Família

Jacaré de 360 quilos retirado ao dono após 34 anos. Já há uma petição contra

O réptil cego foi salvo bebé pelo cuidador, com quem viveu até então. Foi criado "com amor" e não se está a adaptar ao novo lar.
Tinha até almofadas para descansar.

Os movimentos de libertações de animais selvagens normalmente ocorrem quando estão a viver em ambientes pouco propícios para o seu desenvolvimento. Mas no caso de Albert, um jacaré com cerca de 362 quilos, o contrário está a acontecer — depois de ser retirado do seu tratador, que o considera um “filho”, mais de 105 mil pessoas já assinaram uma petição para ele ser devolvido.

Em 1990, ainda bebé, Albert foi salvo por Tony Cavallaro, após participar numa exposição de répteis. Desde então, o gigante tornou-se no “filho” do cuidador, que o manteve numa piscina na própria casa, no interior do estado de Nova Iorque, Estados Unidos. Nos últimos 34 anos, Albert atingiu os 3,4 metros de comprimento, recebeu todos os cuidados de que precisava e tinha contacto com conhecidos da família.

Na passada quarta-feira, 13 de março, tudo mudou quando as autoridades invadiram a casa de Tony para levar Albert embora. O motivo? O cuidador terá “colocado as pessoas em perigo” após permitir o seu contacto com o gigante. No entanto, Tony garante que o jacaré “nunca magoaria ninguém” e teve sempre contacto com vários humanos, inclusive miúdos e idosos.

“Todo a gente que o conheceu ou o conhece sabe que isso não é verdade. Cuidei dele melhor do que a maioria das pessoas cuida dos seus filhos”, frisou num testemunho partilhado no Facebook. “Eles mudaram as regras há dois anos sobre o que é preciso fazer para ter um Jacaré. Tenho-o há 34 anos e cumpri todas as regras, além de renovar a minha licença anualmente conforme necessário”.

Ainda assim, o Departamento de Conservação Ambiental (DEC, sigla em inglês), rebateu as afirmações, sublinhando ao jornal “Scripps News Buffalo” que mesmo com a licença correta, o contacto com o público “é proibido e motivo para revogação do documento e a realocação do animal”.

“Sinto muita a falta dele”

Em 2016, Tony construiu uma piscina abrigada com uma cascata para o réptil. Desde então, é lá que Albert tem vivido. “Sou o pai de Albert, só isso”, explicou Tony. “Ele é considerado um membro da família para todos”.

A petição que exige a libertação e devolução do jacaré a Tony já juntou mais de 105 mil assinaturas desde que foi criada, a 15 de março. Alguns apoiantes chegaram a gravar vídeos a apoiar o cuidador. “Nenhum animal deve ser retirado do seu dono após tantos anos”, defende um deles. “Deviam ir atrás de pessoas que realmente abusam os animais”, frisou outro.

De acordo com a vizinha de Tony, Laura Lautner, a forma como tudo aconteceu “foi dececionante”. Além de supostamente não terem permitido o cuidador dizer adeus ao companheiro, Albert terá sido colocado numa carrinha sem qualquer cuidado. “Havia algumas pessoas a brincarem e a rirem”, recordou. “Eu disse-lhes ‘Isso é engraçado para vocês?’ Este é o animal de estimação de alguém”.

A vizinha continuou: “O Albert é muito calmo e gentil. Não vai sair de onde vive, não tem motivo para isso. Ele nada na piscina, deita-se no deck, come frango e não incomoda ninguém”.

Este domingo, 17 de março, Tony voltou a partilhar a sua indignação no Facebook. “Não consigo expressar o quanto isso está a destruir a minha vida. Não saí de casa desde então. Sinto muita a falta dele”, lamentou. “Quase não comi e dormi muito pouco. Estou mentalmente e fisicamente exausto. Não acredito que essas pessoas sejam tão cruéis”.

De seguida, carregue na galeria para conhecer Albert e Tony.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA PiT