paciente e entender os limites da cadela. “Ser persistente, mas não insistente”, pede a associação. “A Eva inicialmente precisa de entender que há mãos que lhe tocam por bem. De resto, é uma exploradora nata, que caminharia horas a fio”.  Eva também não resiste a uns bons mimos e adora frango, sendo este a sua “maior fonte de energia”.

Os interessados em adotá-la ou em acolhê-la como família de acolhimento temporário (FAT) devem contactar a associação por Messenger do Facebook ou Instagram.

A seguir, percorra a galeria para ver a transformação da patuda.

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