Família

IRA salva cão nos Açores. Estava pele e osso e devorou a comida que lhe deram

O grupo de intervenção resgatou o patudo na llha de São Miguel. Estava no limite. O seu olhar é agora de agradecimento.
Já está a salvo.

A causa animal tem vindo a conquistar cada vez mais simpatizantes no nosso país – numa altura em que os nossos patudos são também, cada vez mais, considerados membros da família. Ainda assim, há ainda quem considere um cão como um simples adorno ou animal de guarda, mantendo-o à corrente toda a sua vida e, frequentemente, sem lhe prestar quaisquer cuidados nem fornecer a devida alimentação. Apesar de existir, desde 2014, uma lei que criminaliza os maus-tratos aos animais de companhia, praticamente todos os dias há novas denúncias de patudos em situações miseráveis e muitas vezes no limite das suas forças. Foi precisamente isso que aconteceu a um cão resgatado nos Açores pelo grupo Intervenção e Resgate Animal (IRA).

Numa publicação feita nas suas redes sociais na terça-feira, 30 de abril, o IRA diz ter recebido uma denúncia para um cão sem comida nem água, acorrentado num quintal de uma habitação na Povoação – uma vila na Ilha de São Miguel. A foto é chocante: um patudo, pele e osso, que implora por ajuda com o olhar.

O IRA – que tem delegação em São Miguel – deslocou-se de imediato com uma equipa para o local, onde iniciou diligências para o resgate imediato, devido ao seu estado. E foi mesmo rápido. Numa segunda publicação, a partilha é de um vídeo já com o cão a receber cuidados veterinários e a devorar o paté que lhe é colocado – por duas vezes – numa taça. Visualizar este vídeo provoca um aperto no peito e, ao mesmo tempo, uma sensação de alívio por se saber que este amigo de quatro patas não voltará a passar fome.

“Seja o que for que vos leva a quase arruinar a vida de um animal à fome, à sede…é doentio, é criminoso e é injustificável. Um animal que nunca vos desejou mal, invejou ou traiu. Um ser puro, inocente e que apenas deseja que chegues a casa para te receber com a sua felicidade. Tu que fazes isto a um ser vivo, que o deixas chegar a este ponto, és um criminoso e serás tratado como tal”, escreve o IRA na legenda do vídeo.

IRA precisa de apoio

O IRA apela também à ajuda de todos, seja financeira, através de partilhas dos casos, ou com oferta de acolhimento ou adoção. “Isto porque cada vez mais temos ido todos os dias a quase todo o lado. As denúncias de maus-tratos que nos chegam diariamente dispararam em número e gravidade. Aumentámos o nosso número de operacionais e estamos a aumentar a nossa capacidade de acolhimento”, diz o grupo.

“Com isto, aumentamos as nossas despesas com tratamentos veterinários, cuidados especializados, alimentação, alojamento, deslocações, etc. Bem sabemos que estamos a atravessar um período sensível devido à crise económica do país. Portanto, sempre que não puderem ajudar os nossos animais financeiramente, ajudem-nos com partilhas”, apelam.

E reforçam, explicando o porquê. “Ao partilharem as nossas publicações ajudam-nos a chegar a mais pessoas, e mais pessoas ajudam-nos com mais acolhimentos temporários ou definitivos, ou com donativos. Mais alojamento ou mais ajuda financeiros ajuda-nos a chegar a mais animais, salvando mais vidas. É a matemática que faz a diferença entre aqueles que não são salvos a tempo e aqueles que irão aparecer de futuro nas nossas redes sociais, com fortes probabilidades de sobreviverem e viverem a felicidade que lhes foi anteriormente negada”, sublinha o IRA, agradecendo a todos aqueles que vão fazendo o necessário para o grupo prosseguir com a sua missão.

Desde 2016 que o IRA tem resgatado muitos animais em condições miseráveis. Nestes anos de atuação, o grupo já realizou inúmeras intervenções em incêndios e cheias, centenas de resgates, ações sociais de ajuda aos sem-abrigo, apoio na Ucrânia e Turquia, e ajuda com donativos em géneros a famílias carenciadas. Percorra a galeria para ver alguns dos resgates do IRA no último ano e meio.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA PiT