Família

IRA resgata cadela atropelada nos Açores. Estava grávida e perdeu os bebés

Tinha microchip, o tutor diz que fugiu na caça e abriu mão dela. Já foi operada e perdeu os filhotes, mas está fora de perigo.
Em boas mãos.

Quando um animal não é visto como um membro da família, facilmente se torna descartável, sem que haja qualquer empatia ou sinal de amor por parte dos tutores. Acontece quando chegam as férias ou quando o patudo começa “a dar despesa”, por exemplo. Foi o que aconteceu a uma cadelinha em São Brás, uma freguesia da Ribeira Grande – na ilha açoriana de São Miguel –, que acabou por ter a sorte de ser resgatada pelo grupo Intervenção e Resgate Animal (IRA).

Estava a semana no início e o IRA já dava a conhecer mais uma operação de resgate. “Denúncia para cadela vítima de atropelamento, tendo encetado fuga com um abdómen anormalmente distendido para a lateral, em São Brás – Açores. Encontrando-se em risco de vida, a equipa do IRA Açores procedeu à sua captura e transporte imediato para clínica veterinária”, explicou o grupo numa publicação no Instagram.

“Após primeiros exames, verificou-se que a menina possui uma hérnia gigante e está grávida. No raio-X verificou-se, inclusive, a existência de uma das crias na região da perna, deslocamento possivelmente causado pelo atropelamento ou pela hérnia. Tem de ser operada de urgência devido ao seu estado”, rematava a publicação, apelando à ajuda de quem pudesse contribuir para as despesas.

No dia seguinte, novas notícias davam conta de que a cadelinha tinha nome – Barata – e um tutor, que a descartou de imediato. “A menina resgatada ontem nos Açores, grávida e vítima de atropelamento, tem microchip (identificação eletrónica). O detentor foi imediatamente contactado, tendo informado que a mesma lhe fugiu durante uma caçada há vários meses. Exposto à situação clínica da mesma, às contraordenações previstas e às despesas inerentes à cirurgia e recuperação da menina, o mesmo acedeu de imediato à transferência da titularidade do animal para a alçada do IRA”, sublinhou o grupo de resgate, acrescentando que a patuda iria ser operada.

IRA
Quando estava prestes a ser resgatada.

“Ela preferiu andar a deambular pelas ruas da ilha de São Miguel, à sua sorte, porque conseguiu fugir durante uma prática onde se matam outros animais. Parece quase uma história romântica se não fosse tão trágica. Agora caiu nas nossas mãos. Que comece a magia”, escreveu o IRA.

Na quarta-feira, 21 de fevereiro, nova atualização sobre a cadelinha com olhar ternurento, para dizer que prosseguia a sua cirurgia – com muitos seguidores do grupo de resgate animal ansiosos por boas notícias. E as boas notícias chegaram no dia seguinte, com o anúncio de que a Barata estava fora de perigo. Ainda assim, havia a lamentar a perda dos seus filhotes.

IRA aguarda alta hospitalar para Barata ser acolhida numa família

“Barata, a menina grávida e atropelada submetida a cirurgia está em recobro, estável e livre de perigo. Infelizmente os seus bebés não sobreviveram devido à pressão causada pela hérnia, ferimentos causados pelo atropelamento ou ausência de cuidados veterinários atempados. Aguardamos agora alta hospitalar para ser recolhida para família de acolhimento temporário ou definitivo, de forma a ser tratada como todos os animais merecem ser tratados”, avançou o IRA na publicação de quinta-feira.

O IRA tem núcleos em três zonas do país – Grande Lisboa, Grande Porto e ilha de São Miguel – e desde 2016 que tem resgatado muitos animais em condições miseráveis. Nestes anos de atuação, o grupo já realizou inúmeras intervenções em incêndios e cheias, centenas de resgates, ações sociais de ajuda aos sem-abrigo, apoio na Ucrânia e Turquia, e ajuda com donativos em géneros a famílias carenciadas. Percorra a galeria para ver alguns dos resgates do IRA nos últimos tempos.

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