Um novo projeto de lei de Itália pretende tornar os cavalos animais de estimação, proibindo assim o seu abate e consequente consumo da carne.
A proposta foi elaborada por Michaela Vittoria Brambilla, deputada do partido Noi Moderati, que pertence à coligação governamental de Giorgia Meloni, primeira-ministra e presidente do Partido Conservador e Reformista Europeu, avança a Sic Notícias.
A ideia conta com o apoio dos partidos da oposição e, caso seja aprovado, prevê penas de prisão de até três anos e multas até 100.000 mil euros para quem abater equinos.
O projeto propõe também a criação de um sistema nacional de monitorização da microchipagem destes animais, que deverá passar a ser obrigatória. Com estas medidas será criado um fundo de seis milhões de euros para ajudar os criadores a adaptarem os seus negócios ao novo modelo.
A responsável pela proposta é também presidente da Leidaa, uma organização de defesa dos direitos dos animais. “Estamos no século XXI e, no entanto, os equídeos continuam a ser explorados de diversas formas”. “Os cavalos, em particular. Enquanto no mundo anglo-saxónico comer carne de cavalo é quase inconcebível, no nosso país a espécie é literalmente explorada até aos ossos. Mas os amigos não devem ser comidos”. Neste sentido, a lei surge como “uma oportunidade extraordinária para promover uma mudança cultural que já é cara ao coração da maioria dos italianos”.
Esta carne é consumida tradicionalmente no país, sobretudo em Puglia, Campânia, Sicília, Lombardia, Veneto e Emília-Romanha, embora o seu consumo tenha diminuído na última década, com 83 por cento dos italianos a afirmar não a comer. Ainda assim, Itália continua a ser um dos maiores importadores e consumidores destes animais.
Apesar da aceitação pela maior parte dos partidos, a ideia não foi recebida com unanimidade. Gian Marco Centinaio, antigo ministro da Agricultura e integrante do partido político de extrema-direita Liga, afirmou que a proibição será “apagar um pedaço da história da cozinha italiana e também a identidade de algumas regiões”.
Dario Damiani, do partido de centro-direita Forza Italia, também se opôs, dizendo que a proposta não considera “as tradições gastronómicas de muitas regiões” e que é negativa para “a cadeia económica tradicional” destas zonas.
A exploração dos cavalos continua a ser uma pauta debatida pela Europa, nomeadamente com as carroças que os utilizam pelas cidades. Carregue na galeria para saber mais sobre as carruagens elétricas em Bruxelas, que as substituem.








