Família

Inox — o gato incontinente que vivia numa box minúscula já tem um lar

Estava em Oliveira de Azeméis, ao cuidado da ResGato, e sem grandes expectativas. Mas um casal de Paredes mudou-lhe a vida.
Inox já tem um colo só dele.

A vida de um gato errante nunca é fácil. Mesmo quando encontra uma colónia controlada, onde seja aceite pelos restantes residentes e onde é diariamente alimentado, os perigos da rua são muitos. E, por isso mesmo, a sua vida acaba muitas vezes por ser curta. Foi o que quase aconteceu a Inox – mas o destino tinha outros planos para ele.

Inox apareceu um dia numa colónia controlada, em Oliveira de Azeméis, e por lá ficou. Deu-se bem com os outros gatos, não armava confusão e, por isso mesmo, foi bem aceite por todos. Integrou-se e aceitou a sua nova vida, depois de, muito provavelmente, ter sido ali abandonado – pois tinha todas as características de já ter tido uma casa. Mas, subitamente, algo lhe aconteceu. Inox não estava bem e piorava de dia para dia. A protetora da colónia percebeu que o gato estava muito debilitado e pediu ajuda à ResGato, a associação da zona.

Estávamos em maio. “Quem o alimentava começou a perceber que o seu estado piorava cada vez mais e pediu a nossa ajuda. Foi facilmente capturado, tal era o seu estado debilitado. Cheirava a podre e estava tão assustado que teve que ser sedado para ser manipulado”, explicou à PiT a presidente da associação, Matilde Evangelista.

Inox salvo no momento certo

Foi resgatado na hora certa. Tinha inúmeras feridas ao longo do corpo e a cauda “pendurada” – e não havia dúvidas de que teria de ser amputada, mas a prioridade foi estabilizá-lo, já que estava com uma septicemia grave”. Apesar dos receios de que não sobrevivesse, revelou-se um resistente e conseguiu dar a volta por cima, tendo a cauda sido depois amputada.

Mas as mazelas deixaram marcas. Inox ficou incontinente e não se sabe ainda se é reversível, razão pela qual era praticamente invisível aos olhos de todos, mesmo com os apelos sucessivos da ResGato. A situação estava insustentável, pelo que a associação publicou um post no Facebook, a 14 de julho, explicando que teria de o devolver à colónia se não surgisse uma família para ele, já que a vida numa box minúscula era insustentável. A associação contou também a história à PiT e toda a divulgação deu frutos. Mas só uma candidatura sobressaiu como sendo a certa.

“Tivemos imensos interessados, mas nem liam a publicação. Pensavam que era pegar no gato, meter no quintal e deixá-lo livre, e ele que se desenrascasse. Mas o nosso objetivo foi sempre que tivesse acesso controlado ao exterior, num terreno vedado, com rede protetora, sem acesso à via pública”, explica Matilde Evangelista à PiT.

Agora nada lhe falta

Por entre as muitas candidaturas, “a da Ana Catarina Leocádio foi a única que se destacou”, conta a presidente da ResGato. “Além de ser voluntária de uma associação na zona onde vive, é ainda família de acolhimento temporário de animais dessa mesma associação. Tem uma gata que ninguém queria, porque não anda das patas de trás e precisa que lhe esvaziem a bexiga manualmente. Ou seja, uma situação ainda mais complexa do que a do Inox, que urina e defeca sozinho. Como já tinha de fazer isto com a sua gata e trocar-lhe a fralda, não via qualquer problema em ter de fazer isso a outro gato. Ela e o companheiro são um casal incrível, são pessoas muito presentes na causa animal”.

“Esta família viajou de Paredes para vir realizar esta adoção. Mesmo já tendo vários animais a seu cargo, vieram mudar mais uma vida e nós seremos eternamente gratos. Desde o dia em que foi solto daquela box e colocou os pés na nova casa, foi muito bem recebido pelos restantes felinos. Vive assim feliz, na sua bolha de amor com os seus humanos e novos irmãos”, sublinha a ResGato.

Inox está feliz. E não está sozinho

E não só. Inox está a ser seguido para ver se há possibilidade de reverter o seu problema e está até a fazer acunpuntura. “Eles são excelentes, sempre a darem notícias e a mandarem fotos. O Inox não podia estar melhor. Em tantos anos de resgates e adoções, foi a primeira vez que conseguimos realizar uma adoção de um animal incontinente”, diz Matide à PiT. “E o mais incrível de tudo é que voltaram à nossa associação para adotarem outro gato”.

“Eles adotaram o Inox porque um gato deles faleceu. Mas depois ainda vieram adotar outro, o Stephen”, explica a presidente da associação de Oliveira de Azeméis. “O Stephen era um gato com uma história traumatizante. Foi resgatado de uma valeta, em muito mau estado, e esteve a morrer. Como tinha a mesma cor, a mesma pelagem, do gato que lhes faleceu, eles voltaram e adotaram-no. Ou seja, adotaram-nos dois gatos adultos. São do melhor que há”, elogia.

Percorra a galeria para conhecer melhor o Inox, que vive agora a vida que todos os animais merecem, com muito carinho e bons cuidados.

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