As terapias assistidas por animais continuam a ganhar popularidade em diversas modalidades. Neste sentido, e reconhecendo os benefícios que a presença dos patudos pode significar, desde o início do mês passado que o Instituto Português de Oncologia de Lisboa (IPO) passou a recebe-los nas suas instalações.
A notícia chegou através das redes sociais no passado sábado, 30 de maio, onde a instituição explicou ter passado a contar com o projeto Pets&Health, apoiado pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, que leva ao hospital duplas de Serviços Assistidos por Animais, promovendo momentos de interação entre cães e pacientes.
A estreia das sessões aconteceu com os mais novos, estendendo-se depois ao Lar dos Doentes (o espaço do IPO destinado a utentes e acompanhantes que residem longe e precisam de tratamentos ou consultas por tempo prologando), e à Clínica da dor (destinada a acompanhar pessoas com dor crónica).
Paprika e Lola foram os primeiros terapeutas de quatro patas a ser recebidos. No comunicado, a organização comentou que, por coincidência, uma das jovens utentes presentes naquele dia tinha vestida uma camisola e um lenço com um desenho de um cão “muito parecido com aquele que encontrou no instituto” — como, aliás, pode ver-se na imagem da publicação. “Percebemos logo o seu carinho por animais, por isso ter apanhado a primeira visita foi um encontro verdadeiramente especial”, pode ler-se.
A organização adiantou ainda que a iniciativa está a decorrer com a participação de técnicas do projeto Qura – Quinta de Reabilitação de Albarraque, afirmando que “há momentos que não parecem por acaso”. “Estas sessões trazem mais leveza aos dias no hospital. Desejamos muito sucesso a este projeto”, conclui.
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Qura, o projeto terapêutico de Sintra
O projeto começou a ser idealizado muito cedo pela sua mentora e foi concretizado em 2012, estando assim no seu décimo ano de vida. E surgiu porque Inês Sousa, que é também psicóloga nesta equipa, sempre teve interesse nas terapias com animais. “Comecei com a equitação terapêutica, fiz estágio curricular numa associação hípica que funciona num centro hípico e aí surgiu o projeto como forma de nos diferenciarmos dos centros hípicos, criando um só espaço terapêutico”, contou à PiT. “É mais fácil em termos de articulação da equipa e também em termos de privacidade e tranquilidade dos clientes, o que num centro hípico não é tão fácil”.
Da restante equipa base fazem parte Joana Sousa, que é treinadora de cães e irmã de Inês, Sara Teixeira (psicomotricista) e Sónia Rosa (psicóloga).
Inicialmente, o foco era a terapia com cavalos — desde o nascimento da Qura que a égua Bolota faz parte da equipa —, e a psicoterapia assistida por cavalos, em que não há trabalho montado e são propostos objetivos às pessoas ou grupos. Depois, vieram os cães.
“Também começámos a ter formação em treino com cães e intervenções assistidas por animais. A minha irmã começou a organizar treinos e intervenções e fizemos uma parceria com uma entidade espanhola ao nível da formação, que é a El Racó de Milu”, explicou Inês. “Sempre tivemos cães, mas foi aí que surgiu o interesse pela terapia assistida por cães e toda a equipa fez formação nessa área”.
As intervenções assistidas por animais têm três áreas: terapias, atividades e educação assistida por animais. “Na Qura fazemos as terapias e as atividades assistidas por animais”, disse Inês, explicando no entanto que as atividades são mais pontuais.
Quanto às terapias, sempre com fim terapêutico, “o animal funciona como mediador da relação entre o terapeuta e a pessoa que nos procura e é igualmente um elemento de motivação, pelo que isto também lhe atribui um carácter lúdico”, sublinhou Inês.
Percorra a galeria para conhecer um pouco mais sobre a Qura e a sua equipa humana, equina e canina.








