Família

IRA resgata dois cães em Mafra. “A Bianca gania de felicidade”

Os patudos viviam em condições miseráveis e ficaram muito aliviados ao serem salvos. Bennie já tem uma família de acolhimento.
Bennie parece outro.

A lei de 2014 que criminaliza os maus-tratos a animais de companhia em Portugal, e que foi recentemente validada pelo Tribunal Constitucional, abrange o acorrentamento e a falta de condições de higiene, bem como a ausência de comida e água limpa, entre as situações inadmissíveis para a dignidade de um cão. Apesar disso, são muitos os casos em que os patudos ainda sobrevivem nestas condições – mas a população civil, cada vez mais atenta ao bem-estar animal, tem chamado cada vez mais a atenção para estas situações. O grupo Intervenção e Resgate Animal (IRA) recebe diariamente denúncias neste sentido e esta semana mais dois cães foram salvos pelo núcleo de Lisboa.

“Denúncia para um canídeo bastante magro, acorrentado num espaço conspurcado, com centenas de carraças penduradas na cabeça e corpo. Uma equipa do IRA já se encontra no local a tentar identificar o detentor, uma vez que o animal não possui microchip e não se encontra ninguém de momento na propriedade”, começou por partilhar o grupo de resgate na quarta-feira, 12 de junho. Nas fotos, um cão magro e de olhar triste partia o coração.

Pouco depois, chegava uma atualização sobre o caso, com o grupo a identificar a zona: Mafra. “Já apurámos quem é o detentor do canídeo magro, repleto de parasitas, sem comida, identificação eletrónica e acorrentado sem condições de bem-estar. Após contacto telefónico com o mesmo, informou-nos que estaria a trabalhar e só depois das 19h estará disponível para se deslocar ao local. Foi possível verificar a existência de mais um canídeo, nas mesmas condições”, adiantou.

Bennie e Bianca retirados já de madrugada

“Uma vez que os animais não possuem identificação eletrónica e dado o risco de poderem desaparecer sem deixar rasto, iremos permanecer no local até à chegada do detentor. Entretanto conseguimos dar alguma comida e abeberamento aos animais, já que será uma espera bastante longa”, prosseguia o IRA.

E a espera foi, de facto, longa. “Já eram 2h30 da manhã quando terminámos as diligências e o resgate afeto aos maus-tratos a dois canídeos, agora batizados de Bennie e Bianca. Os animais foram cedidos pelo ex-detentor sob o pretexto de ‘não ter condições para tratar dos animais’. Contudo, em momento algum nos mostrou registos ou indícios de ter procurado ajuda junto de instituições zoófilas para os seus animais”, explicava o grupo de resgate numa publicação feita já na quinta-feira.

“Estes animais estão doentes devido às centenas de parasitas agarrados aos seus corpos a sugarem-lhes o sangue, devido à água verde completamente suja nas suas taças e devido à alimentação em quantidade insuficiente, emagrecendo-os até ao dia de hoje. Depois de desapertarmos as suas coleiras e correntes, que estrangularam os seus pescoços a vida toda, o Bennie encheu um dos nossos operacionais de beijos enquanto a Bianca gania de felicidade”, anunciou o IRA, com os seus seguidores emocionados e a agradecerem o resgate dos dois patudos.

Só lhes faltam famílias definitivas

Bennie e Bianca foram imediatamente levados para instalações veterinárias, onde ficaram internados para cuidados e observação. Nesta sexta-feira, chegavam notícias ainda melhores: “O Bennie, resgatado ontem de madrugada, já se encontra numa família de acolhimento temporário. Agora consegue descansar no conforto de um lar (temporário) graças às partilhas de todos. Tal como qualquer outra vítima, precisa agora de muito amor e paciência para apagar da memória a sua vida passada. E nós contamos convosco para conseguirmos arranjar uma família adotiva para este mimoso. Hoje, tanto o Bennie como nós viemos agradecer-vos”.

Além de uma família definitiva para Bennie, também a querida Bianca irá precisar de acolhimento quando estiver pronta a seguir para o seu final feliz. E, com muito amor, ambos esquecerão tudo o que de mau já viveram. Percorra a galeria para os conhecer melhor.

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