“Os animais de ninguém são de todos nós”. Foi este o pensamento que arrancou o Dia do Animal, celebrado a 4 de outubro, no Colégio Casa Menino Deus, em Barcelos, no Distrito de Braga. A escola juntou alunos e famílias do 1.º ciclo com o objetivo de ajudar os animais de uma associação local, a Orelhas Sem Dono, a encontrarem um novo lar. E não foi a primeira vez.
Celia Ferreira, uma das professoras da escola, cuida de uma colónia de gatos na região e esteve sempre muito ligada aos animais, especialmente os resgatados pela associação. Graças ao cargo que exerce, viu ali uma oportunidade de partilhar a mensagem que acha importante com os mais novos: o respeito e o cuidado com os patudos.
“Ao trabalhar o bem estar animal com os pequenos, estamos também a reeducar as famílias”, começa por explicar à PiT. “Eles são os motores das casas, são eles que levam as novidades aos pais que são ouvidas ao final de um dia. Se forem felizes e disserem que os animais são nossos amigos e que o gato da rua não sobrevive sozinho, que precisa de ajuda, entre muitos outros casos, que coração de pai ou mãe não começa a refletir a isso?”.
A escola tem como patrono São Francisco de Assis, o padroeiro dos animais, cujo aniversário também é celebrado a 4 de outubro. Na data que assinalou o Dia do Animal e nas semanas que se seguiram, os miúdos participaram num conjunto de atividades cujo principal foco foi ajudar os cães e gatos de ninguém, além de receberem a visita do padre Paulo Duarte que “benzeu os animais dos alunos”.
“Convidámos a Orelhas Sem Dono a trazer os cães ao seu cuidado e cada turma elaborou um vídeo para promover a adoção dos animais sob o mote ‘Adote um Amigo'”, partilha. Além do abrigo, o Gabinete Veterinário do Município de Barcelos juntou-se à iniciativa e trouxe Avelã, uma cadela resgatada em péssimas condições e que também estava à procura de um lar.
Já para os gatos, que são mais sensíveis ao barulho, os estudantes fizeram cartazes sob a temática de bem estar e saúde animal para divulgar os felinos disponíveis para adoção. “As ninhadas são muitas e há mães que estão esquecidas e a estas, juntam-se ainda os gatos pretos e tricolores”.

Trabalhar as competências sociais é “muito importante”
Para ajudar a divulgar os cães, cada turma ficou responsável por um patudo. Nestes, exploraram a criatividade e apresentaram, de forma divertida, a história de cada um bem como a sua personalidade. “Já viram este corpinho? Sou muito comilão”, brincaram os mais novos no vídeo de Devin, um cão de três meses abandonado com os irmãos.
Já a turma do terceiro ano, ficou responsável por Stacy, uma cadela abandonada duas vezes. “No nosso ver, ela é a cadelinha mais brincalhona, amorosa e beijoqueira”, defenderam os miúdos.
Por outro lado, apesar da data ter sido especial, é ao longo de todo o ano que Celia Ferreira aproveita os conteúdos que aborda para incluir os animais. Este ano, a professora fez ainda um trabalho em que os miúdos tinham de apresentar o animal de estimação que tinham, entre cães, gatos, peixes, tartarugas, coelhos, entre outros. Caso não o tivessem, bastava dizer qual gostariam de ter.
Além disso, no mesmo trabalho, tiveram de apresentar os cuidados a ter com os companheiros de quatro patas, bem como as medidas de prevenção para evitar desaparecimentos, o que fazer caso um cão ou um gato esteja perdido e quais as associações locais de proteção animal que existem na região para ajudar.
Segundo Celia, ter contacto com com o mundo animal desde cedo é essencial para “trabalhar as competências sociais” dos mais novos. “Sair do seu ‘eu’ e olhar outros ‘eus’ deveria ser um pilar da educação”, defende. “Desenvolver estas competências nas crianças é muito importante porque elas gostam de ser membros ativos, adoram sentir que fizeram o bem”.
Carregue na galeria para ver algumas das atividades promovidas pelo Colégio Casa Menino Deus.








