Família

Maggie e Alfredo foram abandonados pelos donos. “Como há coragem para fazer isto?”

Donos alegaram dificuldades, pediram ajuda, receberam dinheiro, voltaram para o Brasil e 'esqueceram-se' dos cães em Santarém.
Maggie e Alfredo.

A vida, por vezes, troca-nos as voltas. Foi o que aconteceu a uma família que veio do Brasil para Portugal, há sete anos. Depois de viverem momentos muito felizes no nosso país e de acreditarem que por cá ficariam, acabaram por ter de decidir regressar às suas origens. Fernanda voltou com os dois filhos no final do ano passado e Roberto [nomes fictícios] ficou por cá a tentar reaver pagamentos em falta, mas sem sucesso. Teria de ir também, sem o dinheiro que pensava recuperar. Estávamos em meados de fevereiro e o projeto de defesa animal Duques e Duquesas de 4 Patas, na zona de Santarém, falou à PiT sobre o desespero desta família, que precisava de ajuda para as passagens aéreas da cadela Maggie e do gato Alfredo. O dinheiro foi angariado, para felicidade de todos – mas o tutor nunca foi buscar os animais.

“A Maggie e o Alfredo têm uma boa família que veio do Brasil e os adotou aqui em Portugal – a Maggie há sete anos e o Alfredo há um ano. O Alfredo foi adotado através de nós e foi assim que nos conhecemos”, começou por contar uma das voluntárias do Duques e Duquesas de 4 Patas. Tudo corria bem, até que o pior aconteceu. “A família viveu aqui durante sete anos e tinha uma empresa que faliu, tendo ficado endividada por falta de pagamentos de alguns serviços, entre outras situações”, explicou.

Feito o apelo, o dinheiro chegou. Nessa altura, os dois animais estavam acolhidos temporariamente numa família de confiança das responsáveis do Duques e Duquesas de 4 Patas, à espera de os entregarem a Roberto e seguirem viagem juntos. Mas não foi o que sucedeu. “Esta história teve um desfecho triste e inimaginável”, conta à PiT a voluntária do projeto de defesa animal. “Foi um balde de água gelada”, lamenta.

Maggie e Alfredo precisam de um lar que receba os dois

“Tínhamos – e temos – o valor que algumas pessoas doaram para a sua passagem, mas o seu tutor não os veio buscar e não nos ligou mais, nem atende chamadas. Eles estão desde o final de dezembro já com uma família da nossa confiança e o tutor, que era para os vir buscar duas vezes em janeiro, faltou à palavra porque supostamente não tinha dinheiro. Foi aí que decidimos ajudar para não ser esse o problema. No entanto, nem essa ajuda lhes valeu. O tutor deu-nos três datas em fevereiro para os vir buscar e não apareceu. Depois da última data, não atendeu mais chamadas, não ligou e não demonstra qualquer tipo de interesse nos animais. É muito triste, mas decorreu um processo por abandono”, diz a mesma cuidadora.

Sem a sua referência familiar, os dois amiguinhos só se têm um ao outro e, por isso mesmo, as responsáveis do projeto apelam a uma adoção conjunta. “São dois animais de casa, limpinhos, educados, super meigos… Como há coragem de fazer isto? Eles estão para adoção em conjunto e daqui a uma semana não temos onde os colocar. Procuramos uma família que lhes dê uma boa vida em conjunto. Não podemos deixar que sejam separados… Mas e agora? São dois amores muito fofos que não merecem nada ficarem órfãos num abrigo”. A angústia é evidente.

Estou super preocupada porque não temos onde os colocar daqui a uma semana”, diz à PiT a voluntária do Duques e Duquesas de 4 Patas. “Já tivemos duas famílias interessadas em adotá-los em conjunto, mas ambas desistiram”, conta, com tristeza, esta protetora da causa animal.

Estará por aí a família que vai ajudar estes dois amigos a superarem o abandono de que foram alvo? São entregues esterilizados, microchipados e vacinados. Percorra a galeria para os conhecer melhor – e talvez se apaixone. Para se candidatar à adoção, pode preencher o formulário e contactar o projeto para confirmação. Eles estão à sua espera.

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