Família

Gata colocada no forno por criança está a recuperar. Associação avança com queixa

Ariel tinha o corpo 50% queimado quando chegou à SOS Bigodes. Os tutores demoraram uma semana a contactar o veterinário.
Esperam muitos meses de recuperação à pequena Ariel.

Ariel chegou às mãos da SOS Bigodes muito diferente de como a tinham deixado. A gata branquinha vinha com fortes queimaduras, num estado de saúde muito debilitado e com um grande trauma às costas. O que a deixou assim foi o que revoltou a associação.

“Esta é a Ariel, tem quatro meses, e é mais uma vítima nas mãos dos seus donos negligentes”. Foi esta a primeira frase do texto que acompanhou as fotografias chocantes publicadas no Facebook da associação, da gata cujo corpo estava 50% queimado.

A gata foi resgatada da rua em setembro. No mesmo mês, a ternura foi conquistada por um casal com uma filha de três anos, que a adotaram. A SOS Bigodes, sediada em Barcelos, achava que tinha deixado Ariel em boas mãos, e as primeiras fotografias que a família enviou assim o confirmavam. Contudo, o pior cenário chegou dois meses depois.

“A senhora ligou para uma clínica em Barcelos para perguntar como podia abater a gata”, começa por descrever a presidente da SOS Bigodes, à PiT. “Quando a veterinária perguntou o motivo, a tutora disse que a filha de três anos a tinha colocado no forno há uma semana”.

A dona de Ariel argumentou que não tinha meios financeiros para suportar os custos veterinários, por isso, a melhor solução seria abater a felina. Uma decisão que a clínica para onde ligou recusou prontamente.

“Perguntaram se ela já tinha contactado alguma associação para a ajudar com as despesas. Ela disse que não mas que a Ariel tinha sido adotada de uma”. Foi aí que chegaram à SOS Bigodes, que ficou perplexa ao saber do sucedido.

Identificaram o chip da gata, que ainda correspondia ao colocado pela associação, uma vez que o animal aguardava por ser esterilizado e ainda não tinham passado seis meses desde a sua adoção. “Acabei por ligar para a tutora para saber mais informações, e só depois de insistir muito é que ela me contou. Pensava que o acidente tinha acontecido há uma ou duas horas, pois a veterinária da clínica tinha-se esquecido de me contar esse detalhe, e não quis acreditar quando ouvi que tinha sido há uma semana”, descreve, revoltada, a presidente da associação.

A responsável soube ainda que Ariel tinha ficado toda a semana fechada numa garagem, para a “proteger da filha”: “Ao que parece, a miúda abusava muito dela”. Além de não ter supervisão e de estar fortemente ferida, não tinha as condições necessárias para recuperação: “Quando ela chegou, tinha areia colada no meio da pele. Ela nem pode ter areia perto dela. Na clínica, ela está só com tiras de jornal”, explica.

A gata branca foi imediatamente transportada para uma clínica, em estado crítico: “Não sabiam se ela ia sobreviver. A doutora colocou-lhe uns pensos e esperou pelas 24 horas seguintes para ver se ela resistia. Mas ela é uma guerreira e mostrou querer lutar pela vida”, diz animadamente.

Mesmo estando a soro e com o corpo ligado, Ariel não perdeu as suas qualidades ternurentas: “Ela é um amor. É muito meiga, e talvez tenha sido por isso que abusaram dela. Mal me viu, veio logo pedir mimo”.

Ariel está a recuperar, mas a presidente assegura que ainda lhe restam muitos meses na clínica. Agora, estão a experimentar um novo tratamento, com recurso à pele do peixe Tilápia, com o objetivo de lhe reconstruir a pele: “Se correr muito bem, pode até voltar a ganhar pelo”, assegura a veterinária de Ariel.

A gata, contudo, já tem uma família à sua espera quando recuperar: “Eu queria ficar com ela, mas, como ainda estou em socialização com outra gata cá em casa, não sei se consigo. Caso não consiga, tem uma adotande, muito minha amiga e que trabalha na área da veterinária, que a recebe”, garante.

Ariel tinha sido adotada em setembro.

SOS Bigodes “fala pelos que não falam”, e queixa já foi apresentada na GNR

Quando o caso lhe chegou às mãos, que a associação de Barcelos sabia que tinha agir judicialmente. “Para nós, o problema não foi a suposta criança de três anos. Foi a negligência de a terem deixado naquele estado durante uma semana, sozinha, numa garagem”, garante à PiT a presidente da associação.

A responsável dirigiu-se à GNR para apresentar queixa. No entanto, disseram-lhe imediatamente que a queixa seria feita de qualquer forma, por se tratar de um crime público.

A associação tratou ainda de avisar a tutora da queixa: “Mandei-lhe mensagem por Facebook, e ela ameaçou-me. Por isso, bloqueei-a, e ela começou a ligar-me várias vezes e a mandar mensagens a dizer que ia encontrar localização da associação e que vinha cá”.

“Em tribunal, vamos ver se foi mesmo uma criança a meter a gata no forno. Nós, enquanto associação, não acreditamos. Mas vamos ver”, remata.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias da gata Ariel (aviso: algumas imagens são sensíveis).

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