Família

Kiska está sozinha há 11 anos. A orca mais solitária do mundo está a desistir da vida

Tem stress crónico e atira-se contra as paredes do tanque. A petição para a libertar já tem 500 mil assinaturas.
Kiska é a última orca viva do parque.

Tem 45 anos e já viu morrer cinco filhos. É a última orca viva do parque Marineland, no Canadá. Vive sozinha no seu tanque desde 2011 e está a desenvolver comportamentos de stress crónico. Os ativistas da causa animal querem dar liberdade a Kiska, a “orca mais solitária do mundo”.

Foi capturada com apenas dois anos, em outubro de 1979, das águas de Islândia. Acabou por ser levada para o parque temático localizado em Ontário, onde reside há quase 44 anos em cativeiro. Já viu passar 26 orcas pelo seu tanque, sendo que 20 acabaram por morrer e as outras saíram por desentendimentos entre parques.

Desde 2011, quando o seu fiel companheiro Ike se foi embora, pois começou a desenvolver tendências agressivas, até do ponto de vista sexual, que Kiska está habituada a estar sozinha. Teve que se ambientar às águas paradas do seu tanque, a não ter ninguém com quem brincar, com quem comunicar, e com quem confraternizar. Algo que não está de acordo com a sua espécie.

Segundo um estudo de 2019, publicado no “Journal of Veterinary Behavior”, que relata os efeitos negativos que o cativeiro tem em orcas, estes animais são conhecidos pela sua inteligência e alta capacidade social. Têm um dos maiores e mais complexos cérebros dos mamíferos, mas são, no entanto, o terceiro animal marinho mais comum nos parques temáticos.

Ainda que se estime que as orcas podem viver entre 50 a 60 anos, muitas morrem antes, por serem mantidas em cativeiro. Um dos motivos para a morte precoce é o desenvolvimento de comportamentos relacionados ao stress crónico.

Novas imagens de drone de um antigo funcionário do Marineland, Phil Demers, que correspondem ao dia 14 de janeiro, mostram Kiska a andar em círculo, no sentido inverso ao dos ponteiros do relógio, e a bater diversas vezes com o corpo contra a parede.

Esta não é a primeira vez que tal acontece, havendo imagens semelhantes, relativas a anos anteriores. Kiska já foi vista a boiar totalmente imóvel e a orcca já praticamente não tem dentes.

Mesmo antes de estar sozinha, ela já não estava bem. Em 2009, a morte a sua quinta cria, Athena, com quatro anos, deixou-lhe um profundo sentimento de perda, e foi aí que começaram os problemas.

Uma petição que pode libertar Kiska

Kiska já não faz parte do programa de espetáculos do Marineland, “estando a viver os seus anos dourados como quer”, segundo o parque. Desta forma, para os ativistas da causa animal, faz ainda menos sentido que ela continue em cativeiro. Infeliz e a desistir de viver.

Há muito que exigem a libertação da orca mais solitária do mundo. Não para o mundo selvagem, onde ela não sobreviveria, por já não estar habituada, mas sim para um santuário. O parque canadiano nunca agiu em conformidade com este desejo.

Por isso, criaram uma petição de modo a obrigar o Marineland a agir e a dar uma “vida mais saudável à orca”. Com o objetivo de obterem um milhão de assinaturas, já acumularam mais de 500 mil, especialmente desde a divulgação das novas imagens de drone.

Pode ser que, ao fim de quase 12 anos a viver sozinha, apenas na companhia das paredes do seu tanque, a liberdade de Kiska esteja à espreita. E que possa efetivamente viver os seus “anos dourados” da forma que quer.

Carregue na galeria para ver algumas imagens de Kiska, a orca mais solitária do mundo.

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