Família

Faltam 300€ para mudar a vida de Mário, Patrícia e os seus 11 animais

O casal partilha um quarto sem condições com os 11 animais. Falta espaço, bem-estar e saúde. Mas não falta esperança.
Será desta vez?

Dois meses depois de a PiT ter dado a conhecer a situação de Mário e Patrícia Gouveia, um casal que está à procura de melhores condições de vida para os seus animais, a onda de solidariedade não para. A história já chamou a atenção de várias figuras públicas como António Raminhos, Inês Sousa Real, Inês Simões e Helena Isabel, mas ainda não é o suficiente para os deixar descansados.

“Não consigo dormir e a médica já tinha passado pelo menos duas ou três noites no hospital, mas não queria nada afastar-me dos meninos com esta situação”, começa por contar à PiT Patrícia. Pela primeira vez, e para tentar conseguir as ajudas de que precisa, a amante de animais falou connosco para explicar os problemas de saúde que enfrenta. 

Aos 43 anos, Patrícia carrega várias cicatrizes, resultado de uma vida complicada. Quando pequena, foi alvo de vários abusos por parte dos pais e da irmã e quando conseguiu a ajuda de que precisava, já era “tarde demais”. “Sou diagnosticada com perturbação esquizoafetiva, stress pós-traumático, entre outras comorbidades”, partilha. “Já passei fome, fui sem-abrigo e tantas mais coisas inimagináveis para muitas pessoas”. 

A PiT teve acesso aos documentos oficiais que comprovam a condição e a incapacidade da mulher, bem como a algumas receitas dos medicamentos que toma e um atestado que comprova o “grande impacto” da doença mental nas suas funcionalidades. “Apesar de não conseguir ter um trabalho fora, sempre me dediquei a trabalhos feitos por mim”, partilha. “Roupinhas em tricot, crochê, trabalhos em macramé e o Mário faz alguns móveis de parede para gatinhos”. 

Nesses últimos anos, o casal tem passado por vários momentos delicados e agora, graças à solidariedade que está a sentir por parte daqueles que o tem apoiado, tem esperanças. Mário e Patrícia encontraram um terreno em Castelo Branco, onde podem dar início a uma nova vida. Embora seja simples, segundo descreve o homem, é o que precisam para viverem em paz. 

O proprietário do terreno está disposto a aceitar um contrato-promessa de compra e venda com um pagamento inicial de 10 mil euros, mais as rendas mensais durante um período de cinco anos — as quais vão também precisar de ajuda para suportar. 

Até a data,  juntaram 9.700€ e têm pouco menos de um mês para conseguirem o restante. Atualmente, estão num quarto em Oeiras, mas já receberam várias ameaças e têm de sair o mais rápido possível. O casal tem recebido doações através de uma página de angariação, onde têm acrescentado também todos os apoios que recebem através do Mbway (934889556) e IBAN: PT50 0010 0000 4604 3370 00147.

Uma das roupas feitas por Patrícia.

Chegaram a vender a aliança de casamento para cuidar dos animais

Ao contrário do que muitos podem pensar, Patrícia frisa que não é uma acumuladora. Ao lado de Mário, começou a resgatar animais quando ainda tinha um lar decente e quando a situação ficou complicada, não os deixou para trás.

“Os acumuladores são pessoas que não cuidam, vivem em ambientes de extrema insalubridade, lixo e até cadáveres. Eu sempre coloquei os meus meninos acima de tudo, quer em cuidados médicos, alimentação e higiene”, garante à PiT. “Sempre limpei o ambiente compulsivamente e agora não o consigo fazer tanto porque estamos todos a viver em escassos metros quadrados, uns em cima dos outros. É muito complicado”, lamenta. 

Logo após perderem a casa onde viviam em Santarém, encontraram um “barraco” para viver na Várzea (União das Freguesias de Romeira e Várzea, pertencente ao município de de Santarém). Lá, Mario apanhou uma infeção grave e alguns dos cães não resistiram à falta de condições. 

“Não tínhamos para onde ir e também ninguém nos alugava uma casa tendo nós animais. Mas, abandonar os nossos filhos queridos, não é, nem nunca foi uma opção”, contou-nos Mário em abril. “Caíam larvas por cima do lavatório, havia ninhadas de ratos até por cima do fogão”. 

Em vídeos enviados à PiT, Patrícia também recorda a situação com uma dor no coração. “Nem luz entrava e estava em risco de derrocada”, aponta. “Não tínhamos um único aparelho porque avariaram todos com os circuitos eléctricos à vista e à chuva. Foi um sítio que só nos trouxe doença, morte e destruição. Agravou muito o meu stress pós-traumático”. 

 
 
 
 
 
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Mário e Patrícia são casados há 24 anos e nos últimos cinco, quando a situação se agravou, encontraram um porto seguro no amor que partilham um pelo outro e pelos seus filhos do coração.

“Vendemos tudo, do pouco que tínhamos, para nunca faltar nada aos nossos meninos. Até as nossas alianças de casamento serviram para os cuidados de saúde”, partilha a mulher. “Hoje em dia, usamos das douradas que em menos de nada ficam prateadas mas não nos arrependemos e voltaríamos a fazer o que preciso fosse por eles”. 

O casal diz que já recorreu à todas as ajudas do governo português, mas não teve sorte. “Procurámos apoio, inscrevemo-nos para habitação social, recebemos assistentes sociais, fomos à Câmara e a resposta foi que não havia casas disponíveis para atribuir”, diz, acrescentando que já chegou a ser aconselhada a deixar os animais para trás.

O terreno em Castelo Branco que estão a negociar marca o início de uma vida tranquila. Contudo, têm medo que o proprietário desista do contrato, e querem conseguir os 300€ restantes o mais rapidamente possível.  “É a forma que temos de os compensar por todo o terror que os nossos animais viveram nestes cinco anos e de homenagear os meus filhos que partiram. Eles não merecem tudo o que passaram, merecem ser felizes”, frisa.

A seguir, carregue na galeria para conhecer os filhos do coração de Mário e Patrícia. Pode acompanhar a família através do InstagramFacebook.

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